Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira, 14 de novembro, a redução do tarifaço sobre a importação de café, carne bovina, frutas e outros alimentos. A medida foi assinada pelo presidente Donald Trump e pode trazer alívio para produtores brasileiros, principalmente após meses de prejuízos causados pelo conjunto de aumentos de impostos sobre produtos estrangeiros aplicados pelo governo americano.

A mudança ocorre um dia após uma reunião entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Washington. Segundo Vieira, Rubio afirmou que Trump quer construir uma “boa relação com o Brasil”, o que animou produtores e exportadores brasileiros.
O que muda com a nova decisão dos EUA sobre o tarifaço?
O governo americano decidiu retirar parte das tarifas adicionais aplicadas a produtos de vários países, entre eles o Brasil. Na prática, os itens brasileiros estavam sujeitos a dois tipos de impostos:
- Tarifa global de 10%, aplicada a todos os países desde abril;
- Tarifa extra de 40%, exclusiva para o Brasil.
O novo decreto de Trump reduz apenas os 10% da tarifa global, enquanto os 40% extras continuam valendo. Isso significa que o Brasil ganha algum fôlego, mas ainda enfrenta uma barreira importante para vender seus produtos no mercado americano.
Produtos como carne bovina, café, tomates e bananas ficaram mais caros nas prateleiras americanas, pressionando o orçamento das famílias. O governo decidiu aliviar parte das tarifas para evitar que a situação piore.
A medida vale retroativamente desde as 2h01 da madrugada de quinta-feira, 13 de novembro, horário de Brasília, e alcança centenas de alimentos.
Como isso afeta o Brasil?
O Brasil é um dos maiores fornecedores de alimentos para os Estados Unidos. Em 2024, exportou quase US$ 2 bilhões em café para o país, sendo o maior vendedor do produto no período. O país também é o segundo maior produtor de carne bovina do mundo, atrás apenas dos próprios EUA.
Com as tarifas de até 50% que vinham sendo aplicadas desde agosto, as exportações brasileiras sofreram forte queda. Só no caso do café, as vendas despencaram 54,4% em outubro em comparação com o ano passado, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Ao mesmo tempo, o consumidor americano sentiu o impacto:
- O café ficou cerca de 20% mais caro no último ano;
- A carne bovina subiu entre 12% e 18%;
- A produção interna dos EUA caiu, agravando a inflação dos alimentos.
Diante desse cenário, a redução parcial das tarifas pode significar uma retomada gradual das vendas brasileiras.
Setor de carnes vê decisão como positiva
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) classificou a medida como “positiva” e disse que a redução reforça a confiança no diálogo técnico entre os dois países. Para a entidade, a decisão devolve “previsibilidade” ao setor e pode ajudar a estabilizar o fluxo de exportações.
Os Estados Unidos são hoje o segundo maior mercado para a carne bovina brasileira. Por isso, qualquer mudança nas tarifas impacta diretamente produtores, frigoríficos e transportadores.
Apesar disso, algumas empresas consideraram a redução insuficiente, já que os 40% extras continuam valendo. Ou seja, o custo para vender aos EUA permanece alto.
Principais produtos brasileiros que podem ser beneficiados:
A lista divulgada inclui itens que são destaques na exportação brasileira:
- Carne bovina: carcaças, cortes frescos e congelados;
- Café: torrado, não torrado e derivados;
- Cacau: grãos, manteiga, pasta e pó;
- Nozes e castanhas: castanha de caju, macadâmia e coco;
- Frutas tropicais: abacate, banana, goiaba, manga, mamão e abacaxi;
- Sucos: laranja, limão e abacaxi;
- Fertilizantes: ureia e sulfato de amônio.
São produtos com grande peso na economia brasileira e que empregam milhares de pessoas, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Por que os EUA estão mudando as tarifas agora?
Segundo o governo americano, a mudança se baseia em questões de segurança nacional. Isso significa que, para eles, garantir o abastecimento interno de alimentos é estratégico — principalmente em um momento em que o país enfrenta inflação alta e redução no rebanho bovino.
O tarifaço, criado como forma de “proteger a economia americana” e reduzir o déficit comercial, acabou pressionando o bolso dos consumidores. Com isso, houve pressão interna para aliviar parte dos impostos sobre alimentos essenciais.
