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Tarifa de 50% dos EUA trava exportação de cachaça e ameaça produtores brasileiros

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A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa extra de 50% sobre a cachaça brasileira já provoca queda nas exportações e preocupa produtores. Empresas do setor relatam cancelamento de pedidos, paralisação de contratos e incerteza sobre o futuro das vendas.

Mercado de cachaça é afetado pelas tarifas dos EUA
Os Estados Unidos são hoje o terceiro maior comprador de cachaça do Brasil, atrás apenas de Paraguai e Alemanha | Foto: Reprodução / Canva

Quando se olha o valor pago por litro, o mercado americano é o mais importante. Isso porque os consumidores dos EUA costumam adquirir bebidas de maior qualidade, o que aumenta a receita dos exportadores brasileiros.

Em 2024, foram exportados 824 mil litros de cachaça para os Estados Unidos, movimentando cerca de US$ 3,6 milhões (aproximadamente a R$ 19,3 milhões). O valor representa apenas uma pequena parte da produção total do país, mas tem grande impacto sobre as empresas que dependem desse destino.

Pequenos produtores são os mais afetados

Os maiores problemas estão entre os pequenos produtores. Muitos deles direcionavam até metade de suas vendas para o mercado americano. Com o novo imposto, os importadores suspenderam negociações ou cancelaram entregas, deixando os produtores sem alternativas imediatas.

Segundo o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), a sobretaxa pode reduzir em 12% o faturamento das exportações e derrubar em pelo menos 6% o volume enviado aos Estados Unidos neste ano.

O setor é formado por mais de 1.200 produtores registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Juntos, eles respondem por mais de 7.200 marcas e por uma produção anual de cerca de 800 milhões de litros. A atividade gera mais de 600 mil empregos diretos e indiretos, a maioria em pequenas propriedades rurais.

Governo anuncia apoio emergencial

O problema foi levado ao Mapa, que já analisa medidas para reduzir os prejuízos. Uma das alternativas é incluir as empresas do setor no Programa Brasil Soberano, criado em agosto para socorrer exportadores atingidos pelas tarifas americanas.

O programa tem R$ 40 bilhões em recursos, sendo R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões do Banco Nacional do Desenvolvimento(BNDES). Os financiamentos poderão ser usados para capital de giro ou investimentos de adaptação. A taxa de juros foi fixada em até 0,66% ao mês.

Apesar do alívio financeiro, entidades do setor afirmam que o crédito não resolve o problema principal. A cachaça não pode ser redirecionada de forma rápida para outros mercados. Diferente de outros produtos, a bebida depende de aceitação cultural, algo que se constrói ao longo do tempo.

Diplomacia será decisiva

Produtores e associações esperam que o governo brasileiro avance em negociações com Washington. Acreditam que a retomada do diálogo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump pode abrir espaço para reduzir as tarifas.

Sem um acordo, os exportadores temem perder espaço nos EUA. O risco é que as marcas brasileiras fiquem de fora de bares, restaurantes e redes de distribuição, após anos de esforço para conquistar clientes.

Enquanto aguardam avanços diplomáticos, os empresários buscam soluções internas. Algumas empresas estudam reduzir a produção, outras tentam abrir mercados alternativos na América do Sul e na Europa. Mas reconhecem que os preços pagos nesses destinos são menores do que nos Estados Unidos.

Isso significa que, mesmo que encontrem novos compradores, a rentabilidade não será a mesma. Para pequenos produtores, essa diferença pode representar a sobrevivência ou o fechamento das portas.

Setor teme retrocesso

Nos últimos anos, o Brasil vinha investindo para transformar a cachaça em produto de exportação com valor agregado. Foram criadas certificações, campanhas de marketing e acordos comerciais para fortalecer a imagem da bebida como item premium.

A sobretaxa nos EUA ameaça esse avanço. O risco é que a interrupção das exportações comprometa a consolidação da cachaça em um dos mercados de maior renda do mundo.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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