A realidade do mercado de trabalho ainda é incompatível com tudo o que uma mulher e mãe representa para a sociedade. A capacidade de equilibrar todos os pratos e gerar resultados econômicos significativos é algo que deveria ser exaltado e reconhecido. Mas elas seguem nessa empreitada solo, se desdobrando para que seus filhos, casa e trabalho coexistam em harmonia.
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Mas, nestas linhas quero dividir com vocês outras possibilidades de mercado, destacando novas oportunidades para uma atuação mais livre, criativa e alinhada com os desafios e desejos das mulheres que também são mães.
No Brasil, um movimento ganha força e mostra novos caminhos com a era digital. As mulheres e mães já protagonizam a economia digital e fomentam a transformação nos meios de trabalho, promovendo negócios que geram lucros e que escancaram para a sociedade que mulheres, mães e negócios podem — e devem — caminhar juntos.
Segundo dados do portal Sebrae (2023), mais de 10,1 milhões de brasileiras são empreendedoras, dentre elas, uma parcela crescente é composta por mães. São mulheres que conciliam a maternidade com o desejo ou a necessidade de empreender e encontram no meio digital as ferramentas necessárias para iniciar projetos com baixo custo e muitas possibilidades.
Trabalhar com flexibilidade para ter mais tempo com os filhos, garantir renda e independência financeira são os principais fatores de decisão na hora de empreender. As mães solo, por exemplo, sem rede de apoio e sem emprego formal, precisam garantir que seus filhos tenham o cuidado e necessidades básicas como alimentação, educação e acesso à saúde enquanto elas trilham seus sonhos ou se reinventam para gerar renda.
A internet é uma grande aliada nessa transformação. A digitalização trouxe novas oportunidades para mães que antes estariam limitadas ao trabalho presencial e que, hoje, com um smartphone, ideias inovadoras e ferramentas para organizar e divulgar serviços já praticados, se posicionam efetivamente no mercado, gerando lucros e movimentando a economia.
A falta de acesso a crédito ainda é um desafio para as mulheres que querem empreender, pois apenas 6% conseguem empréstimos formais e 78% deu início ao seu projeto com recursos próprios, como mostra a publicação no portal Sebrae. Diante dessa realidade, temos, em contrapartida, o fato de que 73% dos negócios liderados por mulheres segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) destaca outras mulheres — formando uma aldeia de soluções.
Isso revela uma mudança importante: mesmo diante de barreiras financeiras, as mulheres estão encontrando maneiras de transformar ideias em renda, usando redes sociais, marketplaces e plataformas de cursos online como pontes para sua autonomia. A tecnologia surge como uma aliada poderosa, acessível e escalável — especialmente para aquelas que não contam com capital inicial, mas têm criatividade, resiliência e vontade de fazer acontecer.
O empreendedorismo digital, portanto, é mais do que uma alternativa: tem sido um instrumento de emancipação econômica e inclusão social para milhares de brasileiras. E esse movimento só tende a crescer à medida que mais mulheres descobrem o poder de gerar impacto e receita com poucos recursos, mas com muita estratégia e autenticidade.
Iniciativas como a RM CIA 360, Sebrae Delas, Grupo Mulheres do Brasil, Mães Negras do Brasil, Compre de uma Mãe Preta e Google Women Will são algumas das ferramentas disponíveis para auxiliar essas potências femininas com capacitação em gestão, finanças, vendas on-line, mentorias e networking com outras empreendedoras. Essa troca, além de promover uma rede de negócios, também propicia uma rede de apoio.
O crescimento das mães empreendedoras representa uma revolução. Elas criam negócios, soluções, comunidades e novas formas de viver e trabalhar. Apoiar esse movimento é uma missão social, econômica e digital, para que mais mães possam enxergar o empreendedorismo como uma porta de entrada para uma vida com mais autonomia e significado.


