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Avaliada em US$ 5 trilhões, Nvidia se torna a 3ª maior economia do mundo

A fabricante de chips Nvidia alcançou um marco histórico na última quarta-feira, 29 de outubro, ao se tornar a primeira empresa do mundo a atingir US$ 5 trilhões (R$ 27 trilhões) em valor de mercado.

A cifra ultrapassa o Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha, estimado em US$ 4,6 trilhões (aproximadamente R$ 24,75 trilhões). Com isso, a capitalização da companhia fica atrás apenas das economias dos Estados Unidos e da China. Se fosse um país, a Nvidia seria a terceira maior potência econômica do planeta.

Nvidia se torna mais valiosa do que o PIB de países
O valor refere-se ao valor de mercado da companhia, sua avaliação total na Bolsa de Valores. O cálculo é obtido pela multiplicação do preço de cada ação pelo número total de papéis existentes | Foto: Reprodução / Wikimedia

No caso da Nvidia, seus ativos subiram 3,4% nesta quarta-feira, atingindo US$ 207,85 (R$ 1.122,39) por unidade. Essa valorização elevou a capitalização da empresa de US$ 4,89 trilhões para US$ 5,06 trilhões (R$ 27,3 trilhões).

O movimento alçou a Nvidia ao posto de empresa mais valiosa do planeta, superando gigantes de tecnologia como a Microsoft (avaliada em US$ 4 trilhões) e a Apple (US$ 3,9 trilhões).

De chips gráficos a motor da inteligência artificial

Fundada em 1993 na Califórnia, a Nvidia iniciou sua trajetória produzindo processadores gráficos (GPUs). Esses componentes eram essenciais para computadores e videogames, otimizando a qualidade e a velocidade das imagens. Durante anos, a marca foi restrita ao público de gamers e profissionais de design.

O cenário mudou radicalmente quando cientistas descobriram o potencial desses mesmos semicondutores para a inteligência artificial (IA), tecnologia que capacita máquinas a aprender e executar tarefas humanas.

Os componentes da Nvidia tornaram-se cruciais para treinar grandes modelos de IA, como o ChatGPT (OpenAI) e o xAI (Elon Musk). Esses processadores atuam como o “cérebro” dos supercomputadores, processando bilhões de dados para gerar respostas, imagens e vídeos.

Atualmente, a Nvidia é vista como a espinha dorsal da indústria de IA; sem seus produtos, o setor teria dificuldades para operar.

O “boom” das ações

Nos últimos 10 anos, as ações da Nvidia valorizaram 44.000%. Em perspectiva, um investimento de US$ 1.000 (R$ 5.400) em 2015 equivaleria hoje a US$ 441 mil (R$ 2,38 milhões). O desempenho supera com folga os principais índices da bolsa americana no mesmo período, como o Nasdaq (alta de 420%) e o S&P 500 (263%).

O sucesso é impulsionado pela explosão da inteligência artificial, popularizada a partir de 2022 com o ChatGPT. Desde então, a capitalização da Nvidia multiplicou-se por 12.

Por que a empresa vale tanto?

A Nvidia domina o mercado de semicondutores para IA. A empresa fornece tecnologia para gigantes como OpenAI, Tesla, Meta (controladora do Facebook), Amazon, Oracle e diversas outras.

Nvidia se torna mais valiosa do que o PIB de países
Essas companhias investem bilhões no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial, dependendo diretamente dos produtos da Nvidia | Foto: Reprodução / Wikimedia

Recentemente, o presidente Jensen Huang anunciou que a companhia possui uma carteira de pedidos de US$ 500 bilhões (R$ 2,7 trilhões) em chips de IA e planeja construir sete supercomputadores para o governo dos EUA.

Adicionalmente, a Nvidia comunicou um investimento de US$ 1 bilhão (R$ 5,4 bilhões) na Nokia para o desenvolvimento de conectividade 6G, a futura geração da internet móvel. Tais anúncios têm impulsionado a confiança do mercado e a alta dos papéis.

Quem é Jensen Huang, o bilionário por trás da Nvidia?

O fundador e CEO da companhia, Jensen Huang, nasceu em Taiwan e migrou para os Estados Unidos aos nove anos. Ele estabeleceu a Nvidia em 1993 e permanece no comando desde então.

Huang detém cerca de 3% das ações, o que o posiciona como um dos homens mais ricos do mundo. Sua fortuna é estimada em US$ 174 bilhões (R$ 942 bilhões), o oitavo maior patrimônio global, segundo a Forbes.

Nvidia se torna mais valiosa do que o PIB de países
Conhecido pelo estilo simples e a icônica jaqueta de couro, Huang é considerado um visionário por ter apostado na inteligência artificial muito antes de sua popularização | Foto: reprodução / Divulgação / Nvidia

Existe uma bolha da inteligência artificial?

Diante de altas tão expressivas, especialistas debatem o risco de uma “bolha”, fenômeno que ocorre quando o preço das ações se descola dos lucros reais das empresas. O setor de tecnologia já vivenciou situação semelhante com a “bolha da internet” no início dos anos 2000.

Contudo, muitos analistas defendem que o crescimento atual é sólido, pois a IA está sendo aplicada em larga escala em carros, hospitais, bancos e outros setores.

Enquanto o debate persiste, a Nvidia consolida sua posição. Ao atingir US$ 5 trilhões, a empresa demonstra que, na era da inteligência artificial, o novo “ouro” mundial não está em minas, mas nos semicondutores que permitem às máquinas pensar.

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