A economia brasileira mostrou sinais de desaceleração no terceiro trimestre de 2025, conforme os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um dos principais destaques negativos foi a retração no consumo das famílias, indicador que costuma refletir diretamente a confiança da população na economia e o comportamento de gastos no dia a dia.
O enfraquecimento do consumo ocorreu mesmo em meio a números historicamente positivos do mercado de trabalho, o que gerou preocupação e também questionamentos sobre a consistência de alguns indicadores econômicos.
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Cenário atual: emprego forte, consumo fraco
Em entrevista ao programa Live CNN, o economista sênior do Inter, André Valério, explicou que os dados apresentam uma combinação incomum. De um lado, a taxa de desocupação está entre as mais baixas já registradas pelo país e a renda real das famílias se mantém em níveis elevados. De acordo com o economista, a renda vem crescendo acima da inflação de maneira consistente ao longo de 2025. Mesmo assim, o consumo não acompanhou esse movimento.
Valério observou que a taxa de poupança caiu no período, apontando que muitas famílias estão utilizando suas reservas financeiras para pagar contas e lidar com despesas básicas, em vez de direcionar recursos para o consumo de bens ou serviços. Essa dinâmica chama atenção porque indica uma fragilidade que não combina com o bom desempenho apresentado pelo mercado de trabalho.
O economista também destacou que os dados de emprego captados pelo IBGE funcionam como uma média móvel trimestral, o que faz com que a leitura seja mais lenta para captar mudanças no comportamento do mercado. Por outro lado, números mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) já apontam desaceleração mais marcante no emprego formal, o que ajuda a explicar parte da cautela observada nas famílias.
As declarações foram feitas em entrevista exibida pela CNN Brasil em 4 de dezembro de 2025.
Consumo das famílias: retração e efeitos na economia
A retração no consumo das famílias afeta diretamente a economia, já que esse é um dos componentes mais importantes do Produto Interno Bruto (PIB). O consumo das famílias cresceu apenas 0,1% no terceiro trimestre de 2025, considerando dados do IBGE. O desempenho foi inferior ao esperado por analistas e demonstra que os brasileiros reduziram compras, especialmente diante de juros elevados e custo de vida pressionado.
Esse movimento também impacta o comércio, o setor de serviços e as pequenas empresas, que dependem de fluxo constante de consumidores. O Ministério da Fazenda relaciona a desaceleração do consumo ao efeito dos juros elevados sobre o crédito e sobre a geração de emprego, fatores que ainda influenciam o comportamento do consumidor.
O que pode mudar em 2026?
Apesar do cenário de incerteza, o economista André Valério afirma que há fatores que podem gerar melhora no consumo das famílias já no início de 2026. O principal deles é a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, medida anunciada pelo governo federal. A mudança tributária ainda depende do texto final e da tramitação, mas, caso entre em vigor, deve liberar um volume relevante de recursos que hoje é destinado ao pagamento do imposto.
Para quem recebe até R$ 5 mil mensais, a isenção representa mais dinheiro disponível no orçamento, que poderá ser direcionado para despesas essenciais ou para o consumo em geral. A CNN Brasil destacou que o economista considera essa liberação como um reforço importante para a economia doméstica, com potencial de impulsionar o mercado interno e dar suporte ao comércio e aos serviços.
Esse incremento de renda tende a ser especialmente significativo para famílias das classes C e D, que concentram grande parte da população brasileira e são responsáveis por parcela relevante da movimentação econômica cotidiana.
Perspectivas e fatores de atenção
Mesmo com a expectativa de melhora, analistas reforçam que o comportamento da economia em 2026 dependerá também do ritmo da inflação, do nível de endividamento das famílias e da condução da política monetária. A desaceleração recente do mercado de trabalho formal, apontada pelo Caged, é monitorada como indicador importante para avaliar o reflexo nos próximos meses.
Enquanto isso, o consumo das famílias segue como um dos principais termômetros da recuperação econômica. O impacto da eventual isenção do imposto de renda será observado ao longo de 2026 e pode influenciar diversos setores da economia nacional.


