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ArtRio debate papel das marcas no incentivo à cultura

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A relação entre empresas, poder público, artistas e instituições culturais foi o tema da conversa “Marcas impulsionando a cultura”, realizada no dia 19 de setembro, durante a ArtRio 2026, no Rio de Janeiro. O reuniu Henrique Dau, representando o secretário municipal de Cultura; Adriano Carneiro de Mendonça, diretor executivo do Solar; e Olivia Richardson, responsável pela Comunicação e Marketing da PRIO.

A discussão abordou como o investimento privado pode contribuir para aproximar a cultura da sociedade, apoiar artistas e instituições e ampliar o acesso às artes, além da importância de uma atuação conjunta entre empresas e poder público.

Em sua 16ª edição, a ArtRio reúne mais de 100 colecionadores e curadores internacionais a cada ano, que viajam ao Rio de Janeiro especialmente para o evento. Eles vêm de países como Estados Unidos, Panamá, Suíça, Paraguai, Espanha, Peru, Dinamarca, França, Turquia, Bélgica e Itália.

ArtRio debate papel das marcas no incentivo à cultura
Além da feira, a programação inclui visitas a museus, instituições, galerias, ateliês e coleções privadas | Foto: SuperFinanças

Completam a ArtRio 2026 o EXPANSÃO, dedicado a instituições que desenvolvem trabalhos usando a arte como ferramenta de inclusão social, o Palco ArtRio, assinado pela PRIO, e a área editorial.

Cultura também ajuda a movimentar a cidade

Durante a conversa, Henrique destacou a relação entre cultura e a recuperação do centro histórico do Rio de Janeiro. Para ele, as ações culturais podem ajudar a movimentar diferentes regiões e aproximar o público das atividades artísticas.

“Entendemos que a cultura é a invocação do centro histórico da cidade. E é por meio da cultura que iremos recuperar o centro comercial, a vida na cidade…”

Nesse contexto, Henrique citou a Semana de Arte do Rio como parte desse movimento de recuperação e de atração de pessoas para a cidade.

“A Semana de Arte do Rio é um totem desse espírito da recuperação da Cidade do Rio de Janeiro e o deslocamento do mundo para a cidade carioca.”

Ele também explicou que o poder público não tem sozinho a capacidade de acompanhar as necessidades específicas de cada região. Por isso, considera importantes as parcerias com instituições e empresas para ampliar a presença da cultura.

Segundo Henrique, existe um mecanismo de cooperação entre diferentes setores que ajuda a levar atividades culturais para cada região. Ele também destacou o trabalho de formação e reconhecimento de artistas cariocas.

“Temos falado muito sobre o mercado de arte aqui no RJ e a Semana da Arte. Por que estamos falando disso? Estamos muito empenhados na formação de artistas. Ao formar artistas e dar reconhecimento para os artistas cariocas, queremos fortalecer para que eles façam cursos no Brasil e no mundo.”

A Semana de Arte do Rio também pode contribuir para a formação de novos compradores de arte. Segundo Padilha, está sendo realizada uma pesquisa para entender a capacidade de conversão e a demanda por novos compradores.

Ele ainda levantou uma questão sobre a relação entre as empresas e diferentes regiões da cidade:

“O RJ tem uma produção cultural muito intensa. Como aproximar as marcas do investimento em territórios diversos?”

Solar destaca importância das parcerias

A relação entre a ArtRio e o Solar também foi abordada durante o encontro. Adriano Carneiro de Mendonça, diretor executivo da instituição, destacou a importância da feira para a continuidade do espaço.

“A história do Solar perpassa toda pela ArtRio, porque foi ela quem viabilizou a continuidade do Solar.”

Para Mendonça, instituições culturais têm o papel de aproximar a arte da sociedade, tirando a cultura de um espaço distante do público. Nesse processo, as marcas também podem ajudar na criação e no desenvolvimento de projetos.

A profissionalização de artistas e coletivos foi apontada como uma das necessidades para que novos projetos consigam atrair patrocinadores e investidores.

“A aproximação da cultura com a sociedade não vai acontecer se as marcas não estiverem se movimentando.”

O diretor também destacou a necessidade de articulação com o poder público e apresentou a forma como o Solar organiza sua atuação.

“Até hoje o Solar é o nosso maior patrimônio. Tudo começa com os artistas. Artistas no centro e o público na mira.”

Segundo Mendonça, a instalação do Solar na Rua do Senado foi acompanhada por uma evolução no entorno. O local passou a ter mais estabelecimentos, que geraram cerca de 800 empregos, enquanto o público da instituição passou de 34 mil pessoas para 120 mil neste ano.

A instituição também desenvolve programas que levam atividades para as ruas, com ações gratuitas. Cerca de 40% do orçamento do Solar é destinado à programação.

