Os hábitos reprodutivos das brasileiras vêm mudando significativamente nas últimas décadas. O Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que as mulheres estão tendo menos crianças e, cada vez mais, adiando a maternidade. Segundo os dados, a taxa de fecundidade total — média de filhos por mulher em idade reprodutiva (15 a 49 anos) — atingiu o menor nível já registrado: 1,55 filhos por mulher. Isso representa uma queda contínua desde os anos 1960, quando a média era de 6,28 crianças por mulher.
Essa tendência de queda já havia se consolidado em 2010, quando o país atingiu uma taxa de 1,90 filhos por mulher, ficando abaixo do nível de reposição populacional, estimado em 2,1 crianças por mulher. Essa taxa é considerada necessária para manter a população estável. A mudança tem profundas implicações sociais, econômicas e demográficas, como o envelhecimento populacional e transformações na pirâmide etária do país.

Conforme a pesquisa do IBGE, a transição da fecundidade teve início nas regiões mais desenvolvidas do país, como o Sudeste, especialmente entre as mulheres com maior nível de escolaridade e que viviam em áreas urbanas. Ao longo das décadas seguintes, essa mudança se espalhou para todo o território nacional.


