O Brasil enfrentou um aumento de 30% nos ataques cibernéticos com origem nos Estados Unidos após o anúncio das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Esse levantamento foi feito pela TI Safe e considera o período de 8 de julho — véspera do anúncio — até o fim daquele mês.
Setores críticos foram os principais alvos
Os alvos mais vulneráveis incluíram setores de infraestrutura crítica, como energia, petróleo, siderurgia, saneamento básico e órgãos governamentais. O Supremo Tribunal Federal (STF) foi especialmente visado, registrando cerca de 752 milhões de tentativas de invasão em poucos meses.

Hacktivismo impulsionado pelo clima político
Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe, sugere que os ataques não foram meramente oportunistas. “O aumento repentino nos ataques com origem nos EUA, somado ao contexto político das últimas semanas, sugere uma motivação clara: não se trata apenas de cibercrime oportunista, mas de uma ofensiva ideológica impulsionada pelo discurso polarizador de figuras públicas influentes”, afirmou em entrevista a CNN.
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A retórica de Donald Trump, associando as tarifas ao julgamento contra o ex-presidente brasileiro e ao comportamento do STF diante das redes sociais e big techs, também pode ter alimentado o ambiente hostil. Segundo Branquinho, “apesar de não haver evidência de envolvimento direto do governo americano, o clima de animosidade encoraja ações coordenadas por agentes não estatais”.
Brasil como alvo frequente
O país já enfrenta uma realidade de exposição contínua a ataques cibernéticos. Em 2023, foram contabilizadas cerca de 60 bilhões de tentativas de invasão, ainda que abaixo das 103 bilhões de 2022, esse número permanece elevado.
A Check Point Research observou uma expansão de 67% nos ataques ao Brasil no segundo trimestre de 2024, totalizando em média 2.754 tentativas por semana, um aumento de 30 % em comparação ao mesmo período de 2023.
Investimentos em segurança digital disparam
Como resposta a esse cenário, o mercado de cibersegurança no Brasil tende a crescer substancialmente. Estima-se que os investimentos somarão cerca de R$ 104,6 bilhões entre 2025 e 2028, representando um crescimento acumulado de 43,8%. Além disso, há uma forte demanda por profissionais da área. De 2015 a 2024, houve uma taxa média anual de crescimento de 16,1 % no número de trabalhadores em segurança da informação.
Custos elevados para empresas
O impacto financeiro dos ataques é significativo. Segundo estudo da IBM com o instituto Ponemon, o custo médio de uma violação de dados no Brasil foi de US$ 1,36 milhão por empresa em 2024, aumento de 11,5% em relação ao ano anterior. Em reais, considerando o câmbio em R$ 5,20 por dólar, esse valor equivale a aproximadamente R$ 7,07 milhões por incidente.
Tabela: Panorama dos ataques cibernéticos no Brasil
| Indicador | Valor ou detalhe |
|---|---|
| Aumento de ataques pós-tarifaço | 30% entre 8 e final de julho com origem nos EUA |
| Tentativas de invasão ao STF | Cerca de 752 milhões nos últimos meses |
| Total de tentativas de invasão (2023) | 60 bilhões — redução em relação a 2022 (103 bilhões) |
| Aumento de ataques semanais (2024 vs 2023) | 67% — média de 2.754 tentativas por semana |
| Investimentos previstos em segurança | R$ 104,6 bilhões entre 2025 e 2028 — crescimento de 43,8% |
| Penalidade média por violação de dados | US$ 1,36 milhão ≈ R$ 7,07 milhões |
Resposta e medidas tomadas
A TI Safe enfatizou que, apesar da intensidade das investidas, os sistemas brasileiros conseguiram bloquear a maioria das tentativas. A empresa recomenda fortalecer a cooperação internacional para rastrear os autores, responsabilizar os criminosos e compartilhar informações sobre ameaças emergentes para fortalecer a resposta nacional


