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Ataques cibernéticos aumentam 30 % após tarifação dos EUA

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O Brasil enfrentou um aumento de 30% nos ataques cibernéticos com origem nos Estados Unidos após o anúncio das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Esse levantamento foi feito pela TI Safe e considera o período de 8 de julho — véspera do anúncio — até o fim daquele mês.

Setores críticos foram os principais alvos

Os alvos mais vulneráveis incluíram setores de infraestrutura crítica, como energia, petróleo, siderurgia, saneamento básico e órgãos governamentais. O Supremo Tribunal Federal (STF) foi especialmente visado, registrando cerca de 752 milhões de tentativas de invasão em poucos meses.

Sistemas estratégicos brasileiros sofreram aumento de 30 % nos ataques cibernéticos após o anúncio das tarifas dos EUA, atingindo setores como energia, saneamento e Justiça, com cerca de 752 milhões de tentativas contra o STF | Foto: Reprodução/Canva
Sistemas estratégicos brasileiros sofreram aumento de 30 % nos ataques cibernéticos após o anúncio das tarifas dos EUA, atingindo setores como energia, saneamento e Justiça, com cerca de 752 milhões de tentativas contra o STF | Foto: Reprodução/Canva

Hacktivismo impulsionado pelo clima político

Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe, sugere que os ataques não foram meramente oportunistas. “O aumento repentino nos ataques com origem nos EUA, somado ao contexto político das últimas semanas, sugere uma motivação clara: não se trata apenas de cibercrime oportunista, mas de uma ofensiva ideológica impulsionada pelo discurso polarizador de figuras públicas influentes”, afirmou em entrevista a CNN.

Leia também: Nova exigência pode travar abertura de empresas, alertam especialistas

A retórica de Donald Trump, associando as tarifas ao julgamento contra o ex-presidente brasileiro e ao comportamento do STF diante das redes sociais e big techs, também pode ter alimentado o ambiente hostil. Segundo Branquinho, “apesar de não haver evidência de envolvimento direto do governo americano, o clima de animosidade encoraja ações coordenadas por agentes não estatais”.

Brasil como alvo frequente

O país já enfrenta uma realidade de exposição contínua a ataques cibernéticos. Em 2023, foram contabilizadas cerca de 60 bilhões de tentativas de invasão, ainda que abaixo das 103 bilhões de 2022, esse número permanece elevado.

A Check Point Research observou uma expansão de 67% nos ataques ao Brasil no segundo trimestre de 2024, totalizando em média 2.754 tentativas por semana, um aumento de 30 % em comparação ao mesmo período de 2023.

Investimentos em segurança digital disparam

Como resposta a esse cenário, o mercado de cibersegurança no Brasil tende a crescer substancialmente. Estima-se que os investimentos somarão cerca de R$ 104,6 bilhões entre 2025 e 2028, representando um crescimento acumulado de 43,8%. Além disso, há uma forte demanda por profissionais da área. De 2015 a 2024, houve uma taxa média anual de crescimento de 16,1 % no número de trabalhadores em segurança da informação.

Custos elevados para empresas

O impacto financeiro dos ataques é significativo. Segundo estudo da IBM com o instituto Ponemon, o custo médio de uma violação de dados no Brasil foi de US$ 1,36 milhão por empresa em 2024, aumento de 11,5% em relação ao ano anterior. Em reais, considerando o câmbio em R$ 5,20 por dólar, esse valor equivale a aproximadamente R$ 7,07 milhões por incidente.

Tabela: Panorama dos ataques cibernéticos no Brasil

IndicadorValor ou detalhe
Aumento de ataques pós-tarifaço30% entre 8 e final de julho com origem nos EUA
Tentativas de invasão ao STFCerca de 752 milhões nos últimos meses
Total de tentativas de invasão (2023)60 bilhões — redução em relação a 2022 (103 bilhões)
Aumento de ataques semanais (2024 vs 2023)67% — média de 2.754 tentativas por semana
Investimentos previstos em segurançaR$ 104,6 bilhões entre 2025 e 2028 — crescimento de 43,8%
Penalidade média por violação de dadosUS$ 1,36 milhão ≈ R$ 7,07 milhões

Resposta e medidas tomadas

A TI Safe enfatizou que, apesar da intensidade das investidas, os sistemas brasileiros conseguiram bloquear a maioria das tentativas. A empresa recomenda fortalecer a cooperação internacional para rastrear os autores, responsabilizar os criminosos e compartilhar informações sobre ameaças emergentes para fortalecer a resposta nacional

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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