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Faria Lima tem 42 alvos em operação contra o crime organizado

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A Avenida Faria Lima, considerada o coração financeiro do Brasil, foi alvo de uma megaoperação deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) nesta quinta-feira, 28 de agosto. O foco da investigação é um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis, com participação de facção do crime organizado. Ao todo, 42 mandados foram cumpridos em empresas localizadas na região.

Entre as companhias investigadas estão gestoras de fundos de investimento e instituições financeiras, incluindo a Reag Investimentos, a Trustee DTVM e o Banco Genial. Em nota, a Reag declarou que está colaborando integralmente com as autoridades e fornecendo todos os documentos solicitados.

Em nota, a Trustee DTVM comunicou que renunciou à administração de todos os fundos que
foram alvos da operação Carbono Oculto. De acordo com o comunicado oficial, “a renúncia ocorreu
antes mesmo da operação ser deflagrada, por decisão da área de compliance da Trustee DTVM por desconformidade de atualização cadastral identificada há alguns meses. A empresa tem processos rigorosos de diligência e constante averiguação das aplicações nos fundos e perfil de seus cotistas”.

Avenida Faria Lima, em São Paulo, foi alvo de operação do MPSP contra esquema de combustíveis ligado ao crime organizado, que teria sonegado R$ 7,6 bilhões | Foto: Reprodução/Flickr
Avenida Faria Lima, em São Paulo, foi alvo de operação do MPSP contra esquema de combustíveis ligado ao crime organizado, que teria sonegado R$ 7,6 bilhões | Foto: Reprodução/Flickr

O tamanho do esquema da Faria Lima

Segundo o MPSP, somente em sonegação de tributos o grupo movimentou R$ 7,6 bilhões. O esquema abrangia cerca de mil postos de combustíveis, responsáveis por uma movimentação financeira de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Além disso, uma fintech ligada ao grupo operava como banco paralelo, movimentando sozinha R$ 46 bilhões fora do sistema financeiro oficial.

As autoridades destacam que facção do crime organizado estruturou uma rede complexa de organizações criminosas, inserindo atividades ilegais dentro da economia formal. Isso incluiu a participação em distribuidoras, transportadoras, usinas sucroalcooleiras e até fundos de investimento.

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Entenda como funcionava a fraude

O esquema tinha como base a importação irregular de metanol, produto altamente inflamável e tóxico. O insumo entrava no Brasil pelo Porto de Paranaguá, no Paraná, mas não chegava aos destinatários indicados em notas fiscais. Em vez disso, era desviado com documentação falsificada e transportado sem medidas de segurança.

Esse metanol era usado para adulterar combustíveis, prática que aumentava os lucros da organização criminosa. Consumidores eram prejudicados de duas formas: por fraudes quantitativas, quando recebiam menos combustível do que pagaram, e por fraudes qualitativas, quando abasteciam com produtos fora dos padrões exigidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Além das adulterações, houve casos em que donos de postos que venderam seus estabelecimentos não receberam o valor devido e foram ameaçados de morte caso cobrassem as dívidas.

O caminho do dinheiro

De acordo com os investigadores, os recursos obtidos pelo grupo eram ocultados em estruturas financeiras complexas, incluindo empresas de fachada, fundos de investimento e instituições de pagamento. As fintechs ligadas ao esquema permitiam movimentações financeiras paralelas, sem que os beneficiários finais fossem identificados, dificultando o rastreamento dos recursos.

As transações eram concentradas em empresas do setor de combustíveis, criando um portfólio de clientes predominantemente voltado ao próprio mercado em que o crime organizado atuava. A escolha por fintechs, em vez de bancos tradicionais, tinha como objetivo evitar os mecanismos tradicionais de fiscalização e compliance.

Medidas do Ministério Público

O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo (CIRA/SP) informou que serão adotadas medidas para bloquear bens em valor suficiente para recuperar os R$ 7,6 bilhões em tributos sonegados. As investigações também abrangem crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.

Ao todo, mais de 350 pessoas físicas e jurídicas estão sob investigação, compondo a maior operação já realizada pelo MPSP contra o crime organizado no setor econômico.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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