A BYD começou 2025 com força total, registrando um lucro líquido de 9,15 bilhões de yuans (aproximadamente 6,5 bilhões de reais) no primeiro trimestre, superando tanto as expectativas dos analistas quanto os resultados de sua principal concorrente global, a Tesla.
A marca chinesa, sediada em Shenzhen, ultrapassou os 8,1 bilhões de yuans previstos pelo mercado (aproximadamente 5,75 bilhões de reais) e consolidou sua posição como a montadora mais vendida da China.
Apesar do desempenho surpreendente no lucro, as vendas da BYD no período totalizaram 170,36 bilhões de yuans (aproximadamente 120,96 bilhões de reais), o que representa um crescimento anual de 36%.
Ainda assim, esse resultado ficou aquém das projeções dos analistas, refletindo um cenário econômico desafiador e sazonalidades típicas do início do ano, como o feriado prolongado do Ano Novo Lunar. Mesmo assim, o desempenho da empresa foi robusto o suficiente para indicar que 2025 pode ser um ano ainda mais promissor.

Para efeito de comparação, a Tesla anunciou um lucro líquido de US$ 409 milhões no mesmo período, um resultado que desapontou os mercados financeiros e evidenciou as dificuldades enfrentadas pela montadora americana no cenário atual. Enquanto isso, a BYD continua avançando, não apenas em termos de rentabilidade, mas também em inovação, expansão internacional e fortalecimento de marca.
A montadora chinesa vendeu 1 milhão de unidades de veículos nos primeiros três meses do ano, o que a coloca no caminho para atingir a meta ambiciosa de 5,5 milhões de carros vendidos em 2025, sendo 800 mil destinados à exportação. Isso reforça a estratégia da BYD de se consolidar como uma potência global em mobilidade elétrica, não mais limitada ao território chinês.
Expansão de mercados
Em busca de expansão fora da Ásia, a empresa está construindo uma nova fábrica de veículos elétricos na Hungria, cuja inauguração está prevista para o final de 2025. A iniciativa marca um passo importante na penetração da BYD no mercado europeu, tradicionalmente dominado por marcas como Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz.
Durante o salão do automóvel de Xangai, que aconteceu nesta semana, a BYD chamou atenção ao lado de montadoras europeias, com destaque para seus modelos de luxo. A empresa exibiu o SUV Yangwang U8L, o conceito da série Dynasty-D e o esportivo Denza Z, reforçando sua entrada no segmento premium. Esses veículos prometem margens de lucro mais elevadas e posicionam a BYD como uma fabricante não apenas acessível, mas também sofisticada.
Outro fator que deve impulsionar o desempenho da companhia é o lançamento de uma nova bateria ultrarrápida, apresentada recentemente. Capaz de recarregar 400 quilômetros em apenas cinco minutos, essa inovação tecnológica representa um salto significativo na usabilidade dos veículos elétricos. O sistema estará presente nos modelos Han L e Tang L, com preços a partir de 270.000 yuans (aproximadamente 191.700 reais) e 280.000 yuans (aproximadamente 198.800 reais), respectivamente.
O Tang L, em particular, tem se destacado no mercado. O SUV de sete lugares e tração integral foi apresentado no salão de Xangai em três versões, com a mais potente acelerando de 0 a 100 km/h em apenas 3,9 segundos — desempenho comparável ao de um Porsche 911. A combinação de tecnologia, desempenho e design posiciona o modelo como um dos principais lançamentos da BYD para 2025.
A valorização das ações da BYD também reflete o otimismo dos investidores. Os papéis da companhia negociados em Hong Kong fecharam a semana com alta de 1,7%, acumulando uma valorização de quase 50% no ano. Em 2024, a alta foi de 24%, e em 2023, de 11%, demonstrando uma trajetória consistente de crescimento.
Em uma jogada estratégica para ampliar sua base de investidores, a empresa também realizou um desdobramento de ações, inspirado em gigantes como Nvidia e a própria Tesla. Segundo analistas do Morgan Stanley, esse movimento permite que a BYD atraia um público mais amplo ao mercado de capitais, reforçando seu posicionamento global.
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