O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou na última terça-feira, 26 de agosto, em Brasília, o lançamento do BNDES Bioinsumos, um programa que vai destinar até R$ 60 milhões para cooperativas de agricultores familiares em todo o Brasil.

Esses produtos podem substituir parte dos insumos químicos, como adubos e defensivos agrícolas, que normalmente são caros e muitas vezes importados.
O que é bioinsumo e para que serve
Os bioinsumos são alternativas aos insumos químicos mais comuns no campo, como materiais que incluem adubos químicos e defensivos agrícolas (inseticidas, fungicidas, herbicidas, nematicidas, etc). Eles têm funções semelhantes, mas são feitos a partir de elementos naturais.
Alguns exemplos:
- Inoculantes: bactérias e fungos que ajudam as plantas a absorver melhor os nutrientes do solo.
- Bioestimulantes: microrganismos que fortalecem o crescimento das plantações.
- Controle biológico de pragas: uso de insetos ou microrganismos que combatem lagartas, besouros ou outros bichos que atacam a lavoura.
- Biofertilizantes: adubos feitos de restos de plantas, galhos, folhas ou de resíduos orgânicos que seriam descartados.
Esses produtos são importantes porque podem ser fabricados de forma mais barata e, muitas vezes, perto das próprias lavouras, facilitando assim o acesso dos agricultores, reduzindo custos e diminuindo a dependência de itens vindos de fora.
Quem pode participar e como funciona
O programa será realizado a partir da abertura de um edital do BNDES, que deve receber as propostas de cooperativas de diversos lugares do país – cooperativas são um grupo de trabalhadores rurais que se organizam para produzir, comprar e vender de forma coletiva. Essa união facilita o acesso a crédito, equipamentos e insumos que, individualmente, seriam difíceis de obter.
Embora o edital seja nacional, o banco informou que haverá prioridade para propostas de regiões do Norte e do Nordeste, áreas onde muitos agricultores ainda enfrentam dificuldade de acesso a novas tecnologias e financiamentos.
O dinheiro poderá ser usado para montar estruturas de produção — pequenas fábricas ou unidades semi-industriais —, que possibilitem fabricar bioinsumos em quantidade suficiente para atender os associados da cooperativa e até a comunidade local.
Impacto esperado
Ao lançar o programa, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou:
“O BNDES Bioinsumos atende a dois compromissos históricos do governo Lula: além de contribuir com o aumento da produção de alimentos saudáveis, garantindo a segurança e soberania alimentar e nutricional, essa iniciativa fortalece a geração de renda de cooperativas da agricultura familiar, ao ampliar o acesso aos bioinsumos, com menores custos e maior produtividade.”
A fala aponta dois pontos centrais: ampliar o acesso a alimentos em quantidade e qualidade adequadas — o que significa garantir segurança alimentar — e gerar renda para famílias que trabalham na agricultura, reduzindo gastos com produtos químicos e aumentando a produtividade.
Outro efeito esperado é a redução no uso de agrotóxicos e fertilizantes industriais, que podem poluir solo e água. Ao adotar bioinsumos, os agricultores conseguem cuidar da produção e, ao mesmo tempo, preservar o ambiente onde vivem e trabalham.
As inscrições para participar ainda não começaram. Quando o edital for publicado, ele estará disponível no site do BNDES. Os projetos enviados passarão por análise técnica, que vai verificar se são viáveis e se atendem às regras estabelecidas.
Cada cooperativa aprovada poderá receber parte dos R$ 60 milhões, conforme a necessidade e a capacidade de execução. O BNDES acredita que, com essa iniciativa, os agricultores terão condições de reduzir custos, aproveitar melhor recursos naturais e garantir alimentos para suas comunidades e para o mercado interno.


