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Mudanças climáticas podem cortar 20% do PIB do Brasil, aponta relatório

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De acordo com relatório da agência Moody’s, as mudanças climáticas podem causar queda de até 20% do PIB brasileiro até 2050, caso não haja adaptação às secas, inundações e desmatamento. Considerando que o PIB do Brasil em 2024 alcançou cerca de R$ 11,6 trilhões, segundo estimativas recentes, uma redução de 20% significaria uma perda aproximada de R$ 2,32 trilhões até meados do século.

O documento destaca que setores como agroalimentar, geração de energia hidrelétrica e biomas essenciais, como a Amazônia, estão entre os mais vulneráveis.

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O cenário de mudanças climáticas também coloca em risco a geração de energia hidrelétrica, que responde por grande parte da energia no país | Foto: Reprodução/Canva
O cenário de mudanças climáticas também coloca em risco a geração de energia hidrelétrica, que responde por grande parte da energia no país | Foto: Reprodução/Canva

Agricultura e agronegócio em risco

O relatório aponta que o setor agroalimentar é “um dos mais expostos aos riscos físicos climáticos”. Conforme os dados, o agronegócio representa cerca de 8% do PIB, 16% dos empregos e 40% das exportações do país. Juntando processamento e distribuição, essa fatia pode chegar a até 30% da economia brasileira. Não reagir às mudanças pode fazer a produção agrícola nacional cair até 2%, elevar importações e impactar especialmente regiões mais pobres.

No cenário agrícola, sem adaptação adequada, a produtividade cai e os custos sobem. O estudo da Embrapa e da Fundação Getulio Vargas mostram que o “período de plantio” já registra redução de cerca de 30 dias em muitas regiões do país.

Desmatamento e bioma amazônico

Outra área sensível mencionada por Moody’s é o desmatamento da Amazônia. O relatório alerta que, com 17% da área original já perdida, ao ultrapassar os 20% de desmatamento, o bioma pode entrar em “ponto de não retorno”, transformando-se em savana e alterando o regime de chuvas por toda a América do Sul.

A mudança no bioma afeta não apenas o meio ambiente, mas a economia de uso da água, geração de energia hidrelétrica e agricultura, fatores que têm repercussão no custo de vida das famílias — especialmente aquelas com renda limitada.

Investimentos necessários para adaptação

O relatório indica que o Brasil precisará investir entre 1% e 2% do PIB por ano até 2030 para alcançar metas de emissões líquidas zero em 2050. O governo deve financiar cerca de 40% desse valor, enquanto o setor privado arcaria com os restantes 60%.

Em valores estimados, considerando o PIB atual, isso pode significar investirem-se entre R$ 116 bilhões e R$ 232 bilhões por ano até 2030 para enfrentar o problema.

Além disso, o relatório cita que para a adaptação agrícola especificamente seriam necessários investimentos de 0,25% a 0,5% do PIB por ano para evitar perdas de produtividade.

Impacto direto nas famílias de renda média e menor

Para o público das classes sociais C e D, os efeitos são concretos: o aumento da frequência de secas, enchentes ou interrupções na geração de energia pode elevar o custo de produtos básicos, transporte, contas de luz e água.

Quando setores como o agronegócio perdem produtividade ou sofrem interrupções, os preços dos alimentos tendem a subir, gerando pressão sobre o orçamento de famílias que já destinam grande percentual da renda à alimentação. Além disso, empregos em regiões vulneráveis, como no Nordeste ou no interior de estados afetados por desastres, podem ficar mais instáveis.

Setores de energia e infraestrutura ameaçados

O cenário de mudanças climáticas também coloca em risco a geração de energia hidrelétrica, que responde por grande parte da energia no país. Segundo o relatório, sistemas energéticos dependem das chuvas e dos biomas que regulam o clima e o ciclo hídrico.

Com interrupções no fornecimento ou necessidade de investimento elevado em adaptação, as tarifas podem subir. Famílias com renda mais baixa podem ter maiores proporções de seu orçamento comprometidas com contas de luz, gás e água.

O papel da transformação econômica

O relatório também destaca que a transição para uma economia de baixo carbono é uma oportunidade, mas apenas se for feita de forma planejada. A adoção de energias renováveis, agricultura regenerativa, reflorestamento e tecnologia para adaptação podem atrair investimentos e gerar empregos novos.

Por exemplo, a emissão de títulos verdes no Brasil já movimenta bilhões de reais. Um relatório da Climate Bonds Initiative aponta que o mercado brasileiro de “dívida sustentável” atingiu R$ 787 bilhões (aproximadamente) em 2024, dos quais parte é aplicada em energia limpa, mobilidade e saneamento.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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