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Panetone brasileiro cresce nas exportações mesmo com tarifaço

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Em 2024, as exportações brasileiras de panetone ultrapassaram R$ 120 milhões, com envio de 5,2 mil toneladas para vários continentes. Só para os Estados Unidos foram exportadas 3,2 mil toneladas, com faturamento de aproximadamente R$ 70 milhões. A informação é da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias, Pães e Bolos Industrializados (Abimapi).

O preço médio do panetone exportado foi de US$ 4 por quilo em 2024. Convertendo com a taxa de câmbio aproximada de R$ 5,74 por US$ (cotação por volta de setembro de 2025) esse valor corresponde a cerca de R$ 23,00 por quilo.

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Produção de panetones no Brasil ganha força no mercado externo, mesmo diante da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos | Foto: Reprodução/Canva
Produção de panetones no Brasil ganha força no mercado externo, mesmo diante da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos | Foto: Reprodução/Canva

O impacto do tarifaço dos EUA

Em 2025 foi imposta uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. O setor de panetone foi diretamente afetado pela medida, segundo a Abimapi. A Abimapi estima que 75% dos embarques de panetones brasileiros para os EUA estão sob risco por causa dessa tarifa de 50%.

Apesar disso, até agosto de 2025 as exportações para os Estados Unidos haviam crescido 130% em comparação com o mesmo período do ano anterior, com 1,8 mil toneladas exportadas e faturamento de US$ 6,7 milhões, o que equivale a cerca de R$ 38,5 milhões usando câmbio aproximado de R$ 5,74 por dólar.

Estratégias adotadas pelas empresas

Para suportar o impacto do tarifaço, as empresas reduziram margens de lucro. Algumas adaptações incluem revisão de portfólio, antecipação de embarques e negociação prévia dos contratos com importadores.

Empresas associadas à Abimapi respondem por cerca de 95% do volume exportado de panetone brasileiro. Isso confere ao setor uma capacidade de ação coordenada que facilita ajustes.

Há também diversificação de mercados. Desde a pandemia o número de países que compram panetone brasileiro subiu de 37 para 50 mercados atendidos. Países como Japão, México, Venezuela, Peru, República Dominicana e Chile tiveram crescimento superior a cinco vezes nas importações de panetone brasileiro.

Dinâmica sazonal e valor agregado ao panetone

A sazonalidade é marcante no setor. Os embarques internacionais concentram-se entre julho e setembro, com reposições posteriores até janeiro. As vendas no mercado interno também têm forte apelo natalino.

O panetone é item de alto valor agregado nas exportações do setor de biscoitos, massas, pães e bolos. Ele ocupa o quarto lugar entre os produtos mais relevantes dessa pauta, por sua margem maior em comparação com itens básicos.

Riscos e dependências

Embora o crescimento até agosto de 2025 indique resiliência, o setor enfrenta riscos consideráveis. A tarifa de 50% nos EUA encarece o produto exportado, reduz a competitividade e pressiona margens de lucro.

Outra dependência está relacionada ao volume de exportação já negociado previamente. Muitos contratos foram fechados antes do anúncio da tarifa, o que permitiu antecipação de embarques. Contudo 75% dos embarques previstos podem estar sujeitos a custos adicionais ou cancelamentos se os importadores desistirem diante da tarifa.

A adaptação a hábitos de consumo também pesa. Os consumidores de alguns mercados preferem formatos, sabores ou embalagens diferentes, por exemplo sabores como red velvet ou amendoim nos EUA. As empresas investem nessas adaptações para manter presença competitiva.

Conversão de valores e o peso da taxa de câmbio

Considerando o dólar a R$ 5,74, cada US$ 4 por quilo exportado representa cerca de R$ 23,00 por quilo de panetone enviado para fora do país.

O faturamento de US$ 21,2 milhões em 2024 para as exportações de panetone brasileiro, convertido a R$ 5,74, corresponderia a cerca de R$ 121,9 milhões.

Com a tarifa de 50%, os custos adicionais ou preços ajustados para importador podem elevar consideravelmente o preço final, ou pressionar ainda mais a margem se a empresa decidir não repassar totalmente o custo ao consumidor.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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