Os juros do cartão de crédito continuam entre os mais altos do mercado e seguem aumentando. Em julho deste ano, a taxa média cobrada pelos bancos no chamado rotativo do cartão cresceu 6,1 pontos percentuais e atingiu 446,6% ao ano, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Esse patamar significa que quem não paga o valor total da fatura do cartão e entra no rotativo pode ver a dívida crescer de maneira muito rápida, virando uma bola de neve difícil de controlar.

O que é o rotativo do cartão
O rotativo funciona de uma forma simples: quando o cliente paga apenas o valor mínimo da fatura ou não consegue quitar o valor total até a data de vencimento, o banco empresta automaticamente o restante. Esse empréstimo é chamado de rotativo do cartão. Ele pode parecer uma solução momentânea, mas, na prática, é o crédito mais caro do mercado brasileiro.
Justamente por isso, os especialistas recomendam que o rotativo seja evitado. Em até 30 dias, o banco precisa oferecer ao cliente outra forma de pagamento, como o parcelamento da fatura, que costuma ter juros menores.
Regras novas não resolveram o problema
Mesmo com regras recentes que tentam limitar esse custo, os números mostram que a situação continua preocupante. Em dezembro de 2023, o Conselho Monetário Nacional determinou que os juros do rotativo não poderiam ultrapassar o dobro do valor original da dívida. Essa regra passou a valer em janeiro de 2024 e trouxe algum alívio, já que antes as dívidas poderiam crescer sem limites.
Além do rotativo, outros tipos de crédito também chamam a atenção. O cartão de crédito parcelado, por exemplo, registrou em julho uma pequena queda, ficando em 181,7% ao ano. Apesar da redução, ainda é uma taxa muito alta. Já o cheque especial, conhecido como a segunda linha de crédito mais cara do país, também apresentou queda, passando de 135,7% em junho para 133,8% em julho. Ou seja, embora os juros tenham caído um pouco nessas modalidades, eles continuam em patamares que exigem cuidado.
Enquanto isso, a taxa total de juros do cartão de crédito, que leva em conta todas as operações, recuou levemente para 88,1% ao ano. É um número menor do que o do rotativo, mas continua entre os mais altos do sistema financeiro. A média geral de juros das operações de crédito no país ficou em 31,4% ao ano em julho, o que mostra que o cartão de crédito realmente pesa mais do que outras formas de empréstimo.
Nova modalidade com garantia do FGTS
Uma novidade recente é a criação de uma linha de crédito com garantia do FGTS. Lançada em março deste ano, ela permite que o trabalhador use até 10% do saldo do fundo e 100% da multa de rescisão como garantia em um empréstimo. A grande diferença dessa modalidade é que as parcelas são descontadas diretamente no contracheque, o que dá mais segurança para os bancos e costuma resultar em taxas de juros menores do que as do rotativo ou do cheque especial.
Inicialmente, essa linha de crédito só podia ser contratada pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, mas desde maio também pode ser feita diretamente nos canais eletrônicos dos bancos. Além disso, o trabalhador tem a possibilidade de levar a dívida para outra instituição financeira, buscando condições melhores.
Endividamento das famílias continua alto
O Banco Central também mostra que, em julho, o total de crédito às famílias cresceu, assim como o nível de endividamento. O saldo do crédito ampliado chegou a R$ 19,5 trilhões, representando 158,5% do Produto Interno Bruto (PIB). No caso das famílias, a inadimplência — quando a pessoa atrasa o pagamento por mais de 90 dias — alcançou 6,5%. Esse aumento da inadimplência ajuda a explicar por que os bancos mantêm juros tão altos: eles tentam compensar o risco de não receber os pagamentos.
Esse cenário reforça a importância de planejamento financeiro. O cartão de crédito pode ser uma ferramenta útil, principalmente para organizar compras e concentrar gastos, mas precisa ser usado com cuidado. Sempre que possível, o ideal é pagar a fatura inteira dentro do prazo. Quando isso não for possível, negociar com o banco um parcelamento da fatura pode ser uma saída menos cara do que entrar no rotativo. Outra opção, para quem tem carteira assinada, é considerar modalidades como o consignado com FGTS, que podem ter juros menores e mais previsíveis.