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Crime organizado se infiltra na economia formal e pressiona investidores

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Investidores e empresários do centro financeiro de São Paulo, especialmente na região da Avenida Faria Lima, agora calculam o chamado “risco PCC” como fator relevante ao avaliar negócios no país. O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), facções do crime organizado, estariam penetrando em setores formais da economia, como transporte, combustíveis, fintechs, imóveis e serviços urbanos — e operando por meio de empresas jurídicas reais para lavar dinheiro e ampliar sua influência.

O procurador‑geral da República, Paulo Gonet, advertiu que essa infiltração representa uma “economia paralela” que não pode ser tolerada. Tais práticas colocam grande parte dos investimentos em risco e comprometem a confiança no ambiente de negócios.

O PCC amplia sua atuação para muito além do tráfico de drogas, chegando a se infiltrar em empresas públicas e privadas, com isso o interesse pelas ações da facção criminosa paulista entre investidores estrangeiros tem crescido | Foto: Reprodução/Canva

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O PCC amplia sua atuação para muito além do tráfico de drogas, chegando a se infiltrar em empresas públicas e privadas, com isso o interesse pelas ações da facção criminosa paulista entre investidores estrangeiros tem crescido | Foto: Reprodução/Canva

Estimativas de movimentação financeira e setores afetados

Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que em 2022 facções como o PCC e o CV movimentaram R$ 146,8 bilhões com atividades como combustíveis, bebidas alcoólicas, ouro e cigarro, valor quase dez vezes maior que os R$ 15 bilhões estimados com tráfico de cocaína no mesmo período. Em paralelo, crimes cibernéticos e roubo de celulares tiveram movimentação ainda maior: R$ 186 bilhões.

O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco‑SP, listou 13 setores da economia formal em que o crime organizado atua, incluindo postos de gasolina, agências de automóveis, mercado imobiliário, bancos digitais, fintechs, FIPs (Fundos de Investimento em Participações), criptomoedas, transporte coletivo, serviços de saúde, limpeza urbana, coleta de lixo, mineração, igrejas, apostas e futebol.

Casos investigados e modus operandi de infiltração

A Operação Fim da Linha, que apurou o controle de empresas de ônibus em São Paulo ligadas ao PCC, mostrou que a facção venceu licitações por meio de estruturas jurídicas e advogados especializados, usando perfis operacionais para garantir contratos. Em outro exemplo, fintechs como 2GO Bank e InvBank movimentaram cerca de R$ 6 bilhões para lavagem de dinheiro da facção, conforme investigação do Gaeco e da PF.

Segundo relatório do jornal Folha de S.Paulo, facções passaram a operar com empresas reais — muitas vezes de boa qualidade — mesclando lucros legais com recursos ilícitos, o que dificulta a distinção entre o que é legal e ilegal na economia formal.

Impactos econômicos do envolvimento do crime organizado em grandes empresas e riscos para investidores

O avanço do crime organizado na economia formal gera concorrência desleal, pois empresas com recursos ilícitos oferecem serviços mais baratos e com vantagens competitivas injustas. Um estudo da Fiesp e da CNI estimou que em 2022 o crime organizado causou prejuízos de R$ 453,5 bilhões por meio de sonegação de impostos, fraudes fiscais, contrabando, pirataria e roubo de serviços públicos.

No mercado financeiro, gestores de fundos nacionais e estrangeiros passaram a incluir o risco de vínculos com facções criminosas como critério decisivo para aportes.

Desafios regulatórios e resposta institucional

O promotor Lincoln Gakiya defendeu a criação de uma lei antimáfia no estilo italiano, junto a uma agência federal que centralize o monitoramento financeiro e imponha bloqueios preventivos de ativos suspeitos, especialmente em criptomoedas e fintechs.

Já o procurador‑geral Paulo Gonet ressaltou a necessidade de atuação firme e integrada entre o Ministério Público, polícias e órgãos de controle como o COAF. Ele também propôs a criação de um Gaeco nacional para unificar ações de combate ao crime em escala nacional.

Especialistas de compliance apontam que empresas precisam reforçar programas de due diligence, rastrear históricos de sócios e controlar cadeias de valor para evitar conexões indiretas com ilícitos.

Leia também: Desemprego recua para 5,8% e atinge menor nível histórico

Impactos no ambiente de negócios e nos investimentos

A infiltração do crime organizado em setores da economia formal tem gerado preocupações crescentes entre investidores e autoridades reguladoras. Além de dificultar o rastreamento dos beneficiários finais de determinados empreendimentos, a presença de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) em negócios legalmente constituídos amplia a percepção de risco no ambiente empresarial brasileiro.

Segundo promotores e investigadores ouvidos em reportagens recentes da Folha de S.Paulo, O Globo e UOL, o avanço das organizações criminosas em áreas como o transporte público, o mercado de combustíveis e o setor imobiliário compromete a segurança jurídica e pode afastar investimentos externos. A chamada “cegueira deliberada” — quando gestores ignoram sinais evidentes de irregularidades em contratos e parcerias — também passou a ser observada com mais atenção por órgãos de controle.

A atuação em segmentos legalizados torna mais difícil a distinção entre atividades lícitas e ilícitas, o que representa um obstáculo à fiscalização e ao cumprimento das normas. O uso de estruturas complexas, como fundos de investimento e fintechs, facilita a lavagem de dinheiro e a consolidação das facções no mercado formal, como apontam dados do Coaf e da Polícia Federal.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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