No início de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez algumas viagens. Ele foi à Rússia, à China e compareceu ao sepultamento do ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica — pode-se dizer um giro internacional.

Ele realizou exames de imagem e de sangue no hospital, todos dentro da normalidade, segundo informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência. Mas continua de repouso pelo segundo dia consecutivo.
Vale lembrar que, em outubro do ano passado, Lula, que tem 79 anos, sofreu uma queda em um banheiro do Palácio da Alvorada. Ele teve um corte na nuca e precisou levar pontos na parte posterior da cabeça.
No início de dezembro, o presidente teve de passar por cirurgia de emergência para drenar o hematoma — também foram necessários dois procedimentos complementares. Não há confirmação se o mal-estar desta segunda-feira tem relação com a queda de outubro, mas pode ser que sim, disse a otorrinolaringologista Dra. Regina Brum, com quem conversei. A médica reafirma que é necessária uma profunda investigação.
Tontura ou labirintite?
Quem nunca sentiu tontura em algum momento da vida? Segundo levantamento da Universidade de São Paulo com base em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 30% da população mundial tem ou já teve esse sintoma.
Prestou atenção? Sintoma. Tontura não é doença. Nem todo mundo sente igual, mas temos a sensação de desmaio, desequilíbrio, cabeça pesada, achamos que estamos levitando.
Ao contrário do que se pensa, tontura e labirintite são termos distintos, que não estão diretamente associados, dizem os especialistas. A tontura pode estar atrelada a disfunções metabólicas e a erros alimentares, enquanto a labirintite é caracterizada pela inflamação do labirinto — uma parte delicada do ouvido interno responsável pelo equilíbrio e pela audição. Quando o labirinto está inflamado, ele envia sinais alternados ao cérebro que podem provocar tontura, náuseas e outras sensações desagradáveis.
O diagnóstico da labirintite é feito por um médico otorrinolaringologista após uma avaliação clínica detalhada, que pode incluir exames específicos como audiometria, videonistagmografia (VNG) e exames de imagem, como ressonância magnética do cérebro e do ouvido interno.
Labirintite é uma das labirintopatias
Labirintopatia é um grupo de doenças que afetam o labirinto — a parte interna do ouvido responsável pelo equilíbrio e pela audição. Pesquisei algumas: Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB, causada por desprendimento de otólitos — cristais — no labirinto, que levam a tonturas ao mudar de posição).
Doença de Menière (caracterizada por pressão aumentada no líquido do labirinto, causando tonturas, zumbidos e perda auditiva), Neurite Vestibular (inflamação do nervo vestibular, que pode causar vertigem intensa e náuseas), Migrânea Vestibular (forma de enxaqueca que afeta o sistema vestibular, causando tonturas, vertigens e outros sintomas).
Labirintite (inflamação ou infecção do labirinto, que pode causar tonturas e vertigens), Perda Auditiva Súbita (perda de audição repentina, que pode estar relacionada a problemas no labirinto, como infecções ou traumas) e Labirintopatia Vascular (causada por problemas de circulação no labirinto, como pressão alta ou baixa, levando a tonturas e perda auditiva).
Prevenção da labirintite
Os especialistas dizem que nem sempre é possível prevenir a labirintite, porque a doença pode ter várias causas. Mas não custa nada uma ajudinha — ficar esperto com algumas medidas que podem ser tomadas para reduzir o risco, como evitar infecções virais e bacterianas. E sabe como? Levando a sério a boa higiene pessoal. Isso mesmo: lavar as mãos regularmente, evitar o uso exagerado de fones de ouvido em volumes altos e proteger os ouvidos de ruídos excessivos.
Todo cuidado é pouco
O brasileiro tem mania de se autodiagnosticar, automedicar. Tudo bem, às vezes o acesso a uma consulta médica é difícil, mas não podemos simplesmente achar que os sintomas do outro são iguais aos nossos. Precisamos observar, marcar uma visita ao especialista, ouvir o diagnóstico preciso da boca do médico, levar a sério o tratamento e controlar os fatores de risco.


