Em meio a crescentes instabilidades geopolíticas e econômicas, saber quais são os destinos mais seguros do mundo tornou-se uma informação valiosa tanto para turistas quanto para investidores. O Índice Global da Paz de 2025, publicado pelo Institute for Economics and Peace (IEP), revelou que Islândia, Irlanda, Nova Zelândia, Áustria e Suíça lideram o ranking dos países mais pacíficos do planeta, entre os 163 analisados.
Segundo o estudo, esses países se destacam por apresentarem baixo índice de criminalidade, instituições sólidas, pouca corrupção e infraestrutura eficiente — fatores considerados fundamentais para a construção de sociedades pacíficas.

Islândia lidera pelo 15º ano consecutivo
A Islândia permanece no topo do ranking desde a criação do índice em 2007. A combinação de segurança pública exemplar, baixa desigualdade social e forte participação cidadã tornam o país um modelo de estabilidade. Além disso, seu sistema político transparente e os baixos níveis de militarização contribuem para que o país continue sendo referência global em paz.
Os demais países do top 5
- Irlanda, que ocupa o segundo lugar, destacou-se por sua neutralidade em conflitos e pela confiança nas instituições.
- Nova Zelândia, em terceiro, segue como um dos países com melhor qualidade de vida e políticas públicas voltadas ao bem-estar social.
- Áustria e Suíça, quarto e quinto colocados, respectivamente, reforçam a tendência de destaque de nações europeias com políticas de neutralidade, estabilidade econômica e serviços públicos de excelência.
E o Brasil?
Embora ainda distante dos primeiros colocados, o Brasil subiu uma posição em 2025, figurando agora no 130º lugar entre os 163 países avaliados. A melhora, ainda que modesta, representa um sinal de progresso na segurança interna, mesmo diante dos desafios estruturais como violência urbana, desigualdade e polarização política.
Segundo o relatório, os Estados Unidos estão em 128º lugar, logo acima do Brasil, e atrás de países como Moçambique, África do Sul e Quênia. Já o Reino Unido aparece na 30ª posição, duas acima de 2024.
Paz é também economia
Em 2023, o fundador do IEP, Steve Killelea, ressaltou que a paz não é apenas um valor moral ou social, mas também um fator diretamente ligado ao desempenho econômico de uma nação. Segundo ele, “a paz traz benefícios econômicos substanciais, além de melhorar a saúde e o bem-estar dos cidadãos”.
O raciocínio é simples: em locais onde há segurança e estabilidade, há também mais espaço para inovação, turismo, negócios e investimentos. Isso se reflete no PIB e na geração de empregos. Não à toa, os países mais pacíficos também figuram entre os mais ricos e desenvolvidos do mundo.
Conflitos em alta: um cenário preocupante
Apesar dos avanços em algumas regiões, o mundo, em geral, segue menos pacífico. Em 2025, o número de conflitos baseados em Estados ativos chegou a 59, o maior desde a Segunda Guerra Mundial, segundo o IEP.
Além disso, 78 países estão envolvidos em conflitos fora de suas fronteiras, demonstrando que os conflitos atuais estão cada vez mais internacionalizados. A Rússia ocupa agora a última colocação no ranking, sendo considerada o país menos pacífico do mundo, seguida por Ucrânia, Sudão, República Democrática do Congo e Iêmen.
A Europa Ocidental, embora ainda abrigue oito dos dez países mais pacíficos, vem observando uma queda contínua em seus níveis de paz desde 2021. Já o Oriente Médio e Norte da África continuam sendo as regiões mais violentas do mundo.
Impacto para turistas e investidores
Para quem busca viajar ou investir com segurança, o índice é uma ferramenta poderosa. Países como Islândia, Suíça e Nova Zelândia, além de figurarem entre os mais pacíficos, também aparecem com frequência nas listas de melhores lugares para se viver e visitar.
Além disso, o índice sinaliza que a paz deve ser considerada uma estratégia de longo prazo, com impacto direto no bem-estar da população e no crescimento sustentável das economias.
Como afirma Killelea: “Se as pessoas estão preocupadas em lutar ou temendo pela própria vida, não conseguem criar arte, construir casas, administrar negócios ou receber famílias visitantes.”
O Índice Global da Paz 2025 mostra que, embora alguns países apresentem avanços notáveis em segurança e qualidade de vida, o mundo como um todo enfrenta desafios complexos. A “Grande Fragmentação”, como batizou Killelea, representa uma era de incertezas que exige maior cooperação internacional e compromisso com soluções pacíficas.
*Entrevistas concedidas a Forbes


