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BNDES aprova mais de R$ 10 bilhões para o Fundo Clima

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou nesta quinta-feira, 20 de março, mais de R$ 10 bilhões em crédito para financiamentos do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, conhecido como Fundo Clima. Esse montante representa um avanço na estratégia nacional de financiamento sustentável da economia verde.

A distribuição dos recursos por região revela um direcionamento estratégico para fomentar projetos sustentáveis em todo o país: o Sudeste recebeu R$ 4,1 bilhões; o Centro-Oeste, R$ 2 bilhões; o Nordeste, R$ 1,8 bilhão; o Sul, R$ 1,6 bilhão; e o Norte, R$ 460 milhões. Segundo o BNDES, a liberação total de recursos em 2024 foi quase dez vezes superior ao volume de 2022, um salto expressivo no financiamento de projetos voltados à mitigação das mudanças climáticas.

BNDES destina R$ 10 bilhões para financiamento do Fundo Clima.
Em 2024, foram aplicados R$ 200 milhões em ações que ajudaram a reduzir o desmatamento e a combater crimes ambientais, de acordo com BNDES |Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

No Nordeste, o aumento foi ainda mais notável: os R$ 1,8 bilhão liberados representam um crescimento de 36 vezes em relação a 2022, quando foram aprovados apenas R$ 51 milhões. Os investimentos na região têm como foco a expansão da geração de energia renovável, especialmente solar e eólica, que adicionará 450 megawatts (MW) ao Sistema Interligado Nacional (SIN), reforçando a matriz energética sustentável do país.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou a importância do Fundo Clima no atual cenário global: “O Fundo Clima nos permite aprofundar essa estratégia de fortalecimento da economia verde, da descarbonização e da sustentabilidade ambiental, principalmente neste cenário de crescimento global do negacionismo climático.”

Criado para mitigar e adaptar o Brasil às mudanças climáticas, o Fundo Clima é um dos principais instrumentos financeiros nacionais voltados para o financiamento de projetos sustentáveis.

Transpetro e a logística do GLP na Amazônia

Além dos investimentos em energia renovável, a Petrobras Transporte S.A. (Transpetro), subsidiária da Petrobras, anunciou em nota que conseguiu fornecer 16,6 mil toneladas de gás liquefeito de petróleo (GLP) à Região Norte, apesar da estiagem histórica que afetou a região em 2023.

A maior seca dos últimos 74 anos trouxe desafios logísticos para o transporte de combustíveis, especialmente durante a vazante do Rio Amazonas, tornando a navegação mais difícil entre novembro e dezembro. A Operação Codajás foi essencial para garantir o abastecimento de GLP, utilizado tanto para consumo doméstico quanto para a geração de energia na indústria e na agricultura.

A atuação da Transpetro destaca a importância da infraestrutura logística no abastecimento energético do Norte do Brasil, evidenciando como eventos climáticos extremos impactam diretamente a economia e o cotidiano da população.

Parcerias internacionais: Irlanda doa R$ 91 milhões para ações a favor do clima do Brasil

A Irlanda passou a fazer parte do grupo de países que contribuem para o Fundo Amazônia, unindo-se a outras sete nações. A contribuição irlandesa foi de 15 milhões de euros, aproximadamente R$ 91 milhões. O anúncio ocorreu em São Paulo, no dia 13 de março, durante um encontro entre a ministra do Meio Ambiente do Brasil, Marina Silva, e o ministro dos Transportes da Irlanda, Seán Canney.

O que é o Fundo Amazônia?

Criado em 2009, o Fundo Amazônia é um programa de financiamento voltado principalmente à proteção da floresta amazônica por meio de doações internacionais. Os recursos arrecadados são aplicados em ações de monitoramento, conservação e promoção do desenvolvimento sustentável na região. As contribuições vêm de diversos países, como Noruega, Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, Dinamarca, Suíça, Japão e, mais recentemente, da Irlanda.

O programa foi criado como uma estratégia para captar recursos internacionais que apoiassem projetos de redução do desmatamento e preservação da biodiversidade amazônica. A iniciativa visa equilibrar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental, um grande desafio diante das mudanças climáticas globais.

Como funciona?

A gestão do programa é responsabilidade do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco coordena a captação dos recursos, a seleção dos projetos e o acompanhamento dos resultados. Desde sua criação, o Fundo já financiou 123 projetos, com um total de R$ 3,1 bilhões em investimentos.

Em 2024, foram aplicados R$ 200 milhões em ações que ajudaram a reduzir o desmatamento e a combater crimes ambientais. Entre essas ações, destacam-se o fortalecimento da fiscalização, o incentivo à produção sustentável e o apoio às comunidades indígenas e tradicionais.

Resultados positivos

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre agosto de 2023 e julho de 2024, a taxa de desmatamento na Amazônia caiu 30,63% em comparação com o período anterior. No ano seguinte, a redução foi ainda maior, superando 45% em relação a 2022. Esses resultados demonstram a eficácia do programa na proteção da floresta.

Para a ministra Marina Silva, essa diminuição no desmatamento é fundamental para iniciar um ciclo de prosperidade no Brasil, especialmente em um contexto de crise climática global. Ela destacou que o apoio internacional, como o da Irlanda, fortalece as ações do Brasil na área.

O papel do BNDES

O BNDES tem um papel essencial na gestão do Fundo. Durante o governo anterior, o programa foi interrompido, mas voltou a operar entre 2023 e 2024, arrecadando cerca de R$ 1 bilhão em doações. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que a adesão da Irlanda é um reconhecimento internacional ao esforço do Brasil para proteger a Amazônia.

“O BNDES continuará trabalhando para ampliar os impactos positivos do programa e atrair novos parceiros comprometidos com a preservação ambiental e o enfrentamento da crise climática”, afirmou Mercadante em nota.

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Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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