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Famílias brasileiras gastam quase 10% da renda só com juros

Segundo dados do Banco Central, as famílias brasileiras destinam 9,86% da renda mensal apenas para pagar juros de dívidas. Esse valor é o maior já registrado desde 2005, quando o índice começou a ser medido.

Famílias brasileiras gastando parte da renda com juros
Apenas 2,13% da renda familiar é utilizada para quitar empréstimos com juros mais baixos. Os outros 25,66% correspondem a dívidas mais caras | Foto: Reprodução / Canva

O montante total de renda comprometido com dívidas, incluindo parcelas e juros, chega a 27,79%. Isso significa que mais de um quarto do dinheiro das famílias já é reservado para pagamentos de empréstimos, cartões de crédito e outros financiamentos.

O que são juros e comprometimento da renda

Os juros são os valores cobrados pelos bancos ou financeiras pelo empréstimo de dinheiro. Quanto maior for a taxa, mais caro fica pagar a dívida. Já o comprometimento da renda indica a porcentagem do salário ou da renda familiar usada para quitar essas dívidas.

No caso do Brasil, a maior parte desse comprometimento vem de crédito de curto prazo, como empréstimos pessoais e rotativo do cartão de crédito. Essas modalidades têm juros mais altos e exigem pagamento rápido, diferente de financiamentos imobiliários, que possuem taxas menores e prazos longos.

Comparação internacional

O peso das dívidas no orçamento brasileiro é quase três vezes maior do que a média de 17 países desenvolvidos, segundo dados do Banco de Compensações Internacionais (BIS). Nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 8% da renda vai para o pagamento de dívidas, enquanto no Japão, o percentual é de 7,8%.

A diferença ocorre porque, em países desenvolvidos, grande parte das dívidas das famílias está ligada a empréstimos habitacionais, que oferecem menor risco ao banco e possuem juros menores.

Em 2023, o pagamento de juros sobre o orçamento familiar atingiu um pico, influenciado pelo aumento do crédito e das taxas de juros. Houve uma pequena melhora em 2024, mas os últimos meses mostram nova alta.

Entre os fatores que contribuem para essa situação estão o crescimento do crédito e o custo elevado do dinheiro. Em junho, a taxa média anual do crédito pessoal atingiu 58,3%, o maior nível desde maio do ano anterior. Ao mesmo tempo, o saldo de crédito concedido às famílias, excluindo financiamentos imobiliários, cresceu 23,4% nos últimos dois anos.

Impacto do consignado privado

O governo também lançou o programa de consignado privado, que permite que trabalhadores com carteira assinada tenham parcelas descontadas diretamente do salário. Desde março, já foram liberados quase R$ 21 bilhões em empréstimos para mais de 4 milhões de trabalhadores. Nesse tipo de crédito, a taxa de juros média até julho foi de 3,79% ao mês, mais alta que o consignado para aposentados (1,83%) e servidores públicos (1,84%).

Risco de inadimplência

O índice de não pagamento de dívidas acima de 90 dias entre pessoas físicas voltou a subir, chegando a 6,3% em 2024. O aumento significa que mais famílias estão atrasando pagamentos e enfrentando dificuldades para cumprir compromissos financeiros.

O crescimento dos juros pagos é muito mais rápido do que o aumento da renda das famílias: enquanto os gastos com juros aumentaram 20,5% em 2024, a renda total cresceu apenas 3,2%, mostrando que o orçamento está cada vez mais apertado.

Educação financeira

A educação financeira ajuda as famílias a controlar melhor as dívidas e evitar problemas com o orçamento. Compreender o custo real do crédito, incluindo os juros e taxas, e planejar os pagamentos permite que as pessoas evitem recorrer a empréstimos caros, como o cartão rotativo e o crédito pessoal de curto prazo.

Também é importante que cada pessoa avalie cuidadosamente a necessidade de pegar um empréstimo, verificando se os juros e prazos cabem na renda mensal e se o pagamento não compromete outras despesas essenciais.

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