O Dia das Mães, além de movimentar bilhões no varejo, também é um marco para refletir sobre a presença feminina no mundo corporativo. Hoje, mães ocupam posições de liderança, comandam empresas e são protagonistas em setores estratégicos da economia.
A presença dessas mulheres no mercado de trabalho vai muito além da representatividade: ela movimenta estruturas, redefine políticas internas e influencia a cultura empresarial.

Quanto o mercado movimenta com o Dia das Mães?
De acordo com um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), as vendas relacionadas ao Dia das Mães devem movimentar R$ 14,5 bilhões em 2025, um aumento de 4,3% em relação ao ano anterior. Trata-se da segunda data mais importante do varejo, atrás apenas do Natal.
No entanto, o impacto das mães não se limita ao consumo. Elas estão no centro da economia também como profissionais, líderes e empreendedoras.
Mães em cargos de liderança
Dados da pesquisa Panorama Mulheres 2023, da Talenses Group em parceria com o Instituto Insper, revelam que mães representam 38% das mulheres em cargos de liderança nas empresas brasileiras.
Setores como Recursos Humanos, Comunicação, Saúde, Educação e Jurídico são especialmente dominados por mulheres mães, devido, em parte, à capacidade de gestão interpessoal e tomada de decisões estratégicas com empatia.
Além disso, há uma forte presença feminina em áreas como Vendas, Marketing e Sustentabilidade, onde a habilidade de negociação e comunicação se alia ao perfil multitarefa dessas profissionais.
Setores em que as mães mais atuam e lideram
As mães ocupam posições-chave em diversos segmentos. Confira alguns dos principais:
- Recursos Humanos: são maioria em posições gerenciais e de coordenação. Trazem um olhar atento à diversidade e ao bem-estar.
- Saúde e Educação: tradicionalmente dominados por mulheres, esses setores contam com mães na linha de frente, da operação à gestão.
- Comunicação e Marketing: criatividade e capacidade de gerenciar crises com equilíbrio são características valorizadas, especialmente em cargos de diretoria.
- Empreendedorismo: muitas mães buscam autonomia por meio do próprio negócio. Segundo o Sebrae, mais de 10 milhões de brasileiras são mães empreendedoras, com foco em áreas como alimentação, beleza, vestuário infantil e serviços educacionais.
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Empresas que já entenderam o valor da maternidade
Corporativamente, empresas que investem em políticas de apoio à maternidade colhem resultados concretos. Um relatório do Boston Consulting Group (BCG) mostrou que companhias com maior diversidade de gênero na liderança têm lucros 21% superiores à média. Esse desempenho se reflete em fidelização de clientes, inovação e melhoria do clima organizacional.
Algumas práticas que vêm ganhando espaço incluem:
- Horários flexíveis
- Trabalho híbrido ou remoto
- Licença parental estendida (inclusive para pais)
- Creches no local de trabalho ou auxílio-creche
- Programas de mentoria e retorno ao trabalho após a licença-maternidade
O desafio da permanência
Apesar dos avanços, a jornada das mães no mercado ainda é marcada por obstáculos. Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) revelou que cerca de 50% das mulheres perdem o emprego até dois anos após o nascimento do primeiro filho. Isso indica um desafio estrutural para equilibrar maternidade e carreira, especialmente em empresas com pouca flexibilidade.
Outro ponto importante é a informalidade. Segundo o IBGE (PNAD Contínua 2023), mais de 40% das mulheres com filhos pequenos trabalham na informalidade, ou seja, sem carteira assinada, direitos trabalhistas ou acesso à Previdência.
O futuro é com elas
Para que mães continuem sendo protagonistas do mercado corporativo, é necessário um compromisso coletivo: das empresas, do Estado e da sociedade. Mais do que uma questão de igualdade de gênero, trata-se de inteligência econômica.
Empresas que promovem um ambiente acolhedor para mães reduzem a rotatividade, aumentam a produtividade e retêm talentos valiosos. Em um cenário global onde ESG (ambiental, social e governança) ganha força, a valorização da maternidade também se torna um ativo reputacional.


