No primeiro dia da Rio Innovation Week (RIW), uma das mesas da primeira parte da programação desta terça-feira, quatro de agosto, reuniu economia criativa, desenvolvimento urbano e cultura popular em torno de um símbolo: os 30 anos do Trem do Samba.

Criado em 1995 por Marquinhos de Oswaldo Cruz, sambista, poeta, compositor e um dos principais articuladores culturais do samba carioca, o Trem do Samba é inspirado nas viagens que Paulo da Portela e outros sambistas faziam no início do século 20 para fugir da repressão da polícia ao gênero musical.
O trajeto se repete todos os anos: deixa a Estação Central do Brasil, no Centro, indo até o bairro de Oswaldo Cruz, na Zona Norte, transformando trem e ruas em palcos de festa e memória. Ao longo de três décadas, o evento se consolidou não só como um símbolo de preservação do samba de raiz no país, mas também de desenvolvimento econômico, tendo sido declarado pela Câmara do Rio patrimônio histórico e cultural imaterial da cidade.
Cultura também movimenta a economia
Padilha usou o painel para detalhar a política cultural da gestão municipal voltada às periferias. Segundo ele, o investimento da Secretaria de Cultura nos últimos anos ainda está concentrado nas regiões já consolidadas: “Hoje, a maioria fica nas EPCs de 2005, Zona Norte e Zona Oeste”. E foi direto ao apontar que isso não basta: “É suficiente? Não.”
O secretário citou a falta de equipamentos culturais em bairros como Sepetiba, Campo Grande e Vaz Lobo, e defendeu que resolver esse déficit exige tempo: “Não se constrói de um dia para o outro, e precisa de planejamento”. Como resposta, mencionou o plano de criação de 35 cinemas de rua e o programa de custeio para instituições periféricas, que cobre despesas como água e luz.

Padilha defendeu que isso deveria ser regra, não exceção, citando exemplos como o fotógrafo Tião, da Providência, hoje com acervo no Museu de Arte do Rio, e a companhia de dança Lia Rodrigues, sediada na Maré, considerada a maior do Rio de Janeiro.
Sobre o RIW
Em sua sexta edição, o Rio Innovation Week acontece entre os dias 4 e 7 de agosto de 2026, no Pier Mauá, com expectativa de receber cerca de 180 mil visitantes. Neste ano, o evento tem como tema “Simbiose – o futuro não acontece isolado”, com debates sobre a relação entre tecnologia, sociedade, sustentabilidade e desenvolvimento econômico.
A programação reúne nomes de diferentes áreas. Entre os confirmados estão o neurocientista e vencedor do Prêmio Nobel Edvard Moser, a líder indígena e Nobel da Paz Rigoberta Menchú, a artista Beatriz Milhazes e a investidora Camila Farani. Também participam a ambientalista Fê Cortez, o historiador Luiz Antônio Simas, o físico Marcelo Gleiser e a executiva Tatiana Coelho Sampaio.
A proposta é aproximar inovação, ciência, cultura e empreendedorismo, ampliando o debate sobre como essas áreas podem se relacionar e influenciar o desenvolvimento da sociedade.
Autores: Edu Carvalho, Felipe Azanha e Ana Beatriz Barbosa.


