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Pesquisa aponta dificuldades no uso de tecnologias no Brasil

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O uso da tecnologia ainda apresenta barreiras para alguns brasileiros, é que aponta um novo levantamento do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgado nesta segunda-feira, 5 de maio, revelou que as habilidades digitais seguem sendo um desafio para grande parte da população, mesmo entre aqueles considerados alfabetizados proficientes.

Gráfico do Inaf 2024 sobre dificuldades tecnológicas no Brasil
O grupo entre 20 e 29 anos teve o maior índice de pessoas no nível alto de alfabetismo digital (38%), seguido pelos jovens de 15 a 19 anos (31%) |Foto: Reprodução/Freepik

A edição de 2024 do estudo trouxe pela primeira vez dados específicos sobre o desempenho das pessoas em ambientes digitais, mostrando como a capacidade de ler, escrever e fazer contas se relaciona com o uso de tecnologias no dia a dia. Essa nova abordagem reflete as mudanças na sociedade, em que o domínio digital se tornou essencial para a participação plena na vida cotidiana.

Desempenho digital: ainda há muitas lacunas

O Inaf classifica os brasileiros em cinco níveis de alfabetismo: analfabeto, rudimentar, elementar, intermediário e proficiente. Já para o desempenho digital, os níveis são três: baixo, médio e alto. Para a análise, os participantes — 2.554 pessoas entre 15 e 64 anos de todas as regiões do país — precisaram realizar tarefas simples com o celular, como comprar um par de tênis a partir de um anúncio online ou preencher um formulário de inscrição em um evento.

Os resultados chamam atenção. Entre os analfabetos, 95% estão no nível baixo de alfabetismo digital, ou seja, têm muita dificuldade para executar tarefas básicas com o celular. No grupo com alfabetismo elementar, a maioria (67%) está no nível médio digital.

Ainda assim, quase um quinto (18%) encontra no ambiente digital um novo obstáculo, e não uma solução. Esse dado é preocupante, pois demonstra que muitas pessoas, mesmo alfabetizadas, ainda enfrentam dificuldades tecnológicas no dia a dia.

Mesmo entre os brasileiros considerados proficientes — ou seja, com maior domínio da leitura e escrita —, 40% não alcançaram o desempenho digital mais alto: 37% ficaram no nível médio e 3%, no baixo. Apenas 60% conseguiram executar com facilidade as tarefas propostas no celular. Isso mostra que, embora a escolarização ajude, não garante por si só a inclusão digital plena. A relação entre a educação formal e as habilidades digitais precisa ser mais explorada.

Desafios de inclusão digital e suas consequências sociais

A coordenadora do Observatório Fundação Itaú, Esmeralda Macana, alerta que essas dificuldades comprometem o acesso das pessoas a serviços essenciais. “Hoje, praticamente tudo passa pelo digital: Pix, consulta médica, programas sociais, documentos pessoais. Se uma pessoa não domina essas ferramentas, está excluída até de políticas públicas”, afirma ao Agência Brasil. A exclusão digital, portanto, vai além de uma questão de tecnologia; ela se conecta diretamente à exclusão social, dificultando o acesso a direitos fundamentais.

A pesquisa também mostrou que a juventude se destaca no desempenho digital. O grupo entre 20 e 29 anos teve o maior índice de pessoas no nível alto de alfabetismo digital (38%), seguido pelos jovens de 15 a 19 anos (31%). Isso reforça a ideia de que a familiaridade com as tecnologias desde cedo impacta positivamente o uso cotidiano. Porém, a inclusão digital de todos os grupos etários e sociais precisa ser uma prioridade.

No entanto, os especialistas alertam que apenas investir no “letramento digital” não basta. Para o coordenador da área de educação de jovens e adultos da Ação Educativa, Roberto Catelli, as desigualdades que marcam a educação tradicional acabam se repetindo no mundo digital. “Não adianta acreditar que o digital por si vai resolver tudo. As pessoas que têm menos acesso à educação também terão mais dificuldade com a tecnologia. A exclusão digital é um reflexo direto da exclusão educacional”, explica ao Agência.

A edição de 2024 do Inaf foi coordenada pela Ação Educativa e pela consultoria Conhecimento Social. A pesquisa contou com apoio de instituições como a Fundação Itaú, Fundação Roberto Marinho, Instituto Unibanco, Unicef e Unesco. Após seis anos de interrupção, o retorno do levantamento ajuda a lançar luz sobre um tema cada vez mais urgente: o acesso pleno às tecnologias como ferramenta de cidadania e inclusão social.

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Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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