O período de compras de fim de ano ganha destaque entre novembro e dezembro e costuma apresentar forte movimentação no varejo brasileiro. Uma pesquisa da CNDL/SPC Brasil indicou que as vendas no Natal de 2022 movimentaram cerca de R$ 66,6 bilhões. Ao relacionar com as prévias de 2025, a movimentação econômica pode chegar a R$ 70 bilhões, um salto considerável em 3 anos.
Dados regionais da mesma pesquisa, mostram que, no estado de Mato Grosso do Sul, as compras de fim de ano devem movimentar cerca de R$ 1 bilhão, com aumento de 17,4% em relação ao ano anterior. No entanto, existem muitos mitos circulando sobre o impacto desse período e o que realmente vale a pena fazer ou evitar.
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Existem muitas pessoas que acredita que as compra de natal ajudam a aumentar a renda, considerando a movimentação econômica, mas isso é mito
Essa afirmação contém parte de verdade, mas não funciona como regra. O setor varejista como um todo pode registrar um aumento significativo de faturamento, mas isso não necessariamente se traduz em benefício direto para quem está comprando. Por exemplo, apesar de o varejo crescer, os preços podem estar pressionados pela inflação e pelas margens de lucro dos lojistas.
Investir em presentes pode gerar satisfação familiar, mas não deve ser visto como estratégia de incremento de renda ou acumulação de riqueza. O objetivo principal deve ser equilibrar orçamento, evitar endividamento e buscar valor no consumo.
O período exige planejamento e atenção aos preços
Uma pesquisa da EY-Parthenon indicou que 44% dos consumidores brasileiros planejam realizar mais compras neste fim de ano. Ao mesmo tempo, 42% afirmam que farão isso gastando menos ou com foco em custo-benefício.
Para esse público, boas práticas incluem definir quanto se pode gastar, evitar parcelamento excessivo e comparar preços entre lojas físicas e online. O levantamento do Tim Ads em Pará apontou que quase 50% dos consumidores paraenses afirmaram que pretendem gastar entre R$ 50 e R$ 300 com presentes.
“Promoções de fim de ano sempre significam economia”
Muitas vezes, sim, existe desconto ou vantagem em comprar no fim do ano. Porém, nem sempre isso significa economia real para quem está com o orçamento apertado. Há situações em que o produto está em promoção, mas o preço base foi inflacionado ou a condição de pagamento favorece parcelamentos longos. Além disso, o impulso de compra pode levar ao acúmulo de dívidas com juros altos.
Portanto, é mito afirmar que “promoção é sempre bom”. É preciso avaliar se a compra cabe no orçamento, se o pagamento pode ser quitado e se o bem ou serviço trará benefício real.
O fim de ano movimenta economia local, mas o consumidor também precisa saber que riscos existem
Os estudos regionais mostram que o consumo de fim de ano traz impacto positivo, especialmente para o comércio local pequeno. Já o varejo nacional também se beneficia desse impulso. Por exemplo, no Mato Grosso do Sul as compras devem movimentar quase R$ 1 bilhão.
Mas para o consumidor, o risco está no uso de crédito ou parcelamentos longos para aproveitar a data, o que pode comprometer o orçamento nos meses seguintes. Além disso, se a economia enfrenta juros altos e inflação, o poder de compra pode estar reduzido, o que exige ainda mais cuidado.
Como se preparar para fazer boas compras de fim de ano
- Defina um teto de gastos. Mesmo que pretenda presentear, determine um valor máximo e mantenha-se nele.
- Prefira pagamento à vista ou em poucas parcelas com juros baixos. Evite financiar presentes por longo prazo.
- Compare preços, online e na loja física: segundo a EY 51% dos brasileiros pretendem usar mix físico e digital nessas compras.
- Priorize aquilo que traz valor. Quem está sob restrição orçamentária deve focar em presentes que atendem necessidades ou geram benefício real, e não apenas em “promoções”.
- Reserve parte para imprevistos. Embora o momento seja de consumo, manter uma parcela para eventualidade evita que o gasto leve ao endividamento.
Para o comércio e economia local
Do lado do comércio, as classes C e D representam grande parte dos consumidores e demandam ofertas sensíveis a preço e condições de pagamento. Varejistas que entendem esse perfil e oferecem flexibilidade, descontos reais ou parcelamentos sem juros tendem a ter melhor desempenho. Os dados da FGV apontam que o varejo no Natal movimenta bilhões e gera oportunidades para lojas menores.
Mas o equilíbrio também depende de política econômica: se a inflação estiver alta, ou a taxa básica de juros elevada, o impacto do consumo de fim de ano pode não sustentar crescimento contínuo.


