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Operação Carbono Oculto: entenda o que é e qual o impacto para a população

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A fragilidade da governança corporativa e da fiscalização no mercado financeiro brasileiro voltou ao centro das atenções com a deflagração da Operação Carbono Oculto. A investigação, conduzida por 1.400 agentes em oito estados, revelou esquemas bilionários de sonegação, lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis, com participação de integrantes do crime organizado em fintechs, fundos de investimento e empresas do setor de energia.

Entre os alvos estão a fintech BK Bank, suspeita de movimentar R$ 17,7 bilhões em operações irregulares, a gestora Reag Investimentos, listada na B3, e o grupo Aster/Copape, controlador de usinas, distribuidoras e redes de postos de combustíveis.

Além disso, a Receita Federal identificou cerca de 40 fundos de investimento, muito ligados à região da Faria Lima, utilizados como estruturas de ocultação patrimonial, somando aproximadamente R$ 30 bilhões em ativos.

Leia também: Faria Lima tem 42 alvos em operação contra o crime organizado

Agentes da Receita Federal investigam fraudes bilionárias envolvendo o crime organizado, fintechs e fundos de investimento no Brasil | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
Agentes da Receita Federal investigam fraudes bilionárias envolvendo o crime organizado, fintechs e fundos de investimento no Brasil | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Como o crime chega ao investidor

De acordo com Eduardo Silva, presidente do Instituto Empresa, a investigação mostra que há um nível de contaminação do mercado financeiro com o crime organizado. O funcionamento do esquema envolvia empresas que atuavam como intermediárias em transações financeiras não rastreáveis, permitindo que investidores comuns, muitas vezes sem saber, financiassem atividades ilícitas de forma indireta.

Uma das estratégias identificadas foi a utilização de fintechs e fundos como canais para movimentações bilionárias sem transparência. Entre 2020 e 2024, aproximadamente mil postos de combustíveis vinculados ao grupo movimentaram R$ 52 bilhões, segundo dados do Ministério Público de São Paulo.

Uma fintech, considerada um banco paralelo do crime organizado, movimentou R$ 46 bilhões sem rastreabilidade, dificultando a identificação de beneficiários finais.

Fragilidade na governança e fiscalização

Eduardo destaca que o caso evidencia problemas estruturais, principalmente no mercado de fundos. Falta transparência nas operações e existem conflitos de interesse que comprometem a tomada de decisão do investidor comum. Apesar das normas da CVM e da Anbima para divulgação de informações, a fiscalização é frequentemente reativa, atuando apenas quando a fraude já está em andamento.

“Investidores precisam entender que ao aplicar em fundos estão terceirizando decisões a um gestor. É crucial conhecer quem são essas pessoas, seu histórico e quais incentivos podem enviesar suas decisões”, explica Eduardo.

Além disso, a constrição de bens determinada pela operação policial pode atingir, indiretamente, investidores que aplicaram em fundos da mesma gestora, gerando riscos patrimoniais. Entre os bens bloqueados estão administradoras de fundos, transportadoras, refinarias e quatro usinas de álcool, totalizando valores bilionários.

Para o especialista, há uma contradição clara entre os discursos do mercado sobre responsabilidade social e sustentabilidade e a prática real de mecanismos permissivos que permitem a infiltração do crime organizado. “O verdadeiro compromisso com ESG não está apenas em relatórios ou slogans, mas na adoção de sistemas sólidos de governança e transparência capazes de blindar empresas contra a corrupção sistêmica”, afirma.

A investigação revelou que o crime organizado controlava ativos imobiliários e de transporte, como mais de 100 imóveis, incluindo seis fazendas em São Paulo avaliadas em R$ 31 milhões e uma casa em Trancoso, na Bahia, por R$ 13 milhões, além de 1.600 caminhões para transporte de combustíveis.

Lições para investidores

O caso reforça que diligência prévia é essencial. Investidores devem avaliar não apenas os retornos prometidos, mas também o histórico das gestoras, o nível de transparência das operações e a exposição a riscos legais ou criminais.

Fundos de investimento, mesmo regulamentados, podem ser utilizados como instrumentos de ocultação de patrimônio quando há falhas na governança ou fiscalização limitada.

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Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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