O Brasil voltará a exportar carne de frango e de peru para a União Europeia (UE). A decisão foi anunciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária na última segunda-feira, 22 de setembro, e representa uma retomada importante para o setor avícola brasileiro.

O que é a gripe aviária?
A gripe aviária, também chamada de influenza aviária, é uma doença viral que atinge aves domésticas e silvestres. É causada por um vírus altamente contagioso que pode provocar mortes rápidas em galinhas, patos, perus e outras espécies. Embora casos de transmissão para humanos sejam raros, a preocupação mundial é grande porque surtos da doença podem causar sérios prejuízos à produção de alimentos e ao comércio internacional.
Quando há registro da enfermidade em uma granja comercial, a recomendação internacional é suspender as exportações até que sejam adotadas medidas de controle. Isso evita a disseminação do vírus para outros países e dá segurança aos parceiros comerciais de que o produto brasileiro é seguro para consumo.
Como aconteceu a suspensão
Em maio deste ano, o governo confirmou a presença do vírus em um plantel de aves de corte no Rio Grande do Sul. O episódio foi considerado grave porque foi o primeiro registro em escala comercial no Brasil, já que antes havia apenas notificações em aves silvestres.
Diante da situação, a União Europeia, que adota regras rígidas de segurança alimentar, suspendeu imediatamente a entrada de carne de frango e de peru brasileiros em seus 27 países-membros. Outros mercados também anunciaram restrições, temendo que a gripe aviária pudesse se espalhar por produtos exportados.
O Ministério da Agricultura iniciou, então, um processo de controle sanitário. Uma das principais medidas foi o chamado “vazio sanitário”, que consiste em manter as granjas livres de aves por um período determinado. Esse intervalo ajuda a eliminar possíveis resíduos do vírus no ambiente.
Após o cumprimento dessa etapa e com novos exames atestando a ausência da doença, o Brasil declarou-se livre da gripe aviária em 18 de junho. Em setembro, a União Europeia reconheceu oficialmente essa condição, mas apenas agora publicou a regulamentação que libera novamente as exportações.
Como será a retomada?
A reabertura do mercado europeu será feita de forma gradual. Segundo o governo federal, a decisão leva em conta a área de risco onde foi detectado o foco da doença.
- Todo o Brasil, exceto o Rio Grande do Sul: pode exportar desde 18 de setembro.
- Rio Grande do Sul, fora da região do foco: autorizado a vender a partir de 2 de outubro.
- Raio de 10 quilômetros em torno da granja afetada: liberado para exportações somente a partir de 16 de outubro.
Essas datas foram definidas para garantir que não haja qualquer risco de o vírus voltar a circular nas aves destinadas à exportação.
Impactos para o setor
A decisão da União Europeia é vista como uma vitória para o agronegócio brasileiro, que tem no frango uma de suas principais cadeias produtivas. Entre janeiro e agosto de 2025, o Brasil exportou 3,28 milhões de toneladas de carne de frango, movimentando US$ 6,15 bilhões em receita.
O retorno das vendas para os europeus deve ajudar a recuperar parte das perdas sofridas nos últimos meses. Além disso, a liberação do mercado europeu pode servir como sinal positivo para outros países que ainda mantêm restrições.
No entanto, a China — o maior comprador individual do frango brasileiro — ainda não retomou as importações. Uma missão técnica chinesa iniciou nesta semana auditorias em frigoríficos nacionais. O objetivo é avaliar de perto os controles sanitários e garantir que não há risco de novos surtos. Esse processo é considerado fundamental para a reabertura do comércio com o país asiático.
O que esperar daqui para frente
A retomada das exportações para a União Europeia mostra a confiança internacional nos sistemas de vigilância e controle do Brasil. No entanto, especialistas alertam que o episódio serve como lição. A influenza aviária circula em vários continentes e dificilmente deixará de ser uma ameaça global. Por isso, o setor produtivo precisa manter medidas rigorosas de biosseguridade, como o controle de entrada de pessoas nas granjas, cuidados com transporte de aves e monitoramento constante.
Se o Brasil conseguir manter sua imagem de produtor confiável e seguro, o impacto econômico da doença será apenas passageiro. Por outro lado, novos focos em granjas comerciais poderiam trazer suspensões mais longas e prejudicar a posição do país como maior exportador mundial de carne de frango.


