A Petrobras anunciou nesta segunda-feira, 20 de outubro, que vai reduzir em 4,9% o preço da gasolina vendida em suas refinarias. A mudança começa a valer a partir desta terça-feira, 21 de outubro. Com o corte, o preço médio de venda passa de R$ 2,85 para R$ 2,71 por litro, uma queda de R$ 0,14.
Segundo a empresa, a redução ocorre após um período em que o valor cobrado no Brasil estava acima das cotações internacionais. Na prática, isso significa que o preço que a estatal cobrava aqui dentro era maior do que o preço do combustível vendido em outros países, considerando o mesmo tipo de produto.

A Petrobras afirmou que o valor do diesel já está abaixo do que é praticado no mercado externo, por isso não há necessidade de mudança. A empresa estatal controlada pelo governo federal é responsável pela maior parte da produção e venda de combustíveis no país.
As refinarias da companhia transformam o petróleo em gasolina, diesel, gás de cozinha e outros derivados. O preço cobrado pela empresa influencia diretamente o valor pago pelos consumidores nos postos, embora nem sempre as reduções ou aumentos feitos nas refinarias sejam repassados integralmente aos motoristas.
O que muda para o consumidor
Mesmo com o corte anunciado, o preço final da gasolina nas bombas pode variar de acordo com outros fatores. O valor pago pelo consumidor inclui a gasolina pura vendida pela Petrobras, mas também outros custos.
Um terço do preço médio vem da gasolina produzida nas refinarias. Os demais dois terços são formados por três parcelas principais:
- Etanol anidro, que é misturado à gasolina (representa cerca de 30% da composição);
- Impostos cobrados pelos governos federal e estadual;
- Margens de lucro de distribuidores e postos de combustíveis.
Esses componentes fazem com que o valor nas bombas seja diferente em cada região do país. Além disso, o preço pode demorar alguns dias para refletir as mudanças feitas pela Petrobras.
O governo federal, por meio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem cobrado que os postos repassam as reduções anunciadas pela estatal. Segundo o governo, parte dos cortes feitos nas refinarias não chega ao consumidor porque distribuidoras e postos mantêm suas margens de lucro. Representantes do setor afirmam, porém, que há variações nos custos de transporte e impostos que afetam o preço final.
Por que o preço foi reduzido?
A Petrobras costuma revisar os preços conforme o mercado internacional de petróleo, o câmbio (ou seja, o valor do dólar em relação ao real) e os custos logísticos. Quando o barril de petróleo cai no exterior ou o dólar fica mais barato, há espaço para reduzir os preços dentro do país.
Nos últimos meses, o valor do petróleo no mercado internacional diminuiu, e o câmbio se manteve relativamente estável. Isso abriu espaço para a redução. Além disso, a empresa vinha sendo criticada por vender gasolina acima da chamada “paridade de importação”, que é a referência usada para comparar o preço interno com o de importadores.
Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), no início desta semana a diferença entre o valor cobrado pela Petrobras e o preço internacional era de cerca de R$ 0,22 por litro, ou 8% acima da paridade. Já o Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep) calculou que, em setembro, essa diferença média chegou a 12%.
Essa margem extra é chamada de “prêmio”. Quando o prêmio é alto, significa que a Petrobras está cobrando mais do que o preço internacional. Com o corte anunciado, esse prêmio diminui, aproximando o preço nacional do valor de referência global.
Histórico dos preços
Desde dezembro de 2022, a Petrobras reduziu o preço da gasolina nas refinarias em R$ 0,36 por litro. Segundo a empresa, levando em conta a inflação acumulada no período, essa queda equivale a uma redução real de 22,4%.
A política de preços da estatal passou por mudanças desde 2023. Antes, os valores seguiam quase automaticamente o mercado internacional, subindo ou caindo conforme as variações externas. Agora, a empresa adota uma política mais flexível, que leva em conta também os custos internos e a competitividade no Brasil.
Essa nova estratégia permite que a Petrobras mantenha os preços estáveis por mais tempo, mesmo quando há oscilações no valor do petróleo lá fora. Por outro lado, também faz com que a companhia precise ajustar os preços quando há grande diferença entre o valor interno e o externo, como aconteceu neste mês.


