O Censo Demográfico 2022, divulgado nesta quinta-feira, 9 de outubro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela um retrato desigual do Brasil quando o assunto é renda. O Distrito Federal tem o maior rendimento domiciliar per capita do país, mas também apresenta o maior nível de desigualdade entre as 27 unidades da federação. Já Santa Catarina aparece em posição oposta: tem o segundo maior rendimento, mas é o Estado menos desigual do Brasil.
Em 2022, o rendimento domiciliar per capita no Distrito Federal era de R$ 2.999, a preços nominais daquele ano. Esse valor representa a média de renda disponível por pessoa dentro das casas. Ou seja, o total de rendimentos do domicílio é somado e dividido pelo número de moradores. Assim, esse indicador mostra quanto, em média, cada pessoa teria se toda a renda familiar fosse igualmente dividida entre os integrantes.

O valor do Distrito Federal é 83,1% superior à média nacional, de R$ 1.638, o que revela um poder de compra mais alto em relação à maioria do país. No entanto, isso não significa que todos tenham boas condições financeiras.
O índice de Gini, usado para medir desigualdade, confirma essa diferença. No DF, ele foi de 0,584, o mais alto do Brasil. O índice varia de 0 a 1: quanto mais perto de 1, maior a desigualdade de renda. Na prática, o resultado indica que uma pequena parcela da população concentra grande parte do dinheiro, enquanto a maioria vive com rendimentos bem menores.
Santa Catarina combina alta renda com menor desigualdade
O cenário é bem diferente em Santa Catarina. Em 2022, o rendimento domiciliar per capita do Estado foi de R$ 2.220, também em valores nominais. Isso significa que, em média, cada morador teria essa renda mensal se o total do que as famílias recebem fosse dividido igualmente. O valor é 35,5% maior que a média nacional, colocando o Estado em segundo lugar no ranking de rendimentos.
Mas o destaque catarinense está na distribuição. O índice de Gini foi de 0,452, o menor do país, o que mostra uma diferença menor entre ricos e pobres. Mesmo com bons níveis de renda, o Estado consegue distribuir melhor o que é produzido, reduzindo as desigualdades internas.
Outros dois Estados do Sul também aparecem com bons resultados. O Rio Grande do Sul teve o quarto maior rendimento domiciliar per capita, de R$ 2.042, e o terceiro menor índice de Gini, de 0,482. Já o Paraná registrou R$ 1.965 de rendimento per capita, o quinto maior, e o segundo menor índice de Gini, também de 0,482.
Esses números fazem da região Sul a menos desigual do Brasil, com índice médio de 0,476. Em contraste, as regiões Norte e Nordeste tiveram as maiores desigualdades, com índices de 0,545 e 0,541, respectivamente.
Diferenças regionais e limites da comparação
Os dados do Censo 2022 revelam a forte diferença entre as regiões brasileiras em relação à renda e à desigualdade. No entanto, o IBGE alerta que não é possível comparar diretamente esses resultados com os do Censo de 2010. Isso ocorre porque houve mudança na metodologia e os valores de rendimento não foram ajustados pela inflação, o que impede a comparação exata ao longo do tempo.
Mesmo assim, o levantamento mostra que o Brasil continua marcado por contrastes. O Distrito Federal exemplifica o desafio de manter altos níveis de renda com melhor distribuição. Já Santa Catarina mostra que é possível ter bons rendimentos com desigualdade menor.


