O mercado de trabalho brasileiro vive um momento peculiar. Enquanto a economia se aquece e a taxa de desemprego se mantém baixa, outro indicador acende um alerta para as empresas: o número de pedidos de demissão voluntária. Os dados mais recentes não apenas confirmam uma tendência de alta, mas apontam para um recorde que reflete uma mudança profunda na relação do brasileiro com o trabalho.

Uma pesquisa do Ministério do Trabalho e Emprego, realizada em 2024, por exemplo, detalhou as motivações dos mais jovens. Eles – e eu me incluo aqui – buscam escapar de salários baixos (36% para 18-24 anos).
Há também outros fatores, como trabalhos não reconhecidos (31% para 18-24 anos e 34% para 25-29 anos) e também problemas éticos com a forma de trabalho da empresa (28% para 18-24 anos), que são frequentemente citados.
Essas aspirações dão um tom (em BPM, talvez): maior autonomia e flexibilidade. A internet, ao reduzir o custo de iniciar um negócio ou vender um serviço, atua como facilitadora para essa transição. Para muitos, a perspectiva de “segurança” da carteira assinada (CLT) se esfarelou, levando a uma leitura pragmática da situação.
Há ainda uma parcela de trabalhadores de menor qualificação, por exemplo, que opta por atividades empreendidas por si próprios, podendo ganhar mais do que o piso salarial de empregos CLT ruins, buscando mais margem de manobra na jornada. Há vida, e ela pode ser feita dentro de casa.
Num 1º de maio, tão marcado historicamente pela greve operária iniciada nos Estados Unidos durante a Revolução Industrial, onde se reivindicavam jornada de oito horas por dia e melhores condições de trabalho, os pedidos são reformulados dois séculos depois. Se cantasse em vida pela ala trabalhista e juvenil, Tim Maia, além de “sossego”, mudaria a frase: “O que eu quero? Liberdade e emprego!”
Que as empresas se adaptem a essa nova realidade e não percam seus talentos mais valiosos.


