O segmento de parques de diversão indoor (totalmente cobertos e climatizados) no Brasil tem ganhado força, especialmente em cidades médias, e impulsionado a economia local. Com operações instaladas principalmente em shopping centers, esses empreendimentos são voltados para o entretenimento familiar em ambientes fechados, seguros e climatizados — uma demanda crescente em regiões urbanas fora dos grandes centros.
Segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), o setor de lazer e entretenimento em shoppings cresceu 35% ao ano entre 2021 e 2023, ritmo acima da média do varejo. Esse crescimento tem refletido diretamente na ocupação de áreas antes subutilizadas e no aumento da atratividade de empreendimentos comerciais, além de estimular a geração de empregos e novos negócios.

Ocupação estratégica em cidades médias
Cidades como Ribeirão Preto (SP), Londrina (PR), Anápolis (GO) e Caxias do Sul (RS) são exemplos de polos urbanos que passaram a receber empreendimentos de lazer indoor com destaque. De acordo com o IBGE, essas cidades fazem parte de um conjunto de mais de 120 municípios brasileiros considerados de porte médio, com população entre 100 mil e 500 mil habitantes. Esse grupo representa cerca de 40% da população brasileira e responde por quase um terço do PIB nacional.
Segundo relatório da Abrasce, a instalação de parques indoor contribui para elevar em até 20% o fluxo de visitantes em shoppings onde estão presentes. Em contrapartida, aumenta o tempo médio de permanência no local — o que favorece outros lojistas e o faturamento da praça de alimentação.
Impacto econômico e geração de empregos
Os parques indoor movimentam diversos setores da economia. De acordo com estimativas do mercado, um empreendimento de médio porte (em torno de 2 mil metros quadrados) pode gerar de 40 a 60 empregos diretos e cerca de 100 indiretos ligados a alimentação, transporte, manutenção e comércio local.
Empresas como a HotZone, pertencente à Multiplan, têm ampliado operações em cidades fora dos grandes centros. Outra rede em expansão é o Mundo Animal, que combina parque e restaurante temático, com mais de 30 unidades no Brasil.
Já o Terra dos Dinos, parque temático indoor localizado em Miguel Pereira (RJ), se tornou um dos principais atrativos turísticos da cidade, recebendo milhares de visitantes desde a inauguração em 2023. Além de fomentar o turismo regional, contribui com a economia local por meio da geração de empregos e da movimentação de hospedagens, alimentação e transporte.
Segundo a Abrasce, o tíquete médio de visita a centros de lazer em shopping gira entre R$ 120 e R$ 250, valor que inclui ingresso, alimentação e pequenas compras. Com fluxo médio de mil visitantes semanais, um parque pode movimentar até R$ 160 mil por mês, gerando impacto positivo na arrecadação de impostos municipais e estaduais.
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Tendências de inclusão e sustentabilidade
Além da expansão geográfica, há também uma evolução no modelo de operação. A tendência é que os parques passem a adotar práticas de acessibilidade e sustentabilidade, como ambientes com infraestrutura para crianças com deficiência, reaproveitamento de materiais na cenografia e uso de energia limpa.
Redes como Urban Motion, especializada em trampolins, e Magic Games, com atrações eletrônicas e interativas, vêm adotando soluções tecnológicas para melhorar a experiência do público e o controle de operações — do agendamento online à gestão de segurança.
Um vetor de transformação para cidades médias
A concentração de parques indoor em cidades médias revela o potencial desse modelo de negócio como vetor de desenvolvimento econômico regional. Com infraestrutura urbana em expansão, conectividade crescente e demanda por opções de lazer de qualidade, essas cidades se tornaram alvo de investidores que buscam retorno rápido e escalável.
Para 2025, a Abrasce prevê que o setor de entretenimento será um dos mais importantes na reconfiguração dos shoppings centers brasileiros, ocupando espaços antes dominados por lojas âncoras tradicionais. A perspectiva é que a presença de atrações fixas, como parques indoor, funcione como catalisadora para a valorização imobiliária e fortalecimento do comércio regional.
Em um cenário de interiorização dos serviços e descentralização do consumo, os parques de diversão indoor despontam como alternativa concreta de lazer para a população e estratégia econômica de longo prazo para municípios fora das capitais.


