Você sabe o que é doença celíaca? A pergunta surgiu depois que fui matar minha curiosidade e abri o calendário com as datas direcionadas à saúde no mês de maio. Confesso que fiquei surpresa com os nomes de tantas doenças desconhecidas desta mortal que vos escreve.

Não sei se a população brasileira tem conhecimento, mas cada dia de cada mês do ano é direcionado a uma doença. No quinto mês, por exemplo, 15 de maio é o Dia Internacional de Conscientização sobre Hemangiomas (um tipo de tumor benigno formado por vasos sanguíneos que se aglomeram em determinada região do corpo), Dia Nacional do Controle das Infecções Hospitalares e Dia Internacional e Nacional de Conscientização quanto à Mucopolissacaridose (grupo de doenças genéticas raras e graves causadas pela formação inadequada de enzimas).
O dia seguinte, 16 de maio, é o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Celíaca. Foi essa data que chamou minha atenção. Que enfermidade é essa? Quais os sintomas? Atinge quantas pessoas no Brasil? Tem tratamento? Tem cura?
Vamos lá: a doença celíaca é uma enfermidade autoimune, ou seja, as próprias células de defesa imunológica agridem as células do organismo, causando um processo inflamatório. Essa inflamação é provocada pelo glúten, proteína presente no trigo, na cevada e no centeio, ou seja, está no pão, no macarrão.
Os sintomas mais comuns são diarreia, prisão de ventre, fadiga, perda de peso, sensação de estufamento, cólica e desconforto abdominal que, segundo o Dr. Drauzio Varella, começam na infância. De acordo com o médico, na fase adulta os sinais são mais indefinidos, como dores eventuais.
Quem apresenta esses indícios é aconselhado a fazer a dosagem de sangue dos anticorpos contra o glúten e também o exame de biópsia do intestino para checagem de alguma inflamação e atrofia das vilosidades intestinais (estruturas importantes para a absorção de nutrientes).
Minha irmã é vítima
Desde que me entendo por gente, minha irmã reclama de constipação intestinal, de inchaço na região do abdômen e de gases. Mas só agora, aos 63 anos, quando as queixas aumentaram e após uma Via Crucis por clínicas, consultórios e laboratórios, ela está prestes a ter um diagnóstico.
Falo “prestes” porque exames como – Transglutaminase Tecidual, Anticorpos IgA (soro), Endomísio, Anticorpos IgA (soro) e Imunoglobulina A (soro) – começaram a ser realizados em março deste ano, após consultas com proctologista e gastroenterologista, e até hoje nada foi revelado.
Catarina Calmon Matos, minha irmã, é assistente social, e durante anos conviveu no ambiente hospitalar e acompanhou de perto muitas crianças com diagnóstico de doença celíaca. Mas cada organismo é um organismo.
O Dr. Márcio Itaboray, gastroenterologista, alerta que a doença celíaca não tem cura, e que o melhor tratamento é retirar da dieta alimentos que contenham glúten, que seria o responsável por desencadear a inflamação que ocorre na parede interna do intestino delgado e que pode levar à atrofia das vilosidades intestinais, gerando diminuição da absorção dos nutrientes.
Mesmo com a possibilidade remota, se não for tratada, a enfermidade é capaz de gerar danos permanentes ao intestino, podendo favorecer o surgimento de um câncer e outras doenças autoimunes.
O médico não aconselha o uso de imunossupressores porque não há comprovação da eficácia. Deve-se levar em consideração o efeito colateral que pode provocar. “A pessoa pode ficar com a defesa orgânica ainda mais baixa”, chama a atenção o especialista.
A Federação Nacional das Associações de Celíacos (Fenacelbra) estima que no Brasil mais de 2 milhões de pessoas tenham a doença, quase 1% da população. O que preocupa a instituição são as baixas taxas de diagnóstico no país.
Estatísticas de Mercado
De acordo com os dados da Data Bridge Market Research, apontados no Relatório de Análise do Tamanho, Participação e Tendências do Mercado Global de Produtos Sem Glúten – Visão Geral do Setor e Previsão até 2032, o tamanho do mercado global de produtos sem glúten foi avaliado em US$ 7,23 bilhões em 2024 e deve atingir US$ 11,91 bilhões até 2032, com um CAGR (Taxa de Crescimento Anual Composta) de 6,44% durante o período calculado.
Segundo os pesquisadores, o crescimento do mercado está sendo amplamente impulsionado pela crescente conscientização dos consumidores em todas as faixas etárias sobre problemas de saúde relacionados ao glúten e pela busca por dietas saudáveis e de rótulo limpo.
A expansão das ofertas sem glúten no varejo tradicional está tornando esses produtos mais acessíveis, com grandes marcas e supermercados aumentando o espaço nas prateleiras e a variedade para atender à clientela.


