Os baby boomers, nascidos entre 1946 e 1964, estão transformando o mercado imobiliário ao optarem por envelhecer em suas próprias casas, investindo fortunas em reformas para garantir conforto e acessibilidade.
Enquanto isso, os millennials (nascidos entre 1982 e 1994) enfrentam desafios cada vez maiores para entrar no mercado imobiliário. Mas como essa tendência impacta as novas gerações?

Baby boomers dominam o mercado imobiliário
Atualmente, essa geração representa mais de um terço de todos os proprietários de imóveis nos Estados Unidos, e mais da metade deles não possui hipoteca. Com as taxas de juros disparando para níveis inéditos nas últimas décadas, vender um imóvel pago ou com financiamento vantajoso se tornou pouco atraente para os boomers. Afinal, trocar uma casa sem hipoteca por uma com juros entre 6% e 7% não parece um bom negócio.
Além disso, muitos boomers vivem em casas espaçosas, perfeitas para famílias que estão começando a crescer. Segundo um levantamento da Redfin em 2024, 28% das maiores casas do país pertencem a baby boomers com os chamados “ninhos vazios”. Já os millennials com filhos possuem apenas 14% dessas residências. O resultado? Um mercado cada vez mais travado, onde as casas não circulam e os jovens compradores enfrentam preços elevados e baixa oferta.
Reformas milionárias para envelhecer em casa
A decisão de permanecer no mesmo imóvel tem levado os boomers a investirem pesadamente em reformas. Com um mercado imobiliário pouco favorável e uma escassez de casas de repouso, muitos optam por adaptar suas residências em vez de buscar alternativas.
A empresa de melhorias domésticas Leaf Home, em parceria com a Morning Consult, revelou que mais da metade dos boomers não planeja se mudar, mesmo após décadas vivendo no mesmo local.
E o investimento é alto. Alguns chegam a gastar centenas de milhares de dólares para garantir que suas casas sejam acessíveis e confortáveis para o envelhecimento. Um exemplo é o casal californiano Brenda Edwards e seu marido, que desembolsaram mais de US$ 100 mil em reformas, (aproximadamente R$ 574.560,00) incluindo adaptações para cadeira de rodas, garantindo segurança e qualidade de vida no futuro.
Tendências de reforma apontam para mudanças estruturais significativas, como banheiros acessíveis, barras de apoio, elevadores de escada, pisos antiderrapantes e iluminação reforçada.
Segundo Marine Sargsyan, economista-chefe do site de design e renovação Houzz, a procura por reformas voltadas ao envelhecimento aumentou consideravelmente, tornando os boomers a geração que mais investe nesse setor.
Leia também: Tecnologia e turismo: QR Codes movimentam economia do Rio
Millennials enfrentam dificuldades para comprar imóveis
Enquanto os baby boomers reformam e permanecem em suas casas, os millennials enfrentam um mercado imobiliário cada vez mais inacessível. De acordo com um relatório da National Association of Realtors, os millennials superaram os boomers como a maior geração de compradores de imóveis, mas a realidade financeira impõe grandes obstáculos.
O custo de aquisição de um imóvel subiu drasticamente nos últimos anos. Salários não acompanharam a valorização dos imóveis, e a entrada no mercado imobiliário tornou-se um desafio ainda maior. O resultado é uma geração que adia a compra de casas, muitas vezes optando pelo aluguel ou vivendo em espaços menores por mais tempo.
Além disso, a falta de oferta agrava ainda mais a situação. Com os boomers segurando seus imóveis, há menos casas disponíveis para novos compradores, dificultando a mobilidade do mercado.
Como essa tendência impacta o futuro do mercado imobiliário?
O cenário atual apresenta desafios tanto para os millennials quanto para os próprios baby boomers. Se, por um lado, os jovens enfrentam um mercado inacessível, por outro, os boomers podem se deparar com dificuldades futuras para vender seus imóveis, caso precisem de liquidez ou assistência especializada na velhice.
Especialistas apontam que, em algum momento, o mercado pode sofrer uma reviravolta. Quando os boomers precisarem vender suas casas por questões de saúde ou herança, uma grande oferta de imóveis pode surgir de uma vez, impactando os preços. No entanto, até esse momento chegar, os millennials precisarão buscar soluções criativas, como financiamentos mais longos, coabitação ou até a espera por um cenário econômico mais favorável.
A disputa geracional no mercado imobiliário é um reflexo das mudanças econômicas e sociais das últimas décadas. Os baby boomers, que compraram suas casas em condições muito mais favoráveis, agora aproveitam o patrimônio acumulado para envelhecer com conforto. Já os millennials, diante de desafios financeiros e altos custos, precisam encontrar novas estratégias para conquistar a tão sonhada casa própria.
*Entrevistas concedidas ao E-Investidor


