A participação da geração Z no empreendedorismo brasileiro cresce e passa a influenciar como pequenos e médios negócios se relacionam com o sistema financeiro. O estudo Panorama PME Brasil, realizado pela Visa em parceria com a consultoria Business Meets Culture (BMC), divulgado em novembro de 2025, revela que jovens nascidos entre 1995 e 2009 já representam 11% dos empreendedores do país. A entrada desse grupo, conhecido pelo domínio digital e comportamento prático, traz novas demandas e pressiona o mercado por produtos financeiros mais modernos e flexíveis.
O levantamento, que combinou fases quantitativa e qualitativa, reuniu 2.001 entrevistas estruturadas entre maio e junho de 2025, além de 48 entrevistas em profundidade. A pesquisa também contou com 2 mil horas de escuta ativa, análise de 60 materiais secundários e entrevistas com dez executivos do setor.
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Um empreendedor mais digital e exigente
A Visa destaca que a geração Z possui familiaridade natural com tecnologia, o que modifica a maneira como esses jovens administram seus negócios. O comportamento contrasta com o de gerações anteriores, como baby boomers e geração X, que costumam adotar ferramentas bancárias tradicionais com maior facilidade.
O estudo mostra que apenas 47% dos empreendedores da geração Z estão satisfeitos com cartões PJ oferecidos por instituições tradicionais. Entre boomers, esse índice sobe para 74%, e entre a geração X, para 67%. A diferença revela uma lacuna de experiência e valor que bancos e fintechs terão de enfrentar.
Segundo a pesquisa, essa insatisfação resulta em maior resistência ao uso de produtos financeiros corporativos. Além disso, muitos jovens empreendedores preferem ferramentas digitais que ofereçam autonomia, agilidade e integração com plataformas online.
Mistura entre finanças pessoais e empresariais é mais comum
A cautela em relação ao sistema bancário faz com que a geração Z misture com mais frequência contas pessoais e empresariais. O Panorama PME Brasil indica que esses jovens empreendedores estão 10 pontos percentuais acima da média nacional nesse comportamento, o que pode criar riscos financeiros para o negócio.
A falta de separação clara entre despesas da empresa e da vida pessoal pode gerar dificuldade de controle de caixa, baixa precisão nos relatórios financeiros e limitações no acesso a crédito. Para especialistas, esse movimento reforça a necessidade de produtos bancários mais intuitivos, que facilitem a organização e reduzam a burocracia para quem está começando.
Escolhas da Geração Z é orientada por benefícios claros e imediatos
Uma das conclusões do estudo é que a geração Z toma decisões de forma mais prática e imediatista. A preferência por vantagens objetivas e mensuráveis influencia a percepção de valor dos serviços financeiros.
Entre os benefícios mais atraentes para esses jovens empreendedores estão: limite flexível, descontos na maquininha e liquidez rápida, fatores que impactam diretamente a operação diária de pequenos negócios. A pesquisa mostra que, para essa geração, o cartão corporativo é visto menos como um meio de pagamento e mais como uma ferramenta de venda.
A Visa avalia que esse comportamento exige das instituições financeiras uma reformulação dos produtos voltados para pequenas e médias empresas. Soluções que integrem pagamento, gestão e crédito em um único sistema tendem a ser mais bem recebidas por esse público.
Influência no ecossistema de pequenos negócios
O aumento da presença da geração Z entre empreendedores acontece em um momento de expansão das micro e pequenas empresas no Brasil. Esse grupo, que representa a maior parte dos negócios no país, passa por transformações com o crescimento do comércio digital, do trabalho autônomo e de plataformas de prestação de serviços.
A digitalização acelerada após a pandemia influenciou a forma como os jovens encaram a abertura e a condução de empresas. Para esse público, presença online, gerenciamento por aplicativos, vendas em redes sociais e uso de ferramentas automatizadas são partes estruturais da atividade.
A demanda crescente por soluções tecnológicas pressiona tanto bancos tradicionais quanto fintechs a desenvolver produtos mais adaptados ao comportamento digital desses empreendedores.
Desafios para o setor financeiro
A pesquisa indica que existe uma lacuna entre o que a geração Z deseja e o que o setor financeiro oferece. A satisfação reduzida com cartões PJ e a busca por funções mais amplas mostram uma necessidade de adaptação das instituições.
Ao mesmo tempo, a mistura de contas pessoais e empresariais cria desafios que podem impactar o acesso a linhas de crédito e a saúde financeira dos pequenos negócios. A Visa e a BMC afirmam que o desenvolvimento de produtos mais personalizados, com foco em automação, simplicidade e suporte digital, será fundamental para atender essa nova demanda.
Outro ponto relevante é que os jovens são mais críticos em relação a tarifas, taxas e processos considerados complexos. A expectativa é de que instituições que ofereçam clareza nas condições, rapidez nas transações e ferramentas integradas se destaquem nesse mercado em crescimento.
Metodologia reforça importância do comportamento jovem
O estudo Panorama PME Brasil utilizou um conjunto robusto de entrevistas e análises para compreender o impacto da geração Z no empreendedorismo. A combinação de dados quantitativos e qualitativos permitiu detalhar como esse grupo toma decisões, organiza suas finanças e reage às ofertas bancárias.
A presença de 2.001 entrevistas estruturadas e 48 conversas em profundidade ajudou a identificar padrões que reforçam a transformação do setor. A escuta ativa e a revisão de materiais complementares forneceram uma leitura mais ampla do cenário.


