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Azerbaijão fecha parceria com Brasil para oferecer bolsas de pesquisa

O governo do Azerbaijão anunciou nesta semana que passará a oferecer bolsas de estudo a estudantes brasileiros em diferentes níveis de formação, da graduação ao mestrado. A iniciativa foi formalizada na segunda-feira, 1 de setembro, durante encontro em Brasília entre o vice-ministro de Relações Exteriores do Azerbaijão, Elnur Mammadov, e o chanceler brasileiro, Mauro Vieira.

Segundo Mammadov, a decisão marca “uma nova página” na cooperação entre os dois países. Embora ainda não tenha sido definido o número de bolsas, já se sabe que os temas prioritários serão energia renovável e transformação digital, que englobam conectividade, transportes e inteligência artificial.

Azerbaijão firmou acordo para oferecer bolsas de estudo a estudantes brasileiros em áreas como energia renovável e transformação digital | Foto: Reprodução/Canva
Azerbaijão firmou acordo para oferecer bolsas de estudo a estudantes brasileiros em áreas como energia renovável e transformação digital | Foto: Reprodução/Canva

De acordo com o vice-ministro, universidades azerbaijanas oferecem mais de 100 oportunidades anuais de bolsas de pesquisa para estudantes estrangeiros. A divulgação das vagas disponíveis para brasileiros será feita pelo Ministério da Educação (MEC).

As bolsas oferecidas por Azerbaijão tem foco em ciência e inovação

As bolsas fazem parte de uma estratégia do Azerbaijão para fortalecer o intercâmbio científico e tecnológico. A área de energia renovável tem peso central nesse processo, já que o país, tradicionalmente dependente da exportação de petróleo e gás, busca diversificar sua matriz energética e investir em sustentabilidade.

Outro ponto de destaque é a transformação digital, prioridade para o governo azerbaijano. O país vem expandindo projetos de conectividade e inteligência artificial, alinhados a parcerias internacionais que favoreçam a troca de conhecimento em inovação.

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Segundo Mammadov, o interesse em cooperar com o Brasil também se deve ao avanço das pesquisas nacionais em setores estratégicos. Ele citou como exemplo o trabalho da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), reconhecida por estudos em agricultura sustentável.

Comércio e cooperação econômica

Além do campo educacional, a visita da comitiva azerbaijana também incluiu pautas comerciais. Em reuniões com o vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, e com o chanceler Mauro Vieira, Mammadov destacou a importância de estreitar relações econômicas.

O Azerbaijão é fornecedor de fertilizantes para o agronegócio brasileiro e ampliou suas compras de açúcar do Brasil. Segundo dados mencionados pelo vice-ministro, as exportações de açúcar brasileiro ao Azerbaijão dobraram em 2025 em relação ao ano anterior.

Para consolidar essa aproximação, foi discutida a criação de uma plataforma econômica bilateral, destinada a facilitar a cooperação comercial e estimular novos fluxos de investimento entre os dois países.

Relação entre COP29 e COP30

A cooperação também está alinhada às discussões globais sobre mudanças climáticas. No ano passado, a capital do Azerbaijão, Baku, sediou a COP29, conferência anual da ONU sobre o clima. O evento foi considerado estratégico para ampliar os laços entre o país e diversas nações, incluindo o Brasil.

Em 2025, será a vez do Brasil receber a COP30, marcada para Belém, no Pará. Tanto Brasil quanto Azerbaijão têm defendido maior responsabilidade dos países desenvolvidos no financiamento de medidas de enfrentamento às mudanças climáticas.

“É claro que os países possuem opiniões diferentes, especialmente com relação ao financiamento das mudanças climáticas”, afirmou Mammadov, ressaltando que os pontos de convergência podem fortalecer a cooperação multilateral.

Educação como ponte diplomática

O anúncio das bolsas representa mais um passo no esforço do Azerbaijão de usar a educação como instrumento de diplomacia. O país, localizado em posição estratégica entre a Europa e a Ásia, vem ampliando parcerias acadêmicas nos últimos anos.

O governo azerbaijano espera que a oferta de bolsas a brasileiros ajude a consolidar um intercâmbio de longo prazo em áreas de interesse comum, especialmente na transição energética e na transformação digital. Já o Brasil vê na cooperação a oportunidade de expandir horizontes para seus pesquisadores, conectando-os a projetos internacionais e aproximando-se de um parceiro comercial em crescimento.

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