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Inflação desacelera e tem menor alta para outubro em 27 anos; energia elétrica e alimentos ajudam a segurar preços

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A inflação oficial do Brasil praticamente parou em outubro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), subiu 0,09% no mês, um valor bem abaixo dos 0,48% registrados em setembro. Essa é a menor alta para um mês de outubro desde 1998, quando o índice ficou em 0,02%.

A inflação é o aumento dos preços ao longo do tempo. Quando os valores sobem muito rápido, o dinheiro perde poder de compra e o custo de vida fica mais alto. Já quando a inflação desacelera, o ritmo de aumento dos preços fica menor e o orçamento pesa menos no fim do mês.

Inflação desacelera com queda do preço de alimentos
No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA está em 4,68%, abaixo de 5% pela primeira vez desde janeiro | Foto: Reprodução / Canva

Ainda assim, o índice segue acima do limite da meta oficial definida pelo Conselho Monetário Nacional, que permite variação entre 1,5% e 4,5%. Economistas esperam que o indicador volte à faixa considerada ideal no início de 2025, caso os próximos meses mantenham dados mais leves, como o de outubro.

Energia elétrica e alimentos dentro de casa ajudam a conter a alta dos preços

O principal motivo para a desaceleração no mês foi a queda na conta de luz. Após um aumento significativo em setembro, a energia elétrica residencial registrou queda de 2,39% em outubro. Essa redução aconteceu porque a bandeira tarifária, sistema criado para equilibrar o custo da produção de energia, deixou de cobrar o valor mais caro e passou para uma cobrança menor.

Em setembro, a bandeira vermelha patamar 2 adicionava R$ 7,87 extras a cada 100 kWh consumidos. Em outubro, a tarifa mudou para o patamar 1, baixando o adicional para R$ 4,46. Como eletricidade é um item básico e aparece em praticamente todos os lares, essa queda tem grande peso no resultado geral da inflação.

Outro ponto importante foi o comportamento dos alimentos consumidos dentro de casa. O grupo alimentação e bebidas subiu apenas 0,01%, praticamente estabilidade. Alguns itens ficaram mais baratos, como o arroz, que caiu 2,49%, e o leite longa-vida, com baixa de 1,88%.

Por outro lado, alguns alimentos subiram, como a batata-inglesa (8,56%) e o óleo de soja (4,64%). Mesmo assim, o acumulado do setor não pressionou o índice final, diferente de outros períodos do ano.

Enquanto isso, comer fora de casa ficou mais caro, já que refeições e lanches tiveram alta conjunta de 0,46%, acelerando em relação ao mês anterior. Na prática, quem almoça em restaurantes, compra comida pronta ou usa aplicativos de entrega sentiu mais a diferença no bolso do que quem cozinha em casa.

Roupas, saúde e serviços sobem; gasolina avança, mas diesel cai

Embora alimentos e energia tenham segurado o índice, outros setores seguiram em movimento de alta. O grupo de vestuário aumentou 0,51%, o maior avanço entre os nove setores pesquisados.

Saúde e cuidados pessoais também cresceram 0,41%, impulsionados por planos de saúde e produtos de higiene. Esse grupo teve o maior impacto individual no IPCA do mês.

Entre as despesas pessoais, houve aumento de 0,45%, com destaque para empregados domésticos e pacotes turísticos. Em muitos casos, os aumentos refletem reajustes de serviços e mão de obra.

No setor de transportes, o índice subiu 0,11%. As passagens aéreas avançaram 4,48%, e gasolina, etanol e gás veicular também ficaram mais caros. Já o óleo diesel caiu 0,46%. Como o diesel movimenta caminhões e ônibus, essa queda costuma ter efeito positivo indireto, ajudando a evitar que o frete e o transporte subam ainda mais.

Nem todas as regiões do país tiveram o mesmo resultado. Goiânia registrou a maior variação, chegando a 0,96%, puxada pelo aumento da energia e da gasolina. Já São Luís e Belo Horizonte tiveram deflação, com quedas na conta de luz e no combustível.

O que é o IPCA e por que ele afeta a vida de toda a população?

O IPCA é o índice oficial que mede a inflação do país. Ele acompanha os preços de 377 produtos e serviços, que vão desde alimentos, transporte e roupas, até contas de luz, material escolar e saúde. Cada item tem um peso diferente, conforme a importância no orçamento das famílias. Comida e energia elétrica, por exemplo, têm peso alto porque fazem parte da rotina de quase todos os lares.

Para calcular o índice, o IBGE coleta preços em 16 grandes regiões do Brasil, incluindo capitais e cidades como São Paulo, Rio, Brasília, Recife, Porto Alegre, Goiânia e Campo Grande. Comparando os valores mês a mês, é possível saber se o custo de vida está subindo rápido, devagar ou até ficando mais barato.

Quando a inflação sobe muito, o dinheiro “encolhe”. O salário passa a comprar menos, a vida fica mais cara e a economia perde força. Por outro lado, quando o índice desacelera, o aumento dos preços fica mais lento e o orçamento das famílias respira um pouco melhor.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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