O Brasil é hoje o segundo país do mundo com o maior número de jatos executivos em operação. É o que revela um estudo recente da Airbus Corporate Jets (ACJ), divisão da fabricante europeia especializada em aviões corporativos. De acordo com os dados apresentados, o país possui uma frota de 1.103 aeronaves desse tipo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que lideram com 15.492 jatos em uso.
Os jatos executivos — também chamados de “business jets” — são aviões de pequeno a médio porte, utilizados principalmente por empresas, empresários, figuras públicas e autoridades. Ao contrário dos aviões comerciais, que seguem horários e rotas fixas, essas aeronaves oferecem maior flexibilidade, permitindo voos diretos, em horários personalizados e até para aeroportos de menor porte.

Ainda segundo o estudo, a América Latina e o Caribe possuem juntos uma frota de 2.975 jatos executivos, o que representa cerca de 12% do total mundial. Isso significa que o Brasil concentra mais de um terço de toda a aviação executiva da região. O México aparece na sequência, com 1.030 jatos, ocupando a terceira posição no ranking global.
Um ponto importante levantado pela pesquisa é a idade média das aeronaves em operação. Enquanto a média global é de 18,1 anos, na América Latina e Caribe essa média é de 24,5 anos, o que indica uma frota relativamente envelhecida. Esse dado reforça a necessidade de modernização e também representa uma oportunidade de crescimento para fabricantes, que veem na região um mercado promissor para a venda de novos modelos.
Chadi Saade, presidente da Airbus Corporate Jets, destacou a importância da aviação executiva para a América Latina, afirmando que ela é um instrumento fundamental para o crescimento econômico e para a conectividade entre diferentes regiões. Segundo ele, o Brasil é estratégico para os planos da empresa, e os dados do estudo apenas reforçam essa visão. A frota significativa, combinada com a demanda crescente e o potencial de renovação, posiciona o país como uma peça-chave no futuro da aviação corporativa.
Modelo de jato com combustível sustentável
Dentro desse contexto, a Airbus tem apostado em novos modelos para atender à demanda por aeronaves mais modernas, eficientes e sustentáveis. Um exemplo é o ACJ TwoTwenty, também chamado de ACJ 220, apresentado pela primeira vez no Brasil durante o Catarina Aviation Show, realizado entre os dias 5 e 7 de junho de 2025, em São Roque (SP). A aeronave, baseada no modelo comercial Airbus A220-100, foi adaptada para o mercado executivo e se destaca pelo conforto, economia e alcance.
O ACJ TwoTwenty oferece uma cabine interna de 73 metros quadrados, que pode ser dividida em até seis ambientes diferentes, como sala de estar, área de refeições, suíte, escritório e mais. Além do espaço, o modelo tem autonomia para voar até 10.465 quilômetros sem paradas, o que permite ligações diretas entre São Paulo e cidades como Londres, Nova York ou Lisboa. Outro destaque é o custo operacional: segundo a Airbus, o jato consome cerca de 30% menos por hora de voo em comparação com outras aeronaves da mesma categoria.
Além da eficiência, a sustentabilidade é uma prioridade do novo modelo. O ACJ TwoTwenty pode operar com até 50% de SAF — sigla em inglês para “Sustainable Aviation Fuel”, ou combustível sustentável de aviação. O SAF é produzido a partir de fontes renováveis, como resíduos orgânicos, e emite menos gases do efeito estufa que o querosene tradicional, chamado de Jet A. A meta é que, até 2030, todas as suas aeronaves estejam aptas a operar com 100% de SAF, contribuindo para a redução das emissões de carbono no setor.
O estudo da Airbus não apenas destaca o tamanho da frota brasileira, mas também aponta para o futuro da aviação privada: mais conectividade, mais tecnologia e maior responsabilidade ambiental. E, nesse cenário, o Brasil já está entre os protagonistas.