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Chegada de chinesa Keeta promete agitar delivery no Brasil

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O mercado de delivery no Brasil, já aquecido e disputado por grandes plataformas, está prestes a ganhar um novo e robusto concorrente: a chinesa Meituan, uma das maiores empresas de tecnologia da Ásia, que anunciou a entrada no país por meio da sua subsidiária global Keeta. A novidade foi divulgada durante a viagem oficial da comitiva do governo brasileiro à China, onde a companhia confirmou um investimento expressivo de US$ 1 bilhão — o equivalente a R$ 5,6 bilhões.

A chegada da Keeta ao Brasil movimenta um setor que tem experimentado forte crescimento desde a pandemia e que, nos últimos anos, tem sido dominado por nomes como iFood, Rappi e Uber Eats. Especialistas do setor acreditam que o investimento chinês vai elevar o nível de competição e forçar as empresas já estabelecidas a aprimorarem seus serviços, preços e condições de trabalho para entregadores.

Embora o investimento inicial seja alto, o sucesso da operação da Keeta dependerá de uma série de fatores, como a adaptação ao comportamento do consumidor brasileiro, parcerias com restaurantes e comércios locais e a gestão logística em cidades com infraestrutura desigual | Foto: Reprodução/Keeta
Embora o investimento inicial seja alto, o sucesso da operação da Keeta dependerá de uma série de fatores, como a adaptação ao comportamento do consumidor brasileiro, parcerias com restaurantes e comércios locais e a gestão logística em cidades com infraestrutura desigual | Foto: Reprodução/Keeta

Expansão internacional e estratégia no Brasil

A Keeta já atua em mercados como Hong Kong e Arábia Saudita, e escolheu o Brasil como seu próximo grande passo em sua expansão internacional. Segundo o portal de carreiras da empresa, cerca de 50 vagas estão abertas para cargos que vão desde diretores e engenheiros até operadores. A estratégia da companhia inclui adaptar seu modelo de negócios ao consumidor brasileiro, oferecendo uma experiência digital eficiente e preços competitivos.

Com cerca de 770 milhões de usuários ativos apenas na China, a Meituan aposta no potencial de consumo do público brasileiro e no aumento da digitalização no país. O modelo de operação ainda não foi detalhado, mas representantes do setor afirmam que a entrada de uma gigante como a Meituan pode forçar uma reestruturação nas operações atuais dos concorrentes.

Leia também: Uber e Ifood anunciam parceria em seus serviços no Brasil

Reação do mercado e do governo com a chegada da Keeta

Apesar da expectativa, empresas brasileiras do setor de delivery ainda aguardam mais detalhes da atuação da Keeta para opinar com mais precisão. Ainda assim, consideram o aporte “significativo” e avaliam que a concorrência será positiva para o consumidor final.

De acordo com uma fonte do setor, a atuação do governo federal ao promover a atração de investimentos internacionais é vista como uma ação acertada. Mesmo com algumas divergências políticas, representantes das empresas brasileiras concordam que o Planalto está cumprindo seu papel ao abrir portas para capital estrangeiro.

O cenário otimista é reforçado por outros investimentos recentes no setor. Em abril, por exemplo, a 99 anunciou um investimento de R$ 1 bilhão em sua plataforma de serviços, que passará a incluir a 99Food, um novo braço da empresa voltado para entregas de comida.

O que muda para o consumidor e os entregadores?

Para o consumidor, a chegada da Keeta pode significar mais opções de escolha, preços mais acessíveis e melhores promoções. Já para os entregadores, especialistas apontam que a maior concorrência pode pressionar as plataformas a oferecerem melhores condições de trabalho, como remuneração mais justa, bonificações e suporte técnico.

No entanto, também é possível que o aumento da competitividade gere uma corrida por produtividade que exija maior desempenho dos entregadores, com impactos na rotina e na segurança desses trabalhadores.

Expectativas e desafios

Embora o investimento inicial seja alto, o sucesso da operação da Keeta dependerá de uma série de fatores, como a adaptação ao comportamento do consumidor brasileiro, parcerias com restaurantes e comércios locais e a gestão logística em cidades com infraestrutura desigual.

A Meituan tem a seu favor a experiência de operar em um mercado extremamente competitivo como o chinês, onde a eficiência tecnológica é determinante para a liderança. No Brasil, o desafio será conciliar essa expertise com as peculiaridades culturais e econômicas locais.

Enquanto a empresa não divulga as primeiras cidades a receberem o serviço, o mercado segue lentamente. Se a Keeta conseguir entregar inovação, preço competitivo e qualidade de serviço, poderá alterar significativamente o equilíbrio de forças do mercado de delivery no Brasil.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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