“Precisamos provocar impacto e precisamos retornar isso para a sociedade.”

Para manter esse trabalho, o Solar articula um ecossistema formado por instituição, artistas, colecionadores, galerias e empresas.

PRIO defende criação de pontes

Olivia Richardson apresentou durante a conversa a experiência da PRIO, que criou anos atrás a plataforma de patrocínio I Love PRIO, voltada a iniciativas com potencial de transformação.

A proposta, segundo ela, é usar parte dos recursos gerados pela empresa para produzir impacto nos locais onde atua.

“Como você pode transbordar esse valor e gerar um impacto real no ambiente e na cidade que você atua?”

Para Olivia, o papel das marcas não deve ficar limitado ao apoio financeiro. As empresas também podem ajudar a conectar projetos, dar visibilidade às iniciativas e aproximar diferentes grupos.

“Eu acho que um grande diferencial que as marcas também podem fazer é o cross social: como podemos dar visibilidade e plataforma e criar pontes para obras sociais.”

Na avaliação da executiva, o apoio financeiro é importante, mas a criação dessas conexões também pode contribuir para ampliar o alcance dos projetos.

Ela também falou sobre o desafio de fazer com que o investimento em cultura tenha relevância dentro das próprias empresas. Como a PRIO atua no mercado entre empresas, ela explicou que existe um trabalho de convencimento interno para mostrar a importância dessas iniciativas.

“Eu acho que tem muito um trabalho de como trazemos essa relevância nesse lado de marca. A PRIO, no final do dia, é B2B e tem um desafio de como trazer a relevância para dentro da companhia. Vai para um lado de convencimento e conquistar a relevância de dentro também. É importante que seja algo genuíno da companhia.”

Arte, diversidade e acesso

A diversidade também entrou na discussão. Olivia contou o caso de uma exposição de crochê da artista Marlene Barros, que aborda temas como o feminino e a violência contra a mulher. Para ela, projetos como esse ajudam a apresentar outras formas de pensar a arte e a levar essas discussões para além dos espaços tradicionais.

“Quando olharmos os projetos com um novo olhar sobre arte e cultura, conseguimos ter um novo olhar sobre as comunidades e a diversidade.”

Henrique, por sua vez, destacou que o centro do Rio não deve ser visto apenas pela perspectiva da Zona Sul. Segundo ele, a Prefeitura tem buscado levar pessoas de outros territórios, especialmente das zonas Norte e Oeste, para espaços de destaque nas programações municipais.

O movimento faz parte, segundo o secretário, do esforço de recuperação do centro histórico e da democratização das artes, com espaço para diferentes linguagens e artistas, sejam eles consolidados ou emergentes.

“A arte é para todos. Todo mundo pode comprar.”

Segundo ele, a Prefeitura está investindo cerca de R$ 150 milhões em arte, distribuídos entre editais e programas culturais e artísticos, como a Semana de Arte do Rio.

A discussão também abordou a importância das leis de incentivo e os desafios do financiamento cultural. Para Mendonça, apesar da importância desses mecanismos, as instituições também precisam de uma participação mais forte do poder público.

“Eu acho que, apesar da importância das leis fundamentais de incentivo, é preocupante quando colocamos todo o trabalho no lombo da Lei Rouanet. Acho que precisamos do apoio mais forte do Estado em instituições de cultura com mais de 10 anos de idade a nível federal.”

O diretor do Solar também apontou a volatilidade do mercado de patrocínios como um dos desafios enfrentados pelas instituições culturais. Ao mesmo tempo, destacou uma percepção crescente de marcas de consumo e varejo de que a arte pode ser um espaço de encontro entre empresas, artistas e sociedade.

Para Olivia, a continuidade das ações também é importante. Segundo ela, projetos culturais precisam estar ligados às diretrizes das empresas para que tenham continuidade e não dependam apenas de iniciativas pontuais.

No encontro, a discussão mostrou diferentes perspectivas sobre como empresas, instituições e poder público podem participar do fortalecimento da cultura. As falas convergiram para a importância de criar relações duradouras, ampliar o acesso à arte e aproximar artistas e projetos de públicos de diferentes regiões.

Sobre o autor Edu Carvalho

Jornalista e apresentador. Com mais de uma década na comunicação, passou pela Globo, CNN, Revista Época. É colunista em Ecoa UOL e Projeto Colabora. Filho da Rocinha, cria do mundo.

Sobre o autor Ana Beatriz Barbosa

Estudante de Jornalismo na PUC-Rio, aventura-se pelas letras desde os 11 anos de idade. Escritora e comunicadora, construiu uma trajetória atravessada por diferentes campos — da educação à comunicação, passando pela produção cultural, pelo audiovisual e pela escrita. Seu norte começou na educação; seu sul tornou-se a comunicação.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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