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Golpe do Pix errado: saiba como funciona e como se proteger

O Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central (BC) em 2020, registrou uma movimentação de mais de R$ 22,9 trilhões apenas no primeiro semestre de 2024, segundo dados do próprio BC. Com tamanha popularidade, a ferramenta também passou a ser alvo de criminosos. Um dos métodos recentes que tem preocupado especialistas é o chamado “golpe do Pix errado”, que utiliza uma brecha de confiança dos usuários para desviar valores.

Pix segue em alta no Brasil, mas usuários precisam estar atentos ao golpe do ‘Pix errado’, que tem feito vítimas em várias regiões do país | Foto: Reprodução/Canva
Pix segue em alta no Brasil, mas usuários precisam estar atentos ao golpe do ‘Pix errado’, que tem feito vítimas em várias regiões do país | Foto: Reprodução/Canva

Como o golpe do pix é aplicado?

A prática criminosa começa com uma transferência aparentemente feita por engano. Como parte das chaves Pix pode ser um número de telefone, os golpistas conseguem localizar contas de consumidores com facilidade. Após transferirem uma quantia, entram em contato com a vítima por ligação ou mensagem em aplicativos como o WhatsApp.

Na abordagem, os criminosos afirmam ter enviado o dinheiro por equívoco e pedem que a quantia seja devolvida. O problema ocorre quando eles fornecem dados de outra conta para receber esse reembolso. Assim, em vez de devolver para o remetente original, a vítima transfere o valor para a conta indicada pelo golpista.

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O uso do MED pelos criminosos

O golpe fica ainda mais sofisticado quando os criminosos utilizam o Mecanismo Especial de Devolução (MED), recurso criado pelo Banco Central em 2021 justamente para auxiliar consumidores em casos de fraude ou falhas operacionais. Após convencer a vítima a devolver o dinheiro em outra conta, o golpista aciona o MED alegando que também foi lesado.

Dessa forma, ocorre uma retirada forçada do saldo da vítima. O golpista consegue ficar com o valor devolvido por transferência direta e ainda receber o estorno solicitado via MED.

Orientações para evitar o golpe

O Banco Central recomenda que, caso receba um Pix inesperado, o consumidor nunca devolva o dinheiro por meio de uma nova transferência. A devolução deve ser feita exclusivamente pela funcionalidade disponibilizada no próprio aplicativo do banco, geralmente identificada como “devolver dinheiro” ou “fazer um reembolso”.

Esse recurso garante que o valor volte para a mesma conta de origem, evitando que criminosos recebam em contas diferentes. Além disso, é importante confirmar no extrato se o dinheiro realmente entrou na conta antes de qualquer devolução.

O que fazer se já foi vítima

Se o consumidor caiu no golpe, deve acionar imediatamente sua instituição financeira. O prazo para abertura de contestação no MED é de até 80 dias após a transação. O banco do recebedor avaliará o caso em até sete dias e, se for comprovada a fraude, a devolução deve ocorrer em até 96 horas.

Caso o criminoso não tenha saldo suficiente, a instituição monitora a conta por até 90 dias para realizar devoluções parciais quando houver movimentação. O Banco Central esclarece, no entanto, que o banco do fraudador não é obrigado a ressarcir com recursos próprios caso não existam fundos disponíveis.

O consumidor que não tiver sucesso na devolução pode procurar órgãos como o Procon de seu estado, registrar reclamação no portal Consumidor.gov ou acionar a Justiça.

MED em outras situações

O Mecanismo Especial de Devolução também pode ser utilizado em casos de falha operacional, como duplicidade de transações. Se confirmada a falha, o valor é devolvido ao usuário em até 24 horas.

Vale ressaltar que, quando um consumidor envia dinheiro para a chave Pix incorreta por engano, esse não é um caso em que o MED se aplica. Nessa situação, o caminho é entrar em contato com o banco, que poderá orientar sobre a tentativa de devolução.

Pix continua crescendo no Brasil

Mesmo com tentativas de golpes, o Pix se consolidou como principal meio de pagamento no Brasil. Segundo o Banco Central, em junho de 2024 o sistema registrou 4,2 bilhões de transações, superando o uso de cartões de crédito e débito. A adesão ao sistema continua em expansão, inclusive com novas modalidades previstas para 2025, como o chamado “Pix de investimentos”.

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