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Brasil volta a exportar frango para União Europeia após suspensão por gripe aviária

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O Brasil voltará a exportar carne de frango e de peru para a União Europeia (UE). A decisão foi anunciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária na última segunda-feira, 22 de setembro, e representa uma retomada importante para o setor avícola brasileiro.

União Europeia volta a comprar frango do Brasil após caso de Gripe Aviária
As vendas ao bloco europeu estavam suspensas desde 16 de maio, quando foi confirmado um caso de gripe aviária em uma granja comercial localizada em Montenegro, no Rio Grande do Sul | Foto: Reprodução/ Canva

O que é a gripe aviária?

A gripe aviária, também chamada de influenza aviária, é uma doença viral que atinge aves domésticas e silvestres. É causada por um vírus altamente contagioso que pode provocar mortes rápidas em galinhas, patos, perus e outras espécies. Embora casos de transmissão para humanos sejam raros, a preocupação mundial é grande porque surtos da doença podem causar sérios prejuízos à produção de alimentos e ao comércio internacional.

Quando há registro da enfermidade em uma granja comercial, a recomendação internacional é suspender as exportações até que sejam adotadas medidas de controle. Isso evita a disseminação do vírus para outros países e dá segurança aos parceiros comerciais de que o produto brasileiro é seguro para consumo.

Como aconteceu a suspensão

Em maio deste ano, o governo confirmou a presença do vírus em um plantel de aves de corte no Rio Grande do Sul. O episódio foi considerado grave porque foi o primeiro registro em escala comercial no Brasil, já que antes havia apenas notificações em aves silvestres.

Diante da situação, a União Europeia, que adota regras rígidas de segurança alimentar, suspendeu imediatamente a entrada de carne de frango e de peru brasileiros em seus 27 países-membros. Outros mercados também anunciaram restrições, temendo que a gripe aviária pudesse se espalhar por produtos exportados.

O Ministério da Agricultura iniciou, então, um processo de controle sanitário. Uma das principais medidas foi o chamado “vazio sanitário”, que consiste em manter as granjas livres de aves por um período determinado. Esse intervalo ajuda a eliminar possíveis resíduos do vírus no ambiente.

Após o cumprimento dessa etapa e com novos exames atestando a ausência da doença, o Brasil declarou-se livre da gripe aviária em 18 de junho. Em setembro, a União Europeia reconheceu oficialmente essa condição, mas apenas agora publicou a regulamentação que libera novamente as exportações.

Como será a retomada?

A reabertura do mercado europeu será feita de forma gradual. Segundo o governo federal, a decisão leva em conta a área de risco onde foi detectado o foco da doença.

  • Todo o Brasil, exceto o Rio Grande do Sul: pode exportar desde 18 de setembro.
  • Rio Grande do Sul, fora da região do foco: autorizado a vender a partir de 2 de outubro.
  • Raio de 10 quilômetros em torno da granja afetada: liberado para exportações somente a partir de 16 de outubro.

Essas datas foram definidas para garantir que não haja qualquer risco de o vírus voltar a circular nas aves destinadas à exportação.

Impactos para o setor

A decisão da União Europeia é vista como uma vitória para o agronegócio brasileiro, que tem no frango uma de suas principais cadeias produtivas. Entre janeiro e agosto de 2025, o Brasil exportou 3,28 milhões de toneladas de carne de frango, movimentando US$ 6,15 bilhões em receita.

O retorno das vendas para os europeus deve ajudar a recuperar parte das perdas sofridas nos últimos meses. Além disso, a liberação do mercado europeu pode servir como sinal positivo para outros países que ainda mantêm restrições.

No entanto, a China — o maior comprador individual do frango brasileiro — ainda não retomou as importações. Uma missão técnica chinesa iniciou nesta semana auditorias em frigoríficos nacionais. O objetivo é avaliar de perto os controles sanitários e garantir que não há risco de novos surtos. Esse processo é considerado fundamental para a reabertura do comércio com o país asiático.

O que esperar daqui para frente

A retomada das exportações para a União Europeia mostra a confiança internacional nos sistemas de vigilância e controle do Brasil. No entanto, especialistas alertam que o episódio serve como lição. A influenza aviária circula em vários continentes e dificilmente deixará de ser uma ameaça global. Por isso, o setor produtivo precisa manter medidas rigorosas de biosseguridade, como o controle de entrada de pessoas nas granjas, cuidados com transporte de aves e monitoramento constante.

Se o Brasil conseguir manter sua imagem de produtor confiável e seguro, o impacto econômico da doença será apenas passageiro. Por outro lado, novos focos em granjas comerciais poderiam trazer suspensões mais longas e prejudicar a posição do país como maior exportador mundial de carne de frango.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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