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Cesta básica fica mais barata em 24 capitais; RJ registra queda de 2,17% em novembro

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O preço da cesta básica recuou em quase todo o país em novembro. Conforme o acompanhamento mensal feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 24 das 27 capitais brasileiras registraram redução no custo do conjunto de alimentos. A queda mostra um alívio importante no orçamento das famílias após meses de oscilações nos preços.

Cesta básica no Brasil fica mais barata
No Rio de Janeiro, a cesta ficou 2,17% mais barata em um mês, encerrando novembro em R$ 783,96 | Foto: Reprodução / Canva

O valor ainda coloca a capital fluminense entre as cinco mais caras do país, mas sinaliza uma desaceleração que também foi observada em vários outros centros urbanos.

Capitais do Norte e do Sul lideram as quedas mais expressivas

Algumas cidades tiveram reduções ainda mais significativas. Macapá apresentou a maior variação negativa do mês, com recuo de 5,28%, seguida por Porto Alegre (-4,10%), Maceió (-3,51%), Natal (-3,40%) e Palmas (-3,28%). Também houve retração relevante em Florianópolis, São Luís, Fortaleza, Aracaju, Curitiba e João Pessoa, entre outras capitais.

Apenas três cidades registraram avanço no custo da cesta: Rio Branco (0,77%), Campo Grande (0,29%) e Belém (0,28%). Mesmo com essas altas pontuais, o conjunto das capitais mostra tendência de preços mais suaves.

Tomate e batata puxam o barateamento; óleo de soja e carne sobem

No Rio de Janeiro, a redução do valor total da cesta foi influenciada pela queda de preços de oito dos 13 produtos analisados. O destaque ficou para o tomate, que despencou 22,72% em apenas um mês. Também registraram recuo a batata (-8,59%), o arroz agulhinha (-3,98%), o leite integral (-3,29%), a farinha de trigo (-2,18%), o café em pó (-1,71%), a manteiga (-1,07%) e o açúcar refinado (-0,89%).

O feijão-preto manteve o mesmo preço. Entre os itens que ficaram mais caros, estão o óleo de soja (3,11%), a carne bovina de primeira (1,07%), o pão francês (0,71%) e a banana (0,33%).

O quadro nacional segue lógica parecida: alimentos sensíveis à oferta, como o tomate, tiveram forte queda, enquanto itens com produção mais cara sofreram ajustes para cima. Os pesquisadores associam parte do barateamento ao aumento da oferta agrícola e ao período de safra de alguns produtos.

Comparação anual mostra retração em itens essenciais e alta em alimentos específicos

Mesmo com a redução mensal, a cesta básica do Rio de Janeiro acumulou alta de 0,81% em comparação com novembro de 2024. Os maiores aumentos no período foram observados no café em pó (50,28%), na banana (10,10%), no tomate (8,94%), na carne bovina de primeira (8,77%) e no óleo de soja (7,47%).

Por outro lado, alimentos essenciais tiveram quedas importantes ao longo de 12 meses. A batata caiu 48,32%, o feijão-preto recuou 38,39%, o arroz agulhinha ficou 28,29% mais barato, enquanto o leite integral diminuiu 7,39% e a farinha de trigo caiu 7,16%. O açúcar refinado também registrou retração anual, embora mais moderada (-2,63%).

Essas variações mostram como fatores sazonais, oferta agrícola e condições de produção interferem diretamente no preço de alimentos básicos.

Considerando o salário mínimo de R$ 1.518,00, o trabalhador do Rio de Janeiro precisa dedicar 113 horas e 37 minutos para adquirir a cesta básica. Embora o preço tenha caído em novembro, o tempo necessário para sua compra ainda é elevado quando comparado às capitais mais baratas.

Diferença entre capitais varia quase R$ 300; São Paulo tem a cesta mais cara

Apesar do recuo em boa parte do país, há grande diferença entre o custo das cestas nas capitais. São Paulo aparece com o maior valor médio, chegando a R$ 842,26 em novembro. A capital paulista também lidera quando se considera a relação entre preço da cesta e o salário mínimo líquido, exigindo quase 60% da renda mensal e 121 horas e 55 minutos de trabalho para a compra dos alimentos.

Na outra ponta, Aracaju registrou o menor custo do país, com R$ 538,10. Nesse caso, a cesta representa 38,32% do salário mínimo e exige 77 horas e 59 minutos de trabalho — quase 44 horas a menos do que em São Paulo.

Outras capitais com valores mais baixos são Maceió, Natal, João Pessoa e Salvador. Já Florianópolis, Cuiabá, Porto Alegre e Rio de Janeiro aparecem entre as cestas mais caras do país.

Oferta agrícola reforça queda generalizada nos preços

Segundo análise do governo federal, o barateamento observado em novembro está relacionado ao avanço da safra agrícola, que elevou a oferta de alimentos ao longo do mês. Produtos como açúcar, leite e tomate tiveram reduções consideráveis graças à combinação de maior oferta interna, movimento internacional de preços e, em alguns casos, menor demanda.

Exemplo disso foi a queda intensa do tomate em 26 capitais, com destaque para Porto Alegre, onde o preço caiu 27,39%. Já o arroz teve recuos expressivos em cidades como Brasília, onde o valor caiu 10,27%. O café em pó, que ficou mais barato em 20 capitais, também contribuiu para aliviar o custo final da cesta.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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