A busca por combustíveis alternativos aos fósseis tem crescido no mundo. Isso acontece por causa da necessidade de reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO₂).
Entre suas principais vantagens estão a falta de emissão de CO₂ durante a queima. Também é fácil de armazenar e transportar. Além disso, já é produzida em grande quantidade pela indústria química mundial.
Tipicamente empregada na produção de fertilizantes e produtos de limpeza, a amônia agora ganha espaço como vetor energético. Entre suas principais vantagens estão a falta de emissão de CO₂ durante a queima. Também é fácil de armazenar e transportar. Além disso, já é produzida em grande quantidade pela indústria química mundial.
Esses fatores tornam o motor movido a amônia uma tecnologia viável e estratégica na transição energética.

A amônia é formada por nitrogênio (N) e hidrogênio (H) — dois elementos abundantes na natureza. Entre suas principais vantagens estão a falta de emissão de CO₂ durante a queima. Também é fácil de armazenar e transportar. Além disso, já é produzida em grande quantidade pela indústria química mundial.
Por ser uma substância familiar à maioria das pessoas, sua aceitação como combustível alternativo pode ser facilitada. Essa conexão cotidiana ajuda a reforçar o potencial da amônia como combustível limpo e acessível.
Avanços científicos
Em 2024, pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da China fizeram um grande avanço. Eles trabalharam para usar o composto como combustível. A equipe de Zeng Jie, Yao Tao, Wang Zhandong e Li Hongliang criou um conceito de motor mediado por metano, que supera limitações técnicas que, até então, impediam a aplicação direta da amônia.
Os motores que usam o composto enfrentam problemas. Eles têm baixa velocidade de propagação da chama. Também têm alta temperatura de ignição e um limite estreito de combustão.
Além disso, emitem óxidos de nitrogênio (NOₓ). Esses gases geram poluição durante a queima.
A nova abordagem usa o metano como mediador da combustão e combina esse processo com o tratamento in situ dos gases de escape. Isso permite uma queima indireta da amônia, reduzindo as emissões de poluentes e mantendo o carbono próximo de zero.
Outro ponto interessante é a chance de adaptar motores comuns que usam metano para esse sistema. Isso pode facilitar a conversão futura de motores a gasolina e diesel.
Nesse cenário, o composto pode ser usado para criar combustíveis líquidos sintéticos. Isso inclui gasolina ou diesel. Isso acontece por meio de reações de hidrogenação do CO₂. Assim, também ajuda na reutilização do carbono.
Indústria automotiva começa a aderir
Na sequência desses avanços, a Guangzhou Automotive Group (GAC) apresentou um motor de 2 litros em junho. Esse motor é movido a amônia e tem 120 kW de potência, que equivale a cerca de 161 cavalos. Ele é destinado a carros de passeio.
A GAC é reconhecida por sua marca de carros elétricos, a Aion, terceira colocada em vendas no mercado chinês, atrás apenas da BYD e Tesla. Com o novo motor, a empresa sinaliza o interesse crescente da indústria em diversificar suas apostas tecnológicas para a mobilidade de baixo carbono.
Desafios a serem superados
Apesar de seu potencial, a amônia como combustível ainda enfrenta desafios importantes. A segurança no manuseio e armazenamento é um dos principais entraves: vazamentos podem representar riscos graves à saúde humana. Por isso, a confiança dos sistemas de contenção será fundamental.
A infraestrutura para abastecimento é outro gargalo. Hoje, não há postos prontos para fornecer o combustível para veículos leves ou pesados. Isso exigiria uma nova cadeia logística, como aconteceu com os carros elétricos.
Outro ponto crítico está na origem da amônia usada atualmente, que é principalmente obtida a partir do gás natural, que é um combustível fóssil. Para que o uso do composto seja sustentável, precisamos investir em produção com energia renovável. Isso vai gerar a amônia verde, que é feita com eletricidade do sol e do vento.
Uma alternativa complementar
Enquanto os carros elétricos e o hidrogênio verde continuam em desenvolvimento, o composto surge como uma alternativa complementar e estratégica. Seu uso não elimina outras opções, mas amplia o leque de soluções para uma transição energética mais rápida e diversificada.
A combinação de avanços científicos, interesse da indústria automotiva e viabilidade técnica mostra que a amônia pode ser usada. Ela pode ter um papel importante na mobilidade sustentável do futuro. Superados os desafios técnicos e logísticos, ela pode ajudar a construir um modelo de transporte menos poluente e mais resiliente.


