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Mercado financeiro com afeto? Conheça a I.A.R.A, o 1º índice de autonomia, renda e autocuidado para mulheres

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Entre dados, afeto e tecnologia, nasceu a I.A.R.A., o primeiro índice de saúde financeira do Brasil voltado exclusivamente para mulheres. Criada por Arana Guimarães, especialista em dados, e Xan Ravelli, comunicadora e empresária, a ferramenta vem ganhando força como um movimento de transformação social com foco em educação, autonomia e inclusão.

A inspiração veio do ISF, o Índice de Saúde Financeira criado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que tem código aberto e foi adaptado pela dupla para atender as especificidades da realidade feminina brasileira. “Quando o Sérgio (criador do ISF) me disse que ninguém usava, senti um chamado. Conversei com a Xan e no mesmo dia ela topou: ‘vamos fazer’. Assim nasceu a I.A.R.A.”, relembra Arana.

Para Xan e Arana, a I.A.R.A. é mais do que uma tecnologia. É um movimento de revolução de autonomia às mulheres | Foto: Xan Ravelli
Para Xan e Arana, a I.A.R.A. é mais do que uma tecnologia. É um movimento de revolução de autonomia às mulheres | Foto: Xan Ravelli

Uma resposta à realidade das brasileiras

A urgência da ferramenta se justifica com dados. Segundo levantamento da Serasa Experian, 56,6% das mulheres brasileiras estavam inadimplentes em 2024, o que representa mais de 40 milhões de consumidoras com dívidas vencidas. Outro dado alarmante do mesmo estudo mostra que 75% das mulheres entrevistadas sentem ansiedade ou estresse relacionados às finanças, e que 39% delas não sabem quanto gastam por mês.

Ainda de acordo com o relatório do Instituto Locomotiva (2023), mulheres representam a maioria dos lares chefiados no Brasil (52%), mas ganham 22% menos que os homens (dados do IBGE). E mesmo em cargos de liderança, a defasagem salarial persiste: uma mulher negra chega a ganhar 60% menos do que um homem branco na mesma posição.

O dado mais simbólico, no entanto, é o da dupla ou tripla jornada. Segundo a Pnad Contínua, mulheres dedicam em média 21,3 horas semanais a tarefas domésticas e cuidados com a família — o dobro do tempo dedicado pelos homens. Isso significa menos tempo para o autocuidado, educação continuada e planejamento financeiro.

Uma tecnologia sensível ao cotidiano real

A I.A.R.A. nasce de uma compreensão essencial: não se pode cobrar planilhas, metas ou investimentos de uma mulher que está exausta, sobrecarregada ou emocionalmente fragilizada. Por muito tempo, as mulheres foram afastadas das conversas sobre dinheiro, como se finanças não fossem para elas, como se controle financeiro exigisse uma racionalidade que lhes foi historicamente negada.

É justamente nesse vácuo que a I.A.R.A. se insere: como uma ponte entre o desejo de mudança e o acesso à informação. Com uma abordagem acessível e empática, a ferramenta oferece um índice personalizado que considera aspectos fundamentais da realidade feminina: saúde mental, corpo, território, segurança e acesso. A partir desse diagnóstico, a plataforma entrega conteúdos sob medida e planos de ação individualizados, respeitando o ritmo, a história e as necessidades de cada mulher.

“O índice mostra onde você está, de forma clara, empática e técnica. É como um velocímetro. A partir dali, conseguimos planejar os próximos passos, sempre respeitando a história e a realidade de cada mulher”, explica Xan.

Leia também: Apenas 17% das empresas têm mulheres na liderança, revela pesquisa

A interface do aplicativo muda conforme o uso e os dados fornecidos pelas usuárias. Os gráficos, medidores e elementos visuais foram desenhados para estimular o pensamento estratégico de forma intuitiva. “Queremos trazer os números de forma orgânica, não assustadora. Estratégia também é coisa de mulher”, reforça Arana.

I.A.R.A. como movimento social e ferramenta ESG

A I.A.R.A. surge na contramão das abordagens tradicionais do mercado financeiro. Em vez de fórmulas prontas e metas genéricas, ela propõe uma revolução silenciosa, porém profunda | Foto: Reprodução/Canva
A I.A.R.A. surge na contramão das abordagens tradicionais do mercado financeiro. Em vez de fórmulas prontas e metas genéricas, ela propõe uma revolução silenciosa, porém profunda | Foto: Reprodução/Canva

Além da atuação individual, a I.A.R.A. se posiciona como uma ferramenta que pode ser aplicada por empresas e instituições, integrando ações de ESG (ambiental, social e governança). Por meio da tecnologia de dados, é possível mapear a saúde financeira de coletivos, criar indicadores de impacto social e propor soluções com base em inteligência.

“Não usamos dados para extração, mas para transformação. A I.A.R.A. pode ser adotada por empresas que queiram cuidar da saúde financeira das suas colaboradoras com inteligência e sensibilidade”, explica Arana.

Na fase inicial do projeto, as fundadoras abriram um formulário com a expectativa de reunir 50 mulheres interessadas em participar da primeira jornada da I.A.R.A. O resultado superou todas as projeções: mais de 200 inscrições foram recebidas, revelando a urgência e o interesse real por uma ferramenta que fale com e para mulheres.

A I.A.R.A. surge na contramão das abordagens tradicionais do mercado financeiro. Em vez de fórmulas prontas e metas genéricas, ela propõe uma revolução silenciosa, porém profunda: oferecer um caminho acessível, afetivo e estratégico, capaz de acolher e empoderar mulheres para que entendam sua própria relação com o dinheiro e avancem a partir da sua realidade, não de uma régua imposta de fora.

Sentir e pensar: a revolução começa por dentro

Para Xan e Arana, a I.A.R.A. é mais do que uma tecnologia. É um movimento de revolução de autonomia às mulheres. “Por muito tempo, disseram que mulher sente, mas não pensa. A gente sente, pensa e age com estratégia. A I.A.R.A. mostra isso”, afirma Xan.

A dupla reforça que a ferramenta pode transformar não só vidas individuais, mas toda uma lógica cultural sobre dinheiro e gênero. “A revolução é possível quando entendemos o dinheiro como aliado da nossa liberdade. A I.A.R.A. é o começo dessa virada”, concluem.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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