Um levantamento feito pela plataforma de empregos Monster mostra que ambientes tóxicos e má gestão estão levando trabalhadores a abandonar seus empregos sem qualquer aviso prévio. O relatório, divulgado em novembro e citado pela Fortune, indica que quase metade dos trabalhadores dos Estados Unidos já deixou o cargo de forma abrupta, em um movimento descrito como demissão por vingança. A tendência aparece como uma evolução de comportamentos anteriores, como o quiet quitting e o loud quitting, que ganharam destaque nos últimos anos.
Segundo o relatório, a demissão sem aviso não está restrita a jovens recém-contratados. A maioria dos trabalhadores que adotou esse comportamento estava no emprego havia mais de dois anos. Os dados reforçam uma frustração crescente com práticas internas consideradas injustas e ambientes percebidos como desrespeitosos.
A especialista em carreira da Monster, Vicki Salemi, afirma em entrevista ao InfoMoney, que essas saídas abruptas funcionam como um alerta sobre a cultura organizacional, indicando perda de confiança nas lideranças e falta de canais de diálogo.
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O que está por trás da demissão por vingança
Ao contrário do que se imagina, a decisão de deixar o emprego sem aviso prévio não está relacionada principalmente ao salário. Apenas 4% dos entrevistados mencionaram remuneração baixa ou ausência de benefícios como motivo principal. Os fatores de maior peso são ambientes de trabalho considerados tóxicos, falhas de gestão e sensação de desvalorização.
O relatório indica que trabalhadores que convivem com conflitos constantes, má comunicação e ausência de reconhecimento desenvolvem sentimento de ruptura com a empresa. A percepção de injustiça se intensifica quando não existem mecanismos eficientes para denunciar abusos ou propor melhorias. O resultado é uma saída brusca, sem carta de demissão ou período de transição, que afeta diretamente o funcionamento interno das equipes.
A falta de oportunidades de crescimento aparece ainda mais abaixo na lista de motivos. Embora carreiras estagnadas preocupem os profissionais, o estudo mostra que a cultura organizacional tem impacto maior na decisão de permanecer ou sair. Isso reforça a importância de ambientes saudáveis, que ofereçam segurança psicológica e gestão acessível.