O Open Finance, sistema implementado pelo Banco Central do Brasil em 2021, ainda é visto por muitos como uma extensão do Pix. No entanto, seu alcance vai muito além das transferências instantâneas. Trata-se de um ecossistema que permite às pessoas compartilharem seus dados financeiros de forma segura entre diferentes instituições, ampliando o acesso a produtos personalizados e promovendo maior competitividade no setor.
Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em janeiro de 2025 o sistema contabilizava mais de 62 milhões de consentimentos ativos, um crescimento de 44% em relação a janeiro de 2024, quando eram 43 milhões. Apesar desse avanço, uma pesquisa do Datafolha mostra que 55% dos brasileiros ainda não compreendem plenamente as funcionalidades do Open Finance, mesmo quando já utilizam alguns de seus recursos de forma indireta.
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Expansão e protagonismo internacional
O modelo brasileiro tem atraído atenção global e foi apresentado em fóruns como o G20 TechSprint, em iniciativas ligadas à inclusão financeira. O Banco Central destaca que o sistema pode ser usado para desenvolver produtos como microsseguros e linhas de crédito mais acessíveis, voltados a públicos historicamente excluídos do mercado.
Para Murilo Rabusky, diretor de negócios da Lina Open X, a confiança no sistema cresce à medida que mais casos de uso são disponibilizados.
“Os números mostram que o modelo avança de forma consistente. A tendência é que cada vez mais consumidores percebam valor prático no compartilhamento de dados, desde que existam campanhas de conscientização e soluções alinhadas às necessidades reais”, afirma.
1. Combate ao endividamento com visão completa das finanças
Uma das funções mais relevantes é a possibilidade de unificar dados de diferentes contas bancárias, cartões e empréstimos. Isso permite que aplicativos de gestão financeira ofereçam uma visão completa da situação do consumidor, ajudando a identificar gastos excessivos e a planejar melhor o orçamento.
2. Crédito mais barato e personalizado
Com base nas informações compartilhadas, instituições financeiras conseguem avaliar o perfil de risco com mais precisão. Quem mantém um bom histórico de pagamentos, por exemplo, pode ter acesso a empréstimos com juros mais baixos, mesmo fora dos grandes bancos.
3. Renegociação de dívidas mais eficiente
Plataformas podem usar os dados autorizados para propor renegociações de dívidas mais realistas, considerando a real capacidade de pagamento do consumidor. Isso contribui para evitar novos atrasos e reduzir o risco de inadimplência.
4. Comparação automática de produtos financeiros
O Open Finance facilita a comparação em tempo real de serviços como contas correntes, cartões, investimentos e seguros. Dessa forma, o consumidor passa a ter acesso a informações que antes eram restritas a clientes premium ou que demandavam contato direto com diferentes bancos.
5. Portabilidade simplificada entre bancos
A transferência de relacionamento bancário, incluindo históricos de crédito, investimentos e previdência, pode ser feita em minutos. O processo reduz a burocracia para quem deseja buscar serviços mais vantajosos em outra instituição.
6. Prevenção contra fraudes financeiras
Com os dados integrados e monitorados em tempo real, sistemas de segurança conseguem identificar movimentações suspeitas e alertar o usuário rapidamente, fortalecendo a proteção contra golpes.
7. Investimentos personalizados
O acesso ao histórico real de movimentações financeiras permite que plataformas recomendem produtos de investimento adaptados ao comportamento de cada consumidor, indo além de questionários genéricos de perfil de risco.
8. Segurança no compartilhamento de dados
O Banco Central estabelece padrões rigorosos de proteção e criptografia para o Open Finance. O usuário tem controle total sobre quais instituições podem acessar seus dados, por quanto tempo e com qual finalidade, reduzindo os riscos de exposição indevida.
Desafios e próximos passos da Open Finance
Apesar da expansão, especialistas destacam que ainda há desafios ligados à educação financeira e à percepção de valor por parte dos consumidores. Muitos desconhecem que já utilizam funcionalidades do Open Finance ao acessar serviços como comparadores de tarifas e aplicativos de gestão de gastos.
A expectativa é que, até o fim de 2025, a integração do sistema com outros segmentos, como seguros e previdência, amplie ainda mais o acesso a produtos financeiros personalizados. O Banco Central e as instituições envolvidas defendem que o avanço trará maior inclusão e competitividade ao setor.


