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Stranger Things: a série que virou negócio global

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Desde sua estreia, a série Stranger Things tem desafiado os limites do entretenimento e se transformado em um motor econômico para várias indústrias. A 5ª temporada, lançada em 2025, reforça o peso financeiro desse fenômeno: cada episódio custou entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões, o equivalente a cerca de R$ 268,8 milhões a R$ 322,5 milhões por capítulo.

Essa escala de investimento coloca a produção entre as mais caras da história da TV mundial. Com oito episódios, o custo total da temporada final chega a algo entre US$ 400 milhões e US$ 480 milhões (aproximadamente R$ 2,15 bilhões a R$ 2,58 bilhões).

O retorno, entretanto, também é expressivo. Estimativas da consultoria Parrot Analytics indicam que a série gerou, desde 2020, mais de US$ 1 bilhão em receita para a plataforma Netflix e atraiu cerca de 2 milhões de novos assinantes. Com a nova temporada, há projeções de que o faturamento total supere US$ 2 bilhões, o que equivale a R$ 10 bilhões.

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Fãs e consumo de nostalgia impulsionam negócios e transformam série em marca global lucrativa | Foto: Reprodução/Netflix

Stranger Things
Fãs e consumo de nostalgia impulsionam negócios e transformam série em marca global lucrativa | Foto: Reprodução/Netflix

Impacto no merchandising e licenciamento

A transformação de Stranger Things em marca global vai além da tela. Desde 2025, a Netflix firmou acordos de licenciamento com empresas como a fabricante de brinquedos Jazwares, conhecida por licenciar franquias como Pokémon e Star Wars. A nova linha de produtos inclui brinquedos, pelúcias, action figures, roupas e itens colecionáveis inspirados no universo da série.

Além disso, empresas de diversos setores aproveitaram a nostalgia dos anos 1980 retratada na série para lançar collabs e produtos temáticos. A marca Coleman, por exemplo, lançou no Brasil uma coleção de barracas e coolers com identidade visual da série, voltada a jovens e fãs do universo retrô.

Para as marcas, a exposição na série representa um grande retorno comercial. Em 2019, um estudo de “product placement” indicou que mais de 100 produtos apareceram na terceira temporada, gerando cerca de US$ 15 milhões (R$79 bilhões) em valor estimado de publicidade nos três primeiros dias após o lançamento, incluindo marcas que vão de refrigerantes a calçados e alimentos.

Esse tipo de exposição reaquece produtos e marcas esquecidas. Por exemplo, a exibição de waffles congelados da marca fictícia Eggo e de bicicletas no estilo dos anos 80 fez com que vendas e buscas por produtos retrô ou inspirados naquela era subissem significativamente depois da estreia da série.

Audiência, streaming e fidelização de assinantes

O sucesso de público de Stranger Things também alimenta o ciclo financeiro da Netflix e de toda a cadeia associada. A série alcança horas de exibição recordes: o impacto de um título de peso como esse ajuda a justificar o investimento bilionário em produção e licenciamento.

Esse modelo de franquia, com forte apelo nostálgico e cultural, cria um “efeito bola de neve”: novos assinantes atraídos pelo lançamento da temporada, combinados com o consumo de produtos licenciados, geram um ecossistema que vai além da exibição, mobiliza indústria, varejo e economia criativa.

Para marcas e varejo, a presença de Stranger Things no catálogo significa uma oportunidade de ouro para explorar saudosismo e tendências culturais. Para a Netflix, a série funciona como âncora para retenção e atração de assinantes, mantendo o serviço competitivo num cenário em que alternativas de streaming crescem.

Multiplicadores econômicos: emprego, licenciamento e cultura pop

Além do faturamento direto com assinaturas e merchandising, Stranger Things provoca impactos indiretos que reverberam na economia criativa. Segundo estimativas citadas pela mídia internacional, a série teria gerado cerca de 8 mil postos de trabalho ligados à produção nos Estados Unidos ao longo de suas temporadas.

O ciclo de consumo não se limita aos produtos oficiais. O fandom estimula colecionismo, economia de segunda mão, eventos temáticos, turismo de consumo, moda retrô e atividades paralelas como arte, música e cultura pop, gerando renda e movimentação econômica em diversos setores.

No Brasil e no mundo, collabs com marcas de roupas, brinquedos, alimentação e cultura materializam a nostalgia e transformam espectadores em consumidores ativos, dispostos a pagar por experiências que remetam à ambientação dos anos 1980.

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Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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