O setor automotivo da China passou por uma rápida expansão nas últimas três décadas, resultado de políticas industriais planejadas, forte apoio governamental e investimentos bilionários. A estratégia deu ao país um lugar de destaque no cenário global, transformando-o no maior produtor de veículos do mundo.
Hoje, a indústria chinesa conta com 129 marcas nacionais registradas e ocupa todos os segmentos possíveis do mercado: de carros de luxo e hipertecnológicos a modelos de entrada e baixo custo, passando por linhas premium, semi-premium e mainstream.

O processo ganhou velocidade em 2009, com subsídios massivos destinados a consumidores e fabricantes, e foi consolidado em 2017, com o “Plano de Desenvolvimento de Longo Prazo da Indústria Automotiva”. Esse plano estabelecia como objetivo produzir 35 milhões de veículos por ano até 2025.
Em 2023, a produção chinesa alcançou 27,5 milhões de unidades, muito próxima da meta traçada. O país também construiu um parque industrial capaz de fabricar até 55 milhões de carros por ano, o dobro da produção efetiva. Essa disparidade revela o dilema atual: a China criou uma estrutura capaz de atender qualquer tipo de consumidor e dominar mercados externos, mas enfrenta um excesso de oferta que ameaça a estabilidade do setor.


