Sempre que vejo uma sigla, tenho medo da tradução — acho que é trauma de infância. Na verdade, nunca gostei da sopa de letrinhas, preferia as conchinhas.
Hoje vamos conceituar UV: o significado é ultravioleta. O que isso quer dizer? O sol emite radiação UV — e daí? Existem três tipos de radiação UV: a UVA, que transita livremente pela atmosfera; a UVB, cuja parte é liberada para a atmosfera terrestre e o restante absorvido pela camada de ozônio; e, por fim, a UVC, que não atinge a superfície da Terra porque é bloqueada pelo ozônio.

Por que estou trazendo essa sopa de letrinhas? Porque o último levantamento feito pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc, na sigla em inglês), que faz parte da Organização Mundial da Saúde, traz números alarmantes.
Dos quase 332 mil casos de melanoma cutâneo (um dos tumores de pele mais graves) registrados no mundo em 2022, cerca de 267 mil foram causados por raios UV, segundo o estudo publicado na revista International Journal of Cancer (IJC). Isso resultou na morte de 58.700 pessoas. A incidência foi maior entre os homens (86%) e, em seguida, entre as mulheres (79%).
Em novembro, o Brasil vai sediar a COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), e eu já estou me antecipando porque o mundo tem falado muito sobre o aquecimento global.
Fui buscar a opinião de quem entende do riscado. Conversei com o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, Dr. Francisco Le Voci, que demonstrou preocupação com os fatores de risco ambientais, individuais e síndromes genéticas que existem. Segundo ele, “a exposição solar é o principal fator ambiental para o desenvolvimento do melanoma, seja uma exposição intermitente e intensa ou crônica — ambas estão envolvidas em sua patogênese.”
Esta não é uma doença rara — e mata
O melanoma cutâneo é um tumor maligno desencadeado pela transformação do melanócito (células especializadas que produzem o pigmento melanina), localizado ao nível da junção dermoepidérmica (região onde a derme e a epiderme se encontram). Ele representa 4% dos tumores cutâneos malignos e é um dos cânceres de pele com maior taxa de morbidade e mortalidade, segundo o especialista.
Mais um dado chama atenção: a incidência do melanoma cutâneo está crescendo entre a população de pele mais clara. Segundo o estudo, as regiões com as taxas mais altas deste câncer relacionado aos raios UV (mais de 95%) foram: Austrália/Nova Zelândia, norte da Europa e América do Norte, com prevalência alta entre os adultos jovens.
Ainda de acordo com a agência da OMS, as projeções não são nada animadoras: estima-se o surgimento de mais de 510 mil novos casos e 96 mil mortes até 2040, o que representa um aumento de 50% e 68%, respectivamente.
Nada de tapar o sol com a peneira
Precisamos estar atentos e fazer a nossa parte sempre. Nesse caso, ouvir os conselhos de quem entende é essencial. A Sociedade Brasileira de Dermatologia e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica são unânimes no alerta: cuidado com a exposição excessiva aos raios solares sem proteção adequada. A receita é antiga, mas continua atual.
Use filtro ou bloqueador solar sempre. É caro? Sim — o preço pode chegar a R$ 150, e nem todo mundo dispõe desse valor. Tente adquirir uma camiseta com proteção UV, que pode ser mais em conta, mas não deixe de se proteger, até mesmo quem tem pele negra.
E mais: percebeu uma lesão na pele que demora a cicatrizar, aumenta de tamanho ou sangra? Corra para o médico, porque quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de cura. Nada de tapar o sol com a peneira!
Ah! E uma lembrança: 13 de junho é o Dia Global de Conscientização sobre o Câncer de Pele (não melanoma) — o tipo de câncer mais comum.


