Nos últimos anos, o conceito de ESG — sigla para Environmental, Social and Governance, ou Ambiental, Social e Governança — ganhou espaço no mundo dos negócios. Mas uma dúvida ainda persiste entre investidores, empreendedores e consumidores: será que as empresas que adotam práticas sustentáveis são realmente mais lucrativas?
Estudos e levantamentos recentes indicam que sim. Companhias que integram ações ESG ao seu modelo de negócios tendem a ter melhores resultados financeiros, mais resiliência a crises e maior valorização no mercado. Além disso, atraem mais investidores, já que fundos de investimentos, bancos e consumidores estão cada vez mais atentos ao impacto ambiental e social das empresas.
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O que significa adotar práticas ESG?
Adotar práticas ESG significa que a empresa se preocupa não só com o lucro, mas também com o meio ambiente, com as pessoas e com a forma como é administrada. Por exemplo, ela pode reduzir a emissão de gases poluentes, garantir boas condições de trabalho, promover a diversidade e adotar uma governança transparente.
No Brasil, segundo uma pesquisa da consultoria KPMG divulgada em abril de 2025, aproximadamente 76% das empresas já adotam práticas sustentáveis. Dessas, 52% possuem uma estrutura organizada para implementar ações ESG, enquanto 24% são líderes em sustentabilidade em seus setores. Ou seja, o movimento ESG deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade.
Empresas ESG são mais lucrativas?
Os dados mostram que empresas com boas práticas ambientais, sociais e de governança são mais lucrativas no médio e longo prazo. De acordo com um estudo da consultoria McKinsey, empresas com políticas inclusivas e sustentáveis apresentam 25% mais chances de obter rentabilidade acima da média.
Outro levantamento, feito pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), aponta que 70% das micro e pequenas empresas (MPEs) que adotam práticas ESG conseguem melhorar seus resultados financeiros. Isso ocorre porque a sustentabilidade gera economia (por exemplo, com redução no consumo de energia) e fortalece a imagem da marca, aumentando a fidelização de clientes.
No Brasil, o investimento em ESG também ajuda a acessar novas fontes de financiamento. Muitas instituições financeiras oferecem linhas de crédito com juros mais baixos para empresas comprometidas com práticas sustentáveis. Isso significa que, além de ser bom para o meio ambiente e para a sociedade, investir em ESG melhora a saúde financeira das empresas.
Exemplos concretos de empresas que lucram com ESG
Um bom exemplo é o da Vulcabras, indústria brasileira do setor de calçados esportivos. A empresa assinou um contrato de R$ 150 milhões para o fornecimento de energia eólica, o que além de gerar economia, evita o lançamento de cerca de 15 mil toneladas de CO₂ na atmosfera. Esta prática não só reduz o impacto ambiental, como também melhora a eficiência energética da empresa e sua imagem perante consumidores e investidores.
Outro caso emblemático é o da Itaúsa, holding que controla empresas como Itaú Unibanco e Duratex. A empresa figura em índices importantes como o Dow Jones Sustainability Index World e o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3. Esses índices listam empresas que se destacam mundialmente pela adoção de práticas sustentáveis e de boa governança, o que atrai investidores que buscam ativos responsáveis e rentáveis.
A relação entre ESG e investidores
Cada vez mais, investidores preferem colocar seu dinheiro em empresas que demonstram responsabilidade ambiental e social. Isso se deve a dois fatores principais: o risco e a reputação.
Empresas que ignoram questões ambientais e sociais estão mais expostas a riscos, como processos judiciais, boicotes de consumidores ou sanções regulatórias. Além disso, crises ambientais ou escândalos de governança podem derrubar o valor de mercado de uma empresa da noite para o dia.
Por outro lado, companhias que investem em ESG conseguem se proteger desses riscos e, muitas vezes, capitalizam oportunidades de negócio que surgem com a transição para uma economia mais verde e inclusiva.
Segundo dados da Bloomberg, até o final de 2025, o volume de ativos financeiros alocados em fundos ESG deve ultrapassar os US$ 53 trilhões, cerca de R$ 280 trilhões na cotação atual, representando mais de um terço de todos os ativos financeiros sob gestão no mundo.
A regulamentação e o futuro do ESG no Brasil
Em 2023, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) implementou a Norma 193, que determina novas regras para a divulgação de informações relacionadas à sustentabilidade e aos riscos climáticos. Isso ajuda a trazer mais transparência e confiança para investidores que procuram empresas comprometidas com boas práticas ESG.
Com essas regulamentações, espera-se que mais empresas passem a adotar práticas sustentáveis de forma estruturada. Além disso, consumidores estão cada vez mais exigentes e tendem a escolher produtos e serviços de empresas que respeitam o meio ambiente e os direitos humanos.
Conclusão: ESG é bom para o planeta e para os negócios
Investir em ESG não é mais uma questão apenas de responsabilidade social, mas de sobrevivência e competitividade no mercado atual. Empresas que apostam em sustentabilidade, inclusão e governança sólida colhem frutos não só em reputação, mas também em lucros e valorização.
Em um cenário global onde consumidores e investidores estão mais atentos ao impacto das empresas, quem adota práticas ESG se destaca e garante espaço no futuro.


