Com a chegada de novembro, milhões de brasileiros começam a receber a primeira parcela do 13º salário, um dinheiro extra que pode ajudar a aliviar o orçamento ou dar início a novos planos financeiros, como investir em algum ativo ou até mesmo em uma reserva de emergência.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o benefício deve injetar R$ 291 bilhões na economia brasileira em 2025, o equivalente a cerca de 2,6% do PIB do país. A média do valor recebido por trabalhador é de R$ 3.762, segundo estimativas do órgão.
Para boa parte das famílias das classes C e D, esse dinheiro é essencial para fechar o ano sem dívidas ou garantir um alívio diante dos gastos extras de fim de ano. Mas também pode ser a chance de dar o primeiro passo rumo à educação financeira.
O contador e CEO do Hashtag Group, Erick Nuñez, explica que o segredo está em definir prioridades e objetivos claros. “Antes de pensar em investir, o passo mais inteligente é eliminar dívidas com juros altos. Nenhum investimento rende mais do que o que você economiza ao parar de pagar juros”, afirma.
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1. Quitar dívidas é o primeiro investimento
O Brasil ainda convive com altos índices de endividamento. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que 78,5% das famílias estavam endividadas em setembro de 2025. As principais vilãs continuam sendo o cartão de crédito e o cheque especial, que podem cobrar juros de até 418% ao ano, de acordo com o Banco Central.
Por isso, especialistas recomendam usar parte do 13º para quitar ou renegociar essas pendências. Eliminar dívidas caras significa um ganho financeiro imediato. Um exemplo: quem deve R$ 2.000 no cartão e paga juros mensais de 10% gasta cerca de R$ 200 apenas em encargos a cada mês, valor que poderia ser convertido em investimento.
2. Montar uma reserva de emergência
Para quem não tem dívidas, o segundo passo é montar uma reserva de emergência. O ideal, segundo Nuñez, é guardar o equivalente a três a seis meses do custo de vida em aplicações seguras e com liquidez diária.
Entre as opções mais indicadas estão o Tesouro Selic, os CDBs de bancos sólidos e os fundos DI. Essas aplicações têm rendimento próximo à taxa Selic, atualmente em 10,50% ao ano, e permitem resgate rápido em caso de imprevisto.
“Essa reserva é o colchão que impede o trabalhador de cair no endividamento novamente quando algo inesperado acontece”, explica o contador.
3. Planejar os próximos passos
Definir metas é essencial para escolher o investimento certo. Segundo levantamento da B3, a bolsa de valores brasileira registrou um aumento de 24% no número de investidores pessoas físicas em 2024, reflexo do maior interesse dos brasileiros por educação financeira.
Para objetivos de médio prazo, entre um e três anos, o Tesouro IPCA e os CDBs de médio vencimento oferecem bons retornos com risco controlado. Já para metas de longo prazo, como aposentadoria, os fundos de previdência privada e os ETFs (fundos de índice) podem ser alternativas.
“Investir sem propósito é como dirigir sem destino. O 13º deve ser o combustível para um objetivo real”, diz Nuñez.
4. Diversificar e investir com constância
Mesmo com valores pequenos, é possível começar a diversificar. Há opções acessíveis, como fundos imobiliários (FIIs), que pagam rendimentos mensais isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, e ETFs, que replicam índices da bolsa com baixo custo.
De acordo com a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), o investimento médio mensal das classes C e D em produtos financeiros cresceu 18% entre 2023 e 2025, impulsionado pelo acesso digital e pelas contas de investimento sem tarifas.
“O importante não é o valor inicial, e sim a disciplina de investir um pouco todos os meses. Isso cria um efeito de bola de neve positiva no patrimônio”, explica o especialista.
5. Investir em si mesmo também é investimento
Nem todo investimento precisa estar no mercado financeiro. Nuñez reforça que parte do 13º pode ser destinada ao desenvolvimento pessoal, cursos, certificações, capacitações ou até cuidados com a saúde e o bem-estar.
“Investir em conhecimento gera retornos duradouros, seja para melhorar de cargo, abrir um negócio ou ter mais qualidade de vida”, destaca o contador.
Segundo levantamento do IBGE, brasileiros das classes C e D destinam, em média, R$ 350 por mês para educação e cursos, valor que pode ser ampliado com o uso inteligente do 13º.
Educação financeira e oportunidades
De acordo com pesquisa do Banco Central, apenas 27% dos brasileiros afirmam ter o hábito de poupar parte da renda mensal. Especialistas apontam que o 13º salário pode ser uma porta de entrada para mudar esse cenário, desde que o trabalhador use o dinheiro com planejamento.
Para Nuñez, o momento é de conscientização. “O 13º é uma oportunidade de virar o jogo. Ele pode ser o ponto de partida para quitar dívidas, começar a investir ou até montar uma reserva de segurança. O que não pode é deixar o dinheiro escapar sem propósito”, resume.


