O que é possível comprar hoje com menos de um real? Responda rápido. Não veio nada à cabeça? É porque a resposta é difícil. Que tal balas, docinhos? Mas isso pode não ser bom para a saúde, principalmente para quem já descobriu ser diabético. Também pode causar danos aos dentes.
Agora imagine fazer uma consulta médica por menos de um real? Também fiquei incrédula ao receber a notícia, até ter uma longa conversa com Manoel Soares, um dos mentores do Tá na Mão Saúde, um serviço de Telemedicina direcionado à população mais carente.
A ideia nasceu da própria experiência que viveu quando criança, morando na periferia. Vocês lembram do Manoel, né? O jornalista negro que ascendeu na TV Globo e, mesmo assim, teve seu contrato rescindido, segundo a mídia, por desentendimentos com a apresentadora Patrícia Poeta. Mas isso é passado.

Do conforto do sofá de casa, o cliente liga do celular e, por R$ 29,90 por mês (menos de R$1 por dia) tem acesso a consultas livres com Clínico Geral e Pediatra e mais duas com especialistas, com direito a retorno. A receita, se necessária, chega por SMS.
No país do jeitinho brasileiro, toda essa facilidade pode provocar uma certa desconfiança — nada que a informação passada de forma verdadeira não possa tornar crível a oferta. É com essa estratégia que a equipe aborda seu público, que tem respondido de maneira satisfatória na avaliação de quem estruturou o serviço.
A Telemedicina é viável?
Com a palavra, uma das maiores instituições educacionais do Brasil. Dados da Universidade de São Paulo (USP) apontam que a telemedicina foi a especialidade médica que mais cresceu nos últimos 20 anos, mudando a relação entre profissionais da saúde e os pacientes.
As maiores nações do planeta abriram as portas para a Telemedicina. Países como Canadá, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França, Japão, Coreia, Singapura estão de vento em popa. Já no continente africano, muitos nunca ouviram falar do serviço — e, pasmem, a Groenlândia depende totalmente da Telemedicina.

O SUS foi pioneiro na utilização da chamada Telessaúde, com a criação do Programa Telessaúde Brasil Redes, dentro do SUS Digital. Apesar de muitas discordâncias, a Telemedicina foi regulamentada como um serviço médico que utiliza tecnologias de comunicação.
Dar acessibilidade a um maior número de pessoas às ações e serviços de saúde, reduzindo as desigualdades, são argumentos usados para ultrapassar a linha do desconhecido. Todos sabem que a Telemedicina não substitui o atendimento presencial, mas amplia o acesso daqueles que enfrentam dificuldades para chegar a um posto médico ou a um hospital.
Não se trata da descoberta da pólvora ou da roda
Não estamos falando de ineditismo ou coisa parecida — podemos até pensar numa revolução. O Tá na Mão Saúde não surge como uma solução, mas como uma alternativa para resolver situações de baixa complexidade, reafirma o embaixador do produto Manoel Soares.
Não é uma feira no auge da xepa, e ele não é Silvio Santos buscando popularidade. Se você nunca pegou uma fila para uma consulta ou encontrou o posto médico fechado por falta de funcionários, não sabe do que estou falando. Se prefere o olho no olho, fique à vontade para contratar um plano de saúde — e aí sim pagar os olhos da cara e nem sempre ficar feliz com o atendimento. Pronto, falei!


