Ao vivo

Geografia de Santos: porto bilionário do Brasil tem economia gigante e prédios tortos

Por

·

A cidade de Santos, no litoral de São Paulo, abriga o maior porto da América Latina, responsável por movimentar cerca de 30% da corrente comercial brasileira em 2025. Esse protagonismo coloca o município no centro da economia nacional, mas, ao mesmo tempo, Santos convive com um problema urbano peculiar: a instabilidade do solo arenoso que já provocou a inclinação de dezenas de edifícios residenciais.

Leia também: Empresa portuguesa vence leilão para construir 1º túnel submerso do Brasil entre Santos e Guarujá

A cidade de Santos é motor da economia nacional com seu porto, mas enfrenta o desafio da instabilidade do solo, que provoca prédios inclinados e preocupa especialistas | Foto: Reprodução/Canva
A cidade de Santos é motor da economia nacional com seu porto, mas enfrenta o desafio da instabilidade do solo, que provoca prédios inclinados e preocupa especialistas | Foto: Reprodução/Canva

O peso do porto na economia nacional

O Porto de Santos registrou, em julho de 2025, a maior movimentação mensal da história: 17,1 milhões de toneladas, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários. Essa cifra representou um crescimento de 9,2% em relação ao mesmo mês de 2024.

No primeiro semestre de 2025, a movimentação de contêineres somou 2,8 milhões de TEUs (unidade de medida equivalente a 20 pés, usada para medir capacidade de contentores e navios), o que corresponde a aproximadamente R$ 546 bilhões em cargas, considerando a média de valores transportados nesse tipo de operação.

O impacto econômico vai além do litoral paulista: estimativas oficiais indicam que mais de 67% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro é influenciado por operações que passam pelo porto.

Solo instável e prédios inclinados

Enquanto a economia mostra força, a vida urbana em Santos convive com uma situação delicada. O solo da orla é formado por areia fofa e aterros antigos, o que favorece recalques diferenciais — afundamentos desiguais da fundação dos prédios. Como resultado, a cidade é conhecida por seus prédios tortos, uma paisagem que chama a atenção de turistas, mas preocupa moradores e engenheiros.

Segundo levantamento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), mais de 90 edifícios na orla já apresentaram algum grau de inclinação desde a década de 1950. Alguns apresentam inclinações superiores a 1,5 metro em relação ao nível original.

O problema decorre da falta de tecnologia adequada nas fundações construídas antes dos anos 1970. Com a pressão do peso e a compactação desigual, o terreno cede e o edifício passa a se inclinar.

Riscos e custos de manutenção

A solução para corrigir a inclinação exige obras complexas de reforço estrutural, conhecidas como macrossondagens e recuperação de fundações. Cada intervenção pode custar dezenas de milhões de reais. Em um dos casos recentes, a correção estrutural de um edifício na orla demandou cerca de R$ 4 milhões, divididos entre condôminos.

Além do custo direto para os moradores, há impactos indiretos: desvalorização imobiliária, insegurança habitacional e riscos potenciais em casos de abalos ou erosões mais severas.

Relação entre economia e instabilidade urbana

O paradoxo de Santos é claro. De um lado, o porto movimenta cifras bilionárias e sustenta parte importante do comércio exterior brasileiro. Do outro, a própria cidade convive com um passivo geológico que exige investimento contínuo em engenharia urbana.

Especialistas apontam que os problemas do solo não afetam apenas edifícios residenciais, mas podem ter reflexos indiretos em obras de infraestrutura ligadas ao porto e ao transporte. Isso reforça a necessidade de monitoramento e de planos de mitigação permanentes.

Perspectivas para os próximos anos

Enquanto o Porto de Santos bate recordes de movimentação e projeta novas concessões de terminais, a prefeitura e órgãos técnicos estudam medidas para reduzir os impactos da instabilidade do solo. Entre as iniciativas, destacam-se estudos geotécnicos, monitoramento contínuo e exigência de fundações mais profundas em novas construções.

A cidade, portanto, se vê diante de uma dualidade: ser polo logístico de importância nacional e, ao mesmo tempo, um território que precisa lidar com as limitações físicas de sua geologia.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade