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Enem 2025 propõe reflexão sobre o envelhecimento no Brasil; entenda detalhes do tema da redação

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025 trouxe um tema que dialoga diretamente com o futuro do país: “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. A proposta, divulgada neste domingo, 9 de novembro, pelo ministro da Educação, Camilo Santana, na rede social X (antigo Twitter), incentiva os estudantes a refletirem sobre como o Brasil está se preparando para uma população cada vez mais idosa.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de pessoas com 60 anos ou mais no país passou de 9,2% em 2000 para 15,1% em 2024. A projeção é que esse número chegue a 25% até 2050, o que significa que um em cada quatro brasileiros será idoso. O aumento da longevidade, embora seja uma conquista social, também traz desafios para áreas como saúde pública, previdência e empregabilidade.

Leia também: Enem: confira dicas para alcançar 1000 na redação

O tema da redação do Enem remete aos desafios sociais e políticos do envelhecer bem. Afinal, não basta viver mais, é preciso viver com dignidade | Foto: Reprodução/Canva
O tema da redação do Enem remete aos desafios sociais e políticos do envelhecer bem. Afinal, não basta viver mais, é preciso viver com dignidade | Foto: Reprodução/Canva

Jovens e idosos: o convívio entre gerações como resposta ao etarismo

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil lembram que o envelhecimento não deve ser visto apenas como uma questão de idade, mas de oportunidades. Em uma série publicada em 2023, três médicos com mais de 80 anos mostraram que continuam na ativa, quebrando estereótipos e provando que produtividade não tem prazo de validade.

A gerontóloga Lígia Py, referência em estudos sobre envelhecimento ativo, destaca que o segredo está no convívio entre gerações. Segundo ela, “o diálogo entre jovens e idosos fortalece a empatia e reduz o preconceito contra a velhice”.

Essa convivência, no entanto, ainda é um desafio em um país onde o etarismo, discriminação baseada na idade, é frequente. Pesquisa do Instituto Locomotiva (2022) mostrou que 42% dos brasileiros com mais de 60 anos já sofreram algum tipo de preconceito relacionado à idade, principalmente no mercado de trabalho.

Desigualdade e envelhecimento: o peso econômico do tempo

O envelhecimento também tem impacto direto na economia. Segundo o Banco Mundial, o Brasil pode perder até 1,3% do PIB por ano até 2050 se não adaptar suas políticas para a nova realidade demográfica. Isso porque o número de pessoas em idade ativa diminuirá, enquanto cresce a demanda por aposentadorias e serviços de saúde.

A economista Ana Amélia Camarano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), explica que o desafio está em garantir sustentabilidade para a previdência sem reduzir direitos. “A população vive mais, mas nem sempre envelhece com qualidade. Precisamos pensar em políticas de cuidado e inclusão produtiva dos idosos”, afirma.

Hoje, o valor médio de um benefício do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) é de R$ 1.770,00, enquanto o custo médio mensal de um plano de saúde individual para pessoas acima de 60 anos ultrapassa R$ 1.200,00, segundo levantamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Essa disparidade reforça a dificuldade de manter uma vida digna após a aposentadoria, principalmente entre as classes C e D.

Redação como exercício de cidadania

Mais do que testar a escrita, o tema da redação do Enem 2025 convida os estudantes a refletirem sobre seu papel na construção de um país que acolha todas as idades. O exame exige um texto dissertativo-argumentativo, com até 30 linhas, no qual o candidato deve apresentar uma proposta de intervenção social, ou seja, uma solução que respeite os direitos humanos.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) reforça que propostas que incitem a violência ou contenham discursos discriminatórios resultam em nota zero. Cada redação é corrigida por dois avaliadores, e a nota final, que pode chegar a 1.000 pontos, é a média entre as duas avaliações.

O desafio de envelhecer no Brasil

Discutir o envelhecimento é também discutir o presente. O país vive um momento de transição demográfica que vai exigir novas formas de pensar saúde, moradia, transporte e lazer. Iniciativas de envelhecimento ativo, inclusão digital e programas de renda complementar podem ser caminhos para reduzir desigualdades e garantir que envelhecer no Brasil seja mais do que resistir: seja viver com dignidade.

